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sábado, 14 de novembro de 2009

DOIS MODOS DE SILENCIAR




Há tantas maneiras de tentar silenciar ideias que não nos agradam que seria pouco prudente tentar fazer uma lista de todas elas. Mas vale a pena falar de duas delas.
Ambas pertencem à falácia da mudança de assunto e ocorrem quando alguém ouve ou lê uma ideia qualquer de que não gosta, e que não quer sequer ver discutida. Não se trata de pensar que a ideia é errada e de aproveitar a ocasião para esclarecer as pessoas e apresentar ideias opostas; trata-se de não querer que tais ocasiões surjam. Um observador cínico poderá pensar que a pessoa no fundo desconfia que não há realmente boas razões para pensar o que ela pensa, mas desagrada-lhe mudar de ideias como a qualquer pessoa sensata desagrada mudar de casa por causa de todos os transtornos que isso provoca. Mas não interessa realmente saber que motivações psicológicas tal pessoa terá. O que conta é que o resultado é o silenciamento, se nos deixarmos ir na conversa.
E como se faz o silenciamento? De pelo menos duas maneiras principais.
A primeira ocorre nos meios intelectuais, ou entre pessoas que gostam de ser consideradas intelectuais: aqui, usa-se a cultura como arma de arremesso. E então diz-se coisas do género “Você já leu X? Não? Então cale-se!” A ideia é X ser um autor denso ou difícil ou obscuro, pelo que é elevada a probabilidade de a outra pessoa não o ter lido e se calar por ficar envergonhada. Evidentemente, isto só funciona quando as pessoas realmente são vaidosas e têm vergonha de dizer que não leram. Se isso não ocorrer, ou se por azar a pessoa tiver lido, a tentativa de silenciamento é gorada.
A outra ocorre na vida pública, que me parece cada vez mais acéfala: aqui, usa-se a ideia de que os nossos direitos estão a ser atropelados. Toda a gente passa então a discutir esta outra ideia, e não a original. Foi o que ocorreu no caso do Saramago. As pessoas que discordam dele poderiam ter aproveitado a ocasião para explicar por que razão discordam da leitura que ele faz da Bíblia. Mas não foi isso que se fez; o que se fez foi bater no peito dos direitos atropelados, como se o grande Nobel marxista estivesse a atropelar direitos. E mudou-se de assunto.
Poder-se-ia pensar que seria mais honesto dar ordem de silêncio, em vez de falar de autores eruditos ou de invocar imaginados direitos atropelados. E seria. Só que seria também menos eficaz, porque ninguém daria ouvidos a tal ordem. Ao passo que introduzindo o ruído do autor que não se leu ou dos direitos atropelados, passa-se a discutir outra coisa e silencia-se a discussão original — e era precisamente isso que se queria desde o início.
Escrito por Desidério Murcho

Retirado do blog: criticanarede.com

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FICHA SOBRE AS FALÁCIAS INFORMAIS


Indica o nome das falácias presentes nos argumentos seguintes:

1 -Podemos aceitar que há fenómenos telepáticos, porque até agora não se provou que não existem.

2- Os alunos ou têm o desejo de aprender ou não têm.

3 - A razão porque se dissolve o açúcar é porque ele é uma substância solúvel.

4 - A tua tese de que a alma é imortal não tem qualquer fundamento, porque já estiveste preso e, ainda por cima, chumbaste dois anos seguidos na disciplina de Filosofia.

5 - Durante a reunião, tive muita dificuldade em concentrar-me. O João não parava de fumar. O fumo foi, obviamente, a causa da minha dificuldade de concentração.

6 -Ou me amas ou me odeias!

7- A nossa teoria é, sem dúvida, a melhor. Aquele que a contestar será enforcado.

8 -Fui eu quem cometeu esse crime, mas não mereço uma pena tão pesada. Faço um apelo a quem tiver um coração a bater dentro do peito para que pense na dor dos meus filhos quando souberem que o pai foi encarcerado, e na saudade que eu vou sentir por estar longe deles.

9- «O que fulano diz sobre o balanço da empresa não pode ser levado a sério. Afinal ele traiu a mulher,..»

1o - «A Bíblia é perfeita porque é a Palavra de Deus. E como sabemos que é a Palavra de Deus? Ora, pela sua perfeição.»

11 - «Porque é que sou a pessoa mais indicada para liderar o partido? Porque, de entre todos os outros candidatos, considerando as minhas qualificações, sou a melhor pessoa para o cargo.»

12 -«Se o carro do Pedro tem a mesma cor do João, então é provável que consuma o mesmo do João – 51/100 km.»

13 -«Quem não é por mim é contra mim. Você não me apoia na campanha. Logo, você vai lutar contra a minha eleição.»

14 -«Quem faz uma... faz duas ou três. O relógio deixou de ser visto logo após a sua saída. Portanto, foi você que o roubou.»

15 -«Amanhã tens de saber a tabuada, senão vais ver quantas vezes tens de a copiar…»