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terça-feira, 16 de novembro de 2010

O EGOÍSMO PSICOLÓGICO

De acordo com a abordagem nas aulas de Filosofia acerca do egoísmo psicológico, formulei a minha opinião. Concordo com o egoísmo psicológico. Quando fazemos uma determinada acção é necessário termos a intenção de fazê-la, e por isso mesmo temos um desejo, mesmo quando queremos ajudar os outros não deixa de ser um desejo nosso, e que se o concretizarmos estamos a criar uma situação favorável a nós mesmos. Por isso, mesmo que o agente seja altruísta, ele vai ter sempre aquele pensamento de reconforto consigo próprio, felicidade interior e pensar ser uma boa pessoa (corajosa, ou prestável, de acordo com a acção) à vista dos outros que o rodeiam. Para muitos é surreal pensar que mesmo quando estamos a ajudar as pessoas da melhor maneira possamos estar a ser egoístas, e por isso, estar a fazer algo para benefício próprio. Mas penso que isso acontece em todos os casos, mesmo as boas acções dos agentes são sempre ponderadas por estes, e isto é feito em segundos, pois todos pensamos sempre no que os outros possam pensar. Vejamos bem, mesmo que numa altura de aflição um pai salve o seu filho, nessa mesma altura de salvamento não houve qualquer egoísmo da parte do pai, porém depois do salvamento, caso o pai sobrevivesse viveria para sempre feliz com o seu acto, e interiorizava-se boa pessoa e acima de tudo um corajoso e salvador, esperando sempre uma recompensa, como simplesmente agradecimentos. Mas isso não torna o pai uma má pessoa nem uma pessoa egoísta, apenas alguns pensamentos dele são egoístas, em relação a este caso, aliás, o pai, na minha opinião seria uma excelente pessoa e eu seria de certeza uma das pessoas que o louvava pelo sucedido, mas o que interessa aqui é analisar as coisas de outra forma. E se pensarmos bem, mesmo nos casos em que a uma pessoa não lhe ocorrem pensamentos egoístas, essa mesma pessoa praticou uma acção com vista a realizar o seu desejo, logo se essa acção foi praticada, o seu desejo pessoal também foi concretizado, e é neste momento que na minha opinião existe egoísmo em qualquer situação. Estava a ler um texto de um filósofo e fiquei um pouco confusa em relação à minha opinião, mas ao começar a escrever duas objecções que tinha em mente rapidamente voltei a apoiar a teoria do egoísmo psicológico. Um exemplo que julgava ser contra esta teoria era: a mãe a dar de mamar a um filho. Imaginemos que uma mãe está a dar de mamar a um filho no seu quarto. Se a mãe estiver recatada, sem janelas abertas, e se não tiver necessidade de contar às amigas que esteve a dar de mamar ao seu filho, então neste caso aqui não preside qualquer tipo de egoísmo, pois não quer mostrar que tem um filho mais saudável que os outros, nem quer mostrar ser uma boa mãe perante os outros. E depois pensamos… As pessoas ao ver o seu filho irão ver que ele está bem cuidado, irão ver que ele é mais resistente às doenças que os outros e acima de tudo irão ver que a sua mãe omitiu todas as vezes que esteve a dar de mamar ao seu filho, para assim não mostrar que se estava a gabar, logo mostra automaticamente a imagem de uma pessoa humilde e que apenas quer ser altruísta com o seu filho e ajudá-lo a crescer. E se voltarmos a pensar melhor o filho sente a presença da mãe e irá crescer mais feliz devido à sua presença, e por isso um dia quando crescer irá gabar a mãe como uma boa mãe, mas acima de tudo uma companheira e uma pessoa preocupada com o seu crescimento. Podemos pensar que será difícil essa mãe enquanto está a dar de mamar pensar em tudo isto, mas ela pensa nem que seja por segundos e nem que seja sem se aperceber consideravelmente.
David Hume dizia que a amizade era uma intrujice, que as relações eram uma falsidade, mas nisso não concordo. O facto de pensarmos por momentos de maneira egoísta não quer dizer que as acções que façamos sejam de má intenção ou que sejam as erradas, o mais importante é ajudar os outros, pois o próximo nem sequer questiona se o outro o fez por benefício pessoal ou para seu benefício, o que é realmente importante é que foi ajudado. 
Cristiana 10ºA

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

12 Angry Men e a Importância da Argumentação

A argumentação tem uma enorme importância na vida do dia-a-dia, onde somos muitas vezes obrigados, pelas circunstâncias, a apresentar as nossas razões, as justificações dos nossos comportamentos e das nossas tomadas de posição. No filme “12 Angry Men” assiste-se a uma dessas circunstâncias, em que um grupo de doze jurados tem de decidir o futuro de um jovem de 18 anos, acusado de homicídio em primeiro grau, por ter morto o seu próprio pai com uma navalha. Se este fosse considerado culpado, então o seu destino seria, obrigatoriamente, a morte, mas se existisse uma dúvida legítima entre os jurados, então o acusado devia ser considerado inocente. 
Inicialmente, a maioria dos jurados, onze em doze, estava a favor da condenação do acusado enquanto apenas um estava a favor da absolvição do mesmo. Posto isto, os jurados a favor da condenação do acusado tentam persuadir Davis, o único que votou a favor da absolvição, a mudar o seu voto, visto que era necessário que o veredicto dos jurados fosse decidido em unanimidade, dizendo as razões que os levaram a pensar que o acusado fosse culpado. Assim, assiste-se ao início de uma longa conversa, onde alguns do jurados que defendiam a culpabilidade do acusado começaram a mostrar os argumentos e factos que os levavam a tal conclusão. Um dos argumentos afirmado por um dos jurados a favor da condenação do miúdo foi que, uma das testemunhas, o velhote, que vivia no andar debaixo do quarto onde teve lugar o crime, julgou ter ouvido o miúdo gritar “vou-te matar” e instantes depois um corpo a cair no chão. Correu para a porta, abriu-a e viu o miúdo a correr pelas escadas para a rua. Mas, Davis recusa esse argumento e afirma que se o comboio passou na altura do crime (como diz o testemunho da vizinha da frente) então era impossível o velhote identificar a voz do rapaz com tanto ruído. E que mesmo que o velhote tivesse ouvido, Davis proferiu que se utilizava diversas vezes essa expressão no dia-a-dia e que o rapaz, se tivesse mesmo intenções de matar o pai, nunca a gritaria tão alto, para que a vizinhança não o ouvisse. Outro argumento foi que Davis pôs em causa o tempo o tempo que o velho demoraria a chegar do seu quarto até à porta da entrada, visto que eram 3,5 metros da cama à porta, e que o corredor tinha 13 metros. O velhote teria de andar 3 metros e meio, abrir a porta do quarto, andar 13 metros e abrir a porta de entrada, tudo em 15 segundos. Davis, demonstrou, fazendo o mesmo percurso à mesma velocidade do velhote, que este demoraria cerca de 41 segundos desde a cama do quarto até à porta da entrada e não 15 segundos, por isso, provavelmente, não teria sido capaz identificar a pessoa que descia as escadas. Um outro argumento foi que um dos jurados a favor de inocência do acusado, se lembrou que a mulher que testemunhou contra o acusado tinha as mesmas marcas nos lados do nariz que um dos jurados que usava óculos. Então perceberam que a mulher utiliza óculos mas que provavelmente por questões de beleza, não os teria usado durante a sentença. Então, chegaram à conclusão, pressupondo que a mulher não usava óculos na cama, que a mulher não seria capaz de identificar o culpado a 20 metros de distância sem óculos, julgando que ela apenas viu as silhuetas das pessoas em causa.
Com isto, conclui-se que Davis conseguiu refutar as ideias dos outros jurados, contra-argumentando com as razões que o tinham levado a pensar que o acusado seria inocente, que se baseavam no equívoco das testemunhas e dos factos. Depois de muito diálogo, Davis começa a conseguir convencer os outros jurados a mudarem de voto e assim consegue, com muita perseverança, persuadir os restantes jurados a votar a favor da inocência do rapaz, visto que não existiam provas suficientes para o culpar.
          Como mostra o filme, a argumentação é fundamental em todas as áreas da actividade humana onde não possa ser estabelecida uma verdade racionalmente demonstrada, como é o caso de uma sentença. Assim, eu penso que quando argumentamos, defendemos o nosso ponto de vista e devemos ser capazes de o justificar racionalmente. Claro que nem sempre é fácil encontrar justificações racionais para fundamentar os nossos pontos de vista e por vezes, somos um pouco dogmáticos, guiando-nos apenas por preconceitos, ideias que tomamos como verdadeiras sem termos razões para tal, que nos foram transmitidas por alguém, não nos permitindo criar uma ideia própria. Também no filme são mostrados contra-argumentos, argumentos que pretendem refutar a conclusão de outros, também importantes quando se está a argumentar. Então, podemos dizer que argumentar é defender uma ideia, uma opinião, apresentando um conjunto de razões que justifiquem essa tomada de posição.

Nuno Tiago Martins nº 14 10º C