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quinta-feira, 10 de março de 2011

CRASH

Hoje em dia, e cada vez mais se vê uma mistura de culturas, em que numa mesma cidade coexistem centenas de pessoas de proveniências diferentes. Los Angeles é, neste filme, o palco da acção da desigualdade, do preconceito e da discriminação, onde se verifica a falta de capacidade para aceitar o próximo e que, uma pessoa sendo discriminada num determinado momento, no momento a seguir já está a discriminar outro. Os estereótipos e os preconceitos são, também aqui, aspectos interessantes da trama, onde as generalizações precipitadas e a não avaliação individual mas sim a avaliação de um grupo fazem com que, para surpresa de todos, em momentos cruciais nos espantemos, positiva ou negativamente, com determinada personagem.
           

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

KRAMER VS. KRAMER

            Este filme é o retratar da sociedade actual, em que muitas vezes se verifica um casamento de aparências que resulta numa família disfuncional. Traço vincado de relações familiares distantes, aliado à falta de paciência para saber ouvir o próximo e a não superação dos problemas em conjunto como verdadeiras famílias o fazem são características interessantes deste filme.
            Ted Kramer, um publicitário de sucesso que vive para o trabalho e para a subsistência da família, apresenta uma noção de pai e de família um tanto ao quanto deslocada da realidade ou mesmo errada, onde a família está em segundo plano, estando sempre na linha da frente o trabalho, não se verificando a partilha de uma vida e dos problemas que vão surgindo nesta com o resto da família. Tudo isto muda a partir do momento em que a mulher, Joanna Kramer, decide sair de casa devido ao facto de se sentir incompreendida e de estar farta da vida desmotivante que levava. Fica então a cargo do pai o tomar conta do filho.
           

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS

Este filme espelha, de forma aliciante e cómica, a diversidade cultural. A cultura varia no tempo e no espaço, varia de época para época, de lugar para lugar, pois não há uma única cultura, mas múltiplas culturas, as quais reflectem as diferentes maneiras como as comunidades se organizam e integram.
            Trata-se de um filme que nos conduz às deslumbrantes paisagens africanas, a um contexto espácio-temporal completamente diferente do nosso, proporcionando-nos ocasiões de reflexão a respeito de nós, dos outros e da forma como reagimos em relação a novas situações, em relação à mudança.
            O próprio título do filme «Os deuses devem estar loucos», já é bastante apelativo, levando-nos a reflectir sobre tudo aquilo que poderá fugir às nossas crenças, aquilo que poderá ser considerado como estranho, diferente, inusitado. Os deuses, para aquela tribo, representavam a ordem, a tradição, a moral; ao afirmar que eles enlouqueceram, já significa que algo está fugindo a essa normalidade, o que se retrata através do contacto com a civilização ocidental.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FUNCIONAMENTO CEREBRAL § COMPORTAMENTO HUMANO

O cérebro é uma linguagem do mundo…Simplesmente remete e transmite de uma maneira transfigurada aquilo que no nosso dia-a-dia temos o hábito de reparar, olhar e percepcionar … A não colinearidade dos conceitos que biologicamente transformam e formam o mundo leva a que o homem se depare pontualmente com situações, objectos ou outros, e, que incrivelmente leva a que o seu cérebro se adapte a essas mesmas situações, alterando consequentemente e possivelmente o comportamento do sujeito perante o meio. Tal processo pode-se comparar perfeitamente ao sistema funcional de uma simples e descomplexa borracha “Maped”. Parece-nos irreal esta situação, a comparação de um cérebro, que ainda mal sabemos de todo o seu teórico potencial, a um objecto branco, moldável e banal do nosso dia-a-dia…Tal como uma borracha se molda quando a comprimimos de modo a apagar alguma rasura ou outro, em consequência do meio a que a submetemos, seja uma folha com uma textura lisa ou rugosa, seja uma folha grossa ou lisa, o nosso cérebro funciona tal e qual como esta nossa borracha. Conforme as experiências de um indivíduo, conforme o meio a que se submete e as exigências a que esse meio o propõe, o cérebro irá moldar-se de modo a satisfazer as necessidades do homem e do meio. Se o cérebro se modifica, indubitavelmente o comportamento também se alterará. A este fenómeno incoerentemente simples designamo-lo por plasticidade cerebral.
O nosso cérebro é o âmago da nossa personalidade, tanto a nível ontogenético como a nível filogenético…A filogenidade do nosso cérebro é o resultado de milhões e milhões de nãos da evolução de uma espécie, a nossa espécie…Aquilo que nos caracteriza como Homo Sapiens Sapiens são o conjunto de capacidades superiormente complexas que nos determinam como tais e que mais nenhum ser é dotado da tais qualidades intelectuais. O nosso pensar, o exprimir das nossas emoções, tais como a alegria e a tristeza, a nossa capacidade de tomar decisões e prever o futuro são complexidades comportamentais do “eu” humano, inteiramente percutidas pelo foro do nosso cérebro…Uma zona específica do nosso cérebro, mais especificamente os lóbulos pré-frontais são responsáveis pela nossa imensidão mental e consequentemente comportamental…Contudo nem só estas áreas nos caracterizam como pessoas…

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

12 Angry Men e a Importância da Argumentação

A argumentação tem uma enorme importância na vida do dia-a-dia, onde somos muitas vezes obrigados, pelas circunstâncias, a apresentar as nossas razões, as justificações dos nossos comportamentos e das nossas tomadas de posição. No filme “12 Angry Men” assiste-se a uma dessas circunstâncias, em que um grupo de doze jurados tem de decidir o futuro de um jovem de 18 anos, acusado de homicídio em primeiro grau, por ter morto o seu próprio pai com uma navalha. Se este fosse considerado culpado, então o seu destino seria, obrigatoriamente, a morte, mas se existisse uma dúvida legítima entre os jurados, então o acusado devia ser considerado inocente. 
Inicialmente, a maioria dos jurados, onze em doze, estava a favor da condenação do acusado enquanto apenas um estava a favor da absolvição do mesmo. Posto isto, os jurados a favor da condenação do acusado tentam persuadir Davis, o único que votou a favor da absolvição, a mudar o seu voto, visto que era necessário que o veredicto dos jurados fosse decidido em unanimidade, dizendo as razões que os levaram a pensar que o acusado fosse culpado. Assim, assiste-se ao início de uma longa conversa, onde alguns do jurados que defendiam a culpabilidade do acusado começaram a mostrar os argumentos e factos que os levavam a tal conclusão. Um dos argumentos afirmado por um dos jurados a favor da condenação do miúdo foi que, uma das testemunhas, o velhote, que vivia no andar debaixo do quarto onde teve lugar o crime, julgou ter ouvido o miúdo gritar “vou-te matar” e instantes depois um corpo a cair no chão. Correu para a porta, abriu-a e viu o miúdo a correr pelas escadas para a rua. Mas, Davis recusa esse argumento e afirma que se o comboio passou na altura do crime (como diz o testemunho da vizinha da frente) então era impossível o velhote identificar a voz do rapaz com tanto ruído. E que mesmo que o velhote tivesse ouvido, Davis proferiu que se utilizava diversas vezes essa expressão no dia-a-dia e que o rapaz, se tivesse mesmo intenções de matar o pai, nunca a gritaria tão alto, para que a vizinhança não o ouvisse. Outro argumento foi que Davis pôs em causa o tempo o tempo que o velho demoraria a chegar do seu quarto até à porta da entrada, visto que eram 3,5 metros da cama à porta, e que o corredor tinha 13 metros. O velhote teria de andar 3 metros e meio, abrir a porta do quarto, andar 13 metros e abrir a porta de entrada, tudo em 15 segundos. Davis, demonstrou, fazendo o mesmo percurso à mesma velocidade do velhote, que este demoraria cerca de 41 segundos desde a cama do quarto até à porta da entrada e não 15 segundos, por isso, provavelmente, não teria sido capaz identificar a pessoa que descia as escadas. Um outro argumento foi que um dos jurados a favor de inocência do acusado, se lembrou que a mulher que testemunhou contra o acusado tinha as mesmas marcas nos lados do nariz que um dos jurados que usava óculos. Então perceberam que a mulher utiliza óculos mas que provavelmente por questões de beleza, não os teria usado durante a sentença. Então, chegaram à conclusão, pressupondo que a mulher não usava óculos na cama, que a mulher não seria capaz de identificar o culpado a 20 metros de distância sem óculos, julgando que ela apenas viu as silhuetas das pessoas em causa.
Com isto, conclui-se que Davis conseguiu refutar as ideias dos outros jurados, contra-argumentando com as razões que o tinham levado a pensar que o acusado seria inocente, que se baseavam no equívoco das testemunhas e dos factos. Depois de muito diálogo, Davis começa a conseguir convencer os outros jurados a mudarem de voto e assim consegue, com muita perseverança, persuadir os restantes jurados a votar a favor da inocência do rapaz, visto que não existiam provas suficientes para o culpar.
          Como mostra o filme, a argumentação é fundamental em todas as áreas da actividade humana onde não possa ser estabelecida uma verdade racionalmente demonstrada, como é o caso de uma sentença. Assim, eu penso que quando argumentamos, defendemos o nosso ponto de vista e devemos ser capazes de o justificar racionalmente. Claro que nem sempre é fácil encontrar justificações racionais para fundamentar os nossos pontos de vista e por vezes, somos um pouco dogmáticos, guiando-nos apenas por preconceitos, ideias que tomamos como verdadeiras sem termos razões para tal, que nos foram transmitidas por alguém, não nos permitindo criar uma ideia própria. Também no filme são mostrados contra-argumentos, argumentos que pretendem refutar a conclusão de outros, também importantes quando se está a argumentar. Então, podemos dizer que argumentar é defender uma ideia, uma opinião, apresentando um conjunto de razões que justifiquem essa tomada de posição.

Nuno Tiago Martins nº 14 10º C

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Reflexão do Filme "Godsend"

Este filme aborda um drama trágico, mas além disso e simultaneamente prende-se com ficção científica, retratando de uma forma extrema a concepção da clonagem humana.
O filme inicia-se com uma dinâmica comum e felicidade aparente no seio de um jovem casal, que festeja o aniversário do seu único filho de 8 anos, Adam (Cameron Bright). Essa harmonia e felicidade desvanecem-se no momento em que Paul Duncan (Greg Kinnear) e Jessie Duncan (Romijn-Stamos) perdem o seu filho, num imprevisível e fatídico acidente. Este facto, provoca sentimentos de elevada tensão, como dor, sofrimento, angústia e desespero, parecendo a vida um tormento isento de sentido e desejo, até mesmo, perante a impossibilidade de Jessie ter mais filhos. Nos preparativos do funeral, o Dr. Richard Wells (De Niro), um investigador/ médico no domínio da genética na clínica: Godsend, especializado em questões de infertilidade, enuncia-lhes uma proposta condenável relativamente à esfera da moralidade e da legalidade predominante, mas que naturalmente seria um sonho inimaginável para eles: reproduzir um novo ser com as mesmas características genéticas do filho morto, ou seja, a ideia da clonagem. Apesar desses entraves, o casal, obviamente desejoso de voltar a ter o seu filho, enveredaram pelo caminho da clonagem, encontrando se aqui a sua principal vantagem/potencial.  
Deve-se de imediato salientar um vasto entusiasmo, cooperação e motivos específicos por parte do médico em ajudá-los nesta tarefa imoral e ilegal, efectuando-se mudanças geográficas, profissionais e sociais necessárias na vida deles.  
Após o sucesso da experiência, (inseminação de genes), preponderava o mesmo ambiente de felicidade e equilíbrio, até o filho clonado, completar 8 anos, à semelhança do anterior. Fisicamente idêntico ao Adam original, este Adam, começa a manifestar uma personalidade complexa, visível nos seus comportamentos demasiado estranhos e perturbadores. Logo, Adam, evidencia terríveis distúrbios de sono, recheados por pesadelos e fragmentos/memórias da vida de outro indivíduo, ou seja, do Zachary Clarck que invade e atormenta a sua mente. Estes sonhos e visões, exercem vasta influência sobre Adam, determinando as suas atitudes e comportamentos diabólicos, o que o torna extremamente perigoso no meio onde se insere. Porque motivo Adam, não se enquadra no perfil de uma criança normal, do ponto de vista psicológico? Em que fundamento assenta o facto de os seus comportamentos maldosos e abomináveis serem determinados pelas atitudes de Zachary Clarck, que ele vê e sente?
O casal, com destaque para o seu pai, (professor de biologia) descobre o mistério envolvido em torno da personalidade de Adam. No processo de clonagem, Dr. Richard, utilizou não apenas as partes genéticas de Adam original, como supostamente deveria suceder, mas ocultamente, também introduziu fragmentos de genes do seu próprio filho falecido, num incêndio: Zachary. Como vimos no filme, este era extremamente horrendo, tendo até assassinado a sua própria mãe. Daí resulta a complexa identidade relativamente à vertente psicológica e comportamental negativa de Adam, pois fisicamente, sim, era idêntico ao Adam original. Logo, um clone, fruto de uma duplicidade genética.
A visão de clonagem humana retratada e explorada neste thriller psicológico, de terror e ficção científica não se associa à realidade presente, sendo o argumento levado ao extremo e ao exagero, isto porque, tecnicamente a manipulação genética predominante no filme não está desenvolvida, e portanto afigura-se impossível. Mas no meu ponto de vista, é este carácter avançado e a suposta visão do futuro relativamente ao desenvolvimento científico e experimental, onde se misturam interesses ambiciosos e de índole peculiar, que serve para reforçar ainda mais as consequências da clonagem humana, em matéria de legalidade, espiritualidade e da moralidade.
Desde já, perante um cenário de circunstâncias favoráveis, o facto de o Dr.Richard pretender materializar as suas aspirações e planos pessoais no domínio da clonagem, realizando uma manipulação genética condenável, constitui uma viva ilustração de transgressão dos valores humanos, morais e éticos.
Relativamente aos efeitos da clonagem, no fundo, a vida de Adam não era uma vida com autêntica dignidade, pois que desenvolvimento moral, educativo, intelectual, social poderá ter essa criança, com esta problemática e instabilidade psicológica, originada pela manipulação genética, pela clonagem? E relativamente à esfera da alma e da espiritualidade?
E as elevadas preocupações, desassossegos, a todos os níveis, tanto para Adam como para os que o rodeiam?
É totalmente condenável, em todos os níveis. Esta criança, vivia, regida pelos material genético de Zachary, que se manifestava, nos seus sonhos e fragmentos de visões sem poder agir de outra forma. Estava meramente determinado a ser assim, com uma personalidade obscura. Nem mesmo a mudança do meio, permitiu melhorar este aspecto, daí a impossibilidade de aperfeiçoamento. E alma dele, o espírito, era também negativo e demoníaco. Dele não emanava qualquer luminosidade e bondade, antes malícia, observável até na expressão perigosa e aterradora dos seus olhos, sendo naturalmente o gerador da instabilidade e do desassossego.
E eu afirmo isto, porque, apesar de um clone, ser idêntico fisicamente, com a mesma individualidade, acontece, que ele modifica-se mediante o ambiente, em função das experiências que vive, os seus interesses e gostos, daí algumas alterações imprevisíveis e comportamentos instáveis. Contudo, o que sucede no filme, é a preponderância de total determinação genética, sem qualquer poder do meio envolvente, como já explicado anteriormente, daí os comportamentos de Adam serem comandados mental e  psicologicamente por Zachary Clarck.
Eu gostei do filme, pois prima por uma densidade psicológica e uma dose de terror. Simultaneamente, através de uma forma original e criativa, são espelhados os efeitos/consequências da clonagem, sendo esta uma prática condenável, ética e espiritualmente insustentável, além de psicológica e filosófica, ultrapassando a sua vantagem inicial que se assemelha à total felicidade, ou seja, a possibilidade de clonar o filho falecido.

Viktoriya Lizanets n21, 12C

domingo, 25 de abril de 2010

"A ILHA"- CLONAGEM VS ÉTICA


“A ilha” Clonagem VS Ética
A ilha é um filme que tem como objectivo apelar aos problemas éticos e morais que a clonagem nos leva a praticar.
Encontramo-nos no ano de 2019, num grande complexo com centenas de pessoas todas elas ansiosas para sair desse mesmo lugar e ir para uma ilha prometida que lhes trará “de novo”, a liberdade e a satisfação de viver com uma vida “supostamente” normal.
O filme apresenta-nos Lincoln como um homem que, certo dia, acorda e se vê aprisionado a uma vida comandada por outros homens, no pressuposto de ser um dos poucos sobreviventes a um vírus que contaminou todo o planeta, excepto a ilha. Esta situação apresenta logo uma contradição aos costumes do homem. A liberdade e a autonomia não são possíveis às pessoas que vivem neste complexo, visto que, estão constantemente condicionadas na forma de vestir e calçar, no que devem comer e mesmo no que devem ou não sentir a nível emocional, psicológico e físico (tudo isso por serem considerados objectos e não seres racionais).
Jordan, um dos clones do complexo, é sorteada com a viagem esperada por todos. Chegara a sua hora de partir para a ilha. Mas Lincoln, que amava Jordan, sabia que ela não iria para a ilha, mas que seria morta, como acontecera com outras pessoas antes dela. Numa tentativa de a salvar, Lincoln e Jordan fogem do complexo. Depois da fuga são perseguidos numa tentativa de morte, mas Lincoln e Jordan são mais fortes do que as dezenas de polícias que os perseguem e resistem a todas as tentativas de detenção. Lincoln conseguiu mesmo que o seu “proprietário”, aquele que servira de “molde”para o seu aparecimento fosse morto por um dos polícias que estava em dúvida em saber qual era o “original” e qual era a “cópia”.
Na situação presente no filme, os dispositivos electrónicos passam a comandar a vida de todos estes clones indicando-lhes mesmo o modo como devem interagir uns com os outros. Neste complexo, todo o tipo de contacto físico é proibido, pois os clones são cópias de pessoas “lá fora” não podendo interagir entre si. E tudo isto, porque fora deste complexo há alguém que investiu uns milhares para ter o seu eu “de reserva” para ocasiões em que seja necessário um fígado, um olho ou mesmo um coração novo, mesmo que para isso, seja necessário destruir a vida de uma pessoa, que não era um robô, mas sim um ser humano racional.
A ambição desmedida de se tornar perfeito e imortal a qualquer situação pode levar o Homem a construir um clone. Esse clone resolveu um dos seus problemas e foi deitado fora como se de um objecto se tratasse. Mas esse clone não resolveu todos os problemas e surge a necessidade de construir um outro clone. Esse clone colmatou mais um problema, mas o homem sente necessidade de construir mais um, e ainda outro, perdendo a noção dos limites entre o que a ciência nos pode proporcionar e os problemas éticos e morais que pode causar com as suas atitudes.
Na actualidade, a situação vista no filme não acontece e ainda está muito distante a possibilidade de a clonagem reprodutiva, produzindo um ser humano completo, ser realizável. Este mostra-nos um ponto drástico que poderemos vir a presenciar com a clonagem, pois o Homem faz qualquer coisa para sobreviver, nem que para isso seja necessário destruir outras vidas, para o seu bem.
Mélanie Lopes, 11ºB

sábado, 24 de abril de 2010

A ILHA


“ A ILHA”
O filme desenrola-se em torno de uma sociedade supostamente sobrevivente a uma contaminação fatal para a maior parte dos habitantes do planeta. Esta sociedade está sujeita a constantes exames físicos e psicológicos e sofrem um controlo extremamente pormenorizado de todos os seus actos.
Todos os habitantes desta sociedade, apresentada como sobrevivente, vivem com o objectivo e com o sonho de ir para a Ilha. A Ilha é mostrada como um paraíso no exterior a qual não fora afectada pela contaminação. A selecção para a ida para a Ilha é feita com base em sorteios. Os sorteios são diários e quem ganha parte para a inesquecível viagem invejada por todos os demais.
No entanto a forte curiosidade do morador Lincoln Six-Echo leva-o a seguir inúmeras pistas que o levaram a descobrir uma terrível verdade: todos os habitantes não passavam de clones cujo único propósito é fornecer parte dos seus organismos para os seus humanos “originais”. Estes humanos são, na maioria dos casos, celebridades famosas com importante papel na sociedade e são vistos como pessoas de elevados valores éticos.
Lincoln acaba, assim, por descobrir que a desejada Ilha afinal não existia e que após os sorteios os premiados seriam mortos. Então, apresentando uma elevada capacidade psicológica (que supostamente não era típica de clones), Lincoln consegue escapar do complexo com a sua predilecta colega Jordan Two-Delta.
Chegados ao mundo exterior, tudo era novo para estes dois clones. Apesar de conseguirem encontrar o humano “original” de Lincoln e pedirem a sua ajuda para denunciar a grande atrocidade que estava a ser cometida com os clones, este acabou por os entregar. No entanto Lincoln num processo de elevada capacidade estratégica conseguiu salvar-se e escapar às autoridades contratadas para eliminar os dois clones evitando, assim, um escândalo de grandes proporções.
Lincoln continuou a mostrar uma grande capacidade racional e conseguiu salvar a maior parte dos clones criados.
A clonagem humana levanta sérios problemas éticos e será certamente um dos maiores problemas do século XXI.
Este filme mostra que os clones adquirem capacidades semelhantes às dos humanos, sendo assim, na minha opinião devem ser tomados como tal.
Os clones transformam-se em pessoas com sentimentos e com sonhos de um futuro. Ao eliminarmos um clone estamos a apagar um conjunto de crenças, desejos e experiências o que na minha opinião é eticamente inaceitável. Esta é a principal mensagem que o filme tenta transmitir.
Na minha perspectiva a clonagem é aceitável se envolver o bem-estar de algumas pessoas mas não prejudicar quaisquer ser vivo, caso contrário é eticamente inaceitável.
Penso que o filme está muito bem realizado e transmite muito bem o problema ético da clonagem no entanto não gostei do fim, uma vez que este é muito previsível e ficamos sem saber a reacção da população mundial á grande atrocidade feita com a existência destes clones.

Bruno Cancela, 11ºB

sexta-feira, 19 de março de 2010

O SOM DO CORAÇÃO



O som do coração

Uma envolvente noite em Nova Iorque marca o amor profundo e intenso vivido por um jovem guitarrista irlandês (Louis Connely) e por uma jovem violoncelista (Lyla Russel). Desta relação nasceu Evan Taylor, mais tarde apelidado de August Rush, com um dom apurado para a música.
A força das circunstâncias separou o filho dos pais e separou também os pais.
O filho tornado órfão cresce com características peculiares que denunciam o seu talento.
A consciência da existência dos progenitores é notável pela rejeição à adopção. Saído do orfanato, em busca de um destino com identidade, associa-se a um desconhecido que faz uso da sua capacidade artística para obter lucro. Contudo, unidos fatalmente pelo sentimento e pela música a vida desta família é virada para o som que lhes vem do coração.
A música em primeiro lugar na classificação das suas prioridades viria a ser responsável pelos seus percursos inseparáveis. A história, com um desfecho colorido, desperta-nos para o verdadeiro sabor da vida, quando os sentimentos reprimem os embaraços mais complicados. Tem ainda a vantagem de nos fazer interessar por momentos simples vividos através dos sentidos. Não é indiferente o sorriso esboçado por August Rush ao ouvir os sons da rua, ao sentir a energia humana.
O filme com esta criança genuína, no papel principal, é um precioso complemento que nos ensina que o sucesso pessoal e profissional é proveniente da paixão que expressamos. A ascensão acaba por acontecer quando sentimos com alma, por isso e por mais razões, não deixemos de escutar…

Marisa Borges, 12ºA

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Billy Elliot


Passado numa época difícil de revolução e conflitos laborais nas minas de carvão, o filme mostra-nos a importância das relações precoces que estabelecemos com os outros.
Billy Elliot é uma criança carismática, que cresce em Durham, uma pequena cidade de Inglaterra, no seio de uma de muitas famílias mineiras, que lutam contra todas as condições injustas de trabalho. Possui uma aptidão especial para a música e para a dança.
Obrigado pelo pai, inicia-se no boxe e rapidamente percebe que aquilo nada tem a ver com ele. Prova disso é que opta por aliar-se à turma de Ballet de Mrs.Wilkson que ensaia no mesmo ginásio, sendo atraído pela leveza e pela graciosidade dos movimentos das pequenas bailarinas.
Sem a presença da mãe desde muito novo, pois já tinha falecido, o seu crescimento é a partir daí condicionado pelo ambiente que cria com as pessoas que o acompanham. Começa a sua paixão pela dança e um conflito com a família tradicional, que não aceita este mundo por preconceito.
O seu talento nato para dançar assenta na ideia de que o homem se afirma pela sua força e determinação, enfrentando assim a contrariedade do seu irmão e do seu pai e as suas mentalidades opressoras.
Esta é uma luta que entra nos conflitos das suas vidas e que se expande até o pai de Billy, no dia de Natal, apanhar o filho talentoso a ensinar alguns passos ao seu amigo Michael. A criança dança para o pai num total envolvimento, ao mesmo tempo que recalca frustrações interiores. O pai muda radicalmente a sua atitude e é assim que ambos e o irmão lutam para construir o futuro do protagonista e são feitos todos os possíveis para a audição em Londres na Royal School Ballet.
O final é previsível e feliz, com a ascensão de Billy ao topo da carreira e com a resolução da luta dos mineiros, sendo que, nos incentiva a produzir os nossos sonhos e a acreditar que podem ser concretizáveis embora haja contrariedades.
A história é toda ela tocante e sensível, provocando ao mesmo tempo, sentimentos de repúdio pelo tabu que ainda hoje se propaga sobre a orientação sexual dos bailarinos e da intolerância resistente que dificulta viver a vida como ela elucida que seja, sendo nós próprios.
O filme permite diversas abordagens sobre temas da disciplina de Psicologia, designadamente: as impressões, a identidade pessoal, a motivação, o conflito, a frustração, o recalcamento, o preconceito. Seria interessante saber em que se fundamenta o preconceito relativamente à actividade de bailarino ser encarada como menos própria do sexo masculino.

Marisa Ferreira, 12ºA



domingo, 22 de novembro de 2009

MAR ADENTRO


Mar adentro é um filme espanhol que relata a história de um homem lúcido e extremamente inteligente que luta pela morte como um direito. Rámon Sampredro, natural da Galiza, sofreu quando jovem, um acidente que o deixou tetraplégico.
Este filme possibilita-me exercitar uma reflexão profunda sobre o sentido da vida. A concepção da morte como a razão de toda uma vida, é difícil de interpretar e faz-me repensar os valores morais que adoptamos na nossa sociedade. Afinal, quem tem direito à vida? Que sentido faz criarmos ambições, se existe como superlativo uma morte desejada?
Rámon no seu perfeito estado mental, vive com humor e soberania os dias que atentam contra a sua própria vida. Sem se mover, faz girar a realidade à sua volta.
A paixão que nasce pela advogada que o ajuda no seu caso, ao contrário do que seria comum, não o consegue dissuadir das suas intenções. Daí não me identificar e não entender este problema de desalento que o faz desistir de toda uma vida que aparentemente deixa de ter sentido por uma limitação física. Dado à criação e inovação, uma pessoa extremamente activa de pensamento, Rámon seduz os que o rodeiam, desvaloriza a própria vida e ajuda os outros a encontrar um rumo para as suas. Está isto certo?
Talvez não seja inaceitável perceber que uma pessoa que está a sofrer ambicione mais do que tudo por fim à vida. Mas nem assim acho que o ambicione por querer morrer, talvez esteja influenciada pelo estado de dependência em que se encontra, talvez não queira dar trabalho ou talvez seja cobardia para lutar por uma vida que lhe surgiu com mais obstáculos. Na verdade, acho até injusto quando uma pessoa desiste, quando deixa para trás o carinho dos que fizeram parte da sua construção.
Viver é isso mesmo, ter força para alcançar um certo patamar e depois outro que mais ou menos oculto terá certamente as suas razões para brilhar, as coisas boas e menos boas.
Ter liberdade para morrer poderá ser coerente? Acho que é mais coerente ter liberdade para enfrentar o que se opõe, vivendo, amando, fazendo diferente…
Marisa Ferreira - 12ºA, nº 16


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

“O ADVOGADO DO DIABO”, REFLEXÃO SOBRE O PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO


Kevin Lomax (Keanu Reeves), é um jovem e brilhante advogado que nunca perdeu um caso, mesmo que não acredite na inocência das pessoas que defende. O sucesso é notado e recebe uma tentadora proposta para deixar a província (Gaisville), instalando-se em Nova Iorque numa poderosa firma de advogados dirigida pelo misterioso John Milton (Al Pacino), Mary Ann (Charlize Theron), a mulher de Kevin, é a primeira a insistir que algo está errado, tem estranhas visões demoníacas e gradualmente entra num estado de depressão, mas Kevin não se preocupa muito com isso, apenas pretende vencer caso após caso.
Este filme que fala sobre Direito e Lei funde-se perfeitamente numa esfera de escolhas e decisões, que é o livre-arbítrio tão retratado em diversas situações ao longo do filme.
Como já sabemos, o livre-arbítrio é a capacidade para arbitrar em liberdade. Somos livres quando o que fazemos resulta apenas das nossas deliberações, quando escolhemos que acção está mais de acordo com os nossos desejos, crenças e valores e quando sentimos que podíamos ter agido de modo diferente sendo as causas anteriores iguais. Sabemos também que ao agir livremente, somos moralmente responsáveis por tudo o que fazemos. Deste modo louvamos as pessoas solidárias, que se esforçam para o bem comum e que dão provas de valentia em situações adversas, e censuramos aquelas pessoas, que não respeitam os direitos dos outros, que são cruéis, e que causa sofrimento para satisfazerem os seus desejos e egoísmo. Sendo assim, a liberdade humana está ligada à consciência e por isso inserida em toda a acção intencional e consciente.
John Milton, de temperamento carismático e poderoso, é o homem que abre as portas de um mundo totalmente diferente para o jovem Kevin, um mundo de riqueza, de poder, de luxo, de fama, um mundo de infinitas possibilidades. A sua vida bem como as suas acções são totalmente controladas por John Milton (Diabo), o que coloca em risco a esposa, a felicidade e até a própria alma de Kevin, pois tendo aceitado um emprego, que parecia um paraíso, pode conduzi-lo para o inferno… Mas será que Kevin deixa-se ir pelo diabo?
Na última parte do filme, predomina a luta entre o bem e o mal assim como o livre-arbítrio. Kevin perde a sua mulher e descobre toda a verdade sobre o John Milton, de que ele é seu pai e ao mesmo tempo um demónio. Numa engenhosa conversa, John convence Kevin que ele próprio foi o responsável pela morte da sua esposa, pois sendo seu chefe teria-lhe oferecido várias oportunidades para deixar os casos e cuidar mais da sua mulher doente, porém a sua vaidade e ambição tinham, sido fortes. Outra das acusações que Kevin faz a John Milton, é que ele tinha manipulado os seus sentimentos, mas o diabo responde-lhe que a preocupação consigo próprio tinha sido o foco principal, esquecendo assim de Mary Ann. Kevin Lomax, consciente desta realidade arrepende-se, no entanto, Jonh não pretende o seu arrependimento, mas sim que ele tenha um filho com a sua meia-irmã, Christabella (Connie Nielson), a atraente senhora da empresa de advocacia. No entanto a decisão de Kevin tem de ser de espontânea e de livre vontade. Christabella tenta seduzi-lo com a sua beleza, mas ele recusa, não aceita pois sabe que o pai deseja pôr no mundo o Anti-Cristo. De seguida, olha para o seu pai e mata-se livremente, escolhendo o único caminho após tantos erros. A sua escolha resultou unicamente das suas ponderações. Por conseguinte, podemos dizer que ele foi livre. Entretanto, John mata a sua filha e por sua vez, grita e arde em chamas, transformando-se um anjo.
A cena volta ao início do filme, com Kevin na casa de banho do tribunal da pequena cidade da Florida onde o caso que mudaria a sua vida estava acontecendo. Numa fracção de segundo ele tem a oportunidade de olhar-se no espelho e vislumbrar o destino deste planeta dominado pelo egoísmo, pela vaidade e peça ambição desmedida e num estado de consciência e o alívio de ver Mary Ann, viva como antes, o estimula a tomar a decisão correcta de desistir do caso, uma vez que ele compreendeu que estava a defender o verdadeiro culpado e sai deste modo feliz do tribunal com a sua esposa, escolhendo o caminho do bem. Kevin percebe que durante todo o tempo estava a ser influenciado pelo seu pai, mas quando retrocede no tempo, pretende alterar o seu caminho e a sua vida, optando pelo bem. Quem, senão Deus pode dar uma segunda oportunidade àquele que errou e que manifesta ter optado por um caminho diferente?
Ainda quanto ao problema do livre-arbítrio, ele é considerado por muitos filósofos, um problema em aberto, pois não conseguem persuadir a maioria dos filósofos e consideram que não há qualquer resposta minimamente plausível.
Contudo não podemos viver sem o livre-arbítrio porque a experiência da liberdade é constitutiva da experiência de agir. Agir é pressupor o livre-arbítrio o que nos dá a completa autonomia para decidir a cada momento o que pretendemos realizar ao longo da nossa vida, qualquer decisão tomada por nós é da nossa inteira responsabilidade. Devemos interpretar correctamente o que nos é sugerido pois se dependêssemos somente do diabo e da sua egoísta e sombria visão perante o mundo estaríamos todos no inferno, no mundo do mal!

Viktorya Lizanets 10º C

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Comentário do filme “I am Sam”


O que é ser deficiente?! O facto de uma pessoa possuir qualquer tipo de atraso mental, não significa que seja menos apta para trabalhar, casar, ter filhos, uma casa, conduzir... São pessoas normais que têm as suas limitações como todos nós temos. Se considerarmos que são deficientes por não conseguirem ter noção do perigo, do bem, do mal, das necessidades de outros, etc. então o nosso mundo está repleto deles. Os bêbedos, os drogados, os surdos, os cegos, os bebés, neste sentido, seriam todos “deficientes”. Talvez a única diferença seja a “doença” destes estar no cérebro. Pois bem, e depois?! São pessoas que têm direito è vida e a tudo de bom e mau que ela nos dá.
O Sam sofre de um atraso mental. Possui corpo de homem e cabeça de criança. Tem a mentalidade de uma criança de sete anos. Tem uma casa, um emprego, amigos e uma filha que acaba de fazer sete anos. Querem tirá-la porque dizem que ele não tem condições para a criar. Mas quais são as condições especiais, além de amor e afecto que mais se precisa?! Eu acho bom ser-se criança. Estas pelo menos dizem a verdade, choram quando o têm de fazer e principalmente são justas.
A vinculação é tudo isto. Cada pai/mãe dá aquilo de que é feito ao seu bebé. O Sam é feito de alegria, brincadeira, amor e preocupação. Talvez seja a perfeição. Mas o mais importante é a mensagem que o Sam irá transmitir à sua filha de nunca desistir das coisas, por muito impossível que pareça há sempre uma saída. O problema da questão é que a sua filha está a regredir na escola porque não quer que o seu pai saiba menos que ela. O pai é um ideal para qualquer filho e como tal, eles tendem a igualar-se. Aqui está o verdadeiro problema. O Sam seria capaz de demonstrar à sua filha que ela é a coisa mais importante e que ficaria orgulhoso em saber que ela é inteligente. Só que o Sam tem a mentalidade de sete anos. Como iria fazer entender-se?! Mas por mais difícil que seja expressarmo-nos alguém adivinha os nossos pensamentos, relação pai e filha.
Tirar um filho a um pai deve ser do pior que há no mundo. Para mim o melhor pai é aquele que percebe a necessidade do filho e sabe responder de forma firme e afectiva à sua necessidade. E acho que nisto o Sam tem todo o mérito.
Para mim não há nada melhor que um filho sentir-se desejado. Isto é raro ver hoje em dia, quando os pais “despejam” os filhos na escola o dia todo. Sendo à noite o único tempo que têm para estar com eles, que muitas vezes é compensado por uma ama. Pelo que vi no filme, o Sam nunca faltou à sua filha. Os médicos aconselham os pais a terem mais do que um filho, para fazerem companhia um ao outro. E o Sam é como um pai/irmão para a sua filha.
A conclusão que tirei é que a sociedade talvez esteja enganada. Porque quem é “deficiente” somos nós, os ditos “normais”. Somos nós que fazemos os filhos para sustentar um casamento, somos nós que os entregamos a não sei quem, somos nós que os enterramos num colégio a tirar um curso que não quer, somos nós que não falamos com eles. Os ditos “deficientes”, esses sim são pessoas “normais”, porque vivem numa sociedade que não é a deles, integram-se e depois ainda têm de se sujeitar a regras que não são para eles. Talvez sejam deficientes porque agem com o coração e não com a cabeça. E o mais importante de tudo, eles valorizam a entre-ajuda. Eis o seu sucesso!

Sara Fernandes 12º B

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

COMENTÁRIO DO FILME “OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS”


Uma avioneta sobrevoando o habitat de uma tribo, de onde um dos seus tripulantes lança uma vulgar garrafa de Coca-Cola… é assim que o filme inicia.
De início a garrafa faz as delícias aos elementos da tribo. Passado algum tempo, esta simples e inofensiva garrafa começa a ser disputada, começa a trazer problemas, de tal forma que o chefe da tribo decide entregá-la aos deuses.
Durante a viagem do chefe este enfrenta encontros com novas e inesperadas situações, que este procura entender à sua maneira.
Rimo-nos muito desta personagem, tão radicalmente diferente de nós a vários níveis: no seu aspecto físico, na linguagem que utiliza, no modo como vê o mundo que o rodeia, nas suas convicções, atitudes e comportamentos. Esquecemo-nos assim, por alguns momentos, de que nós próprios temos, também, dificuldades em compreender realmente os outros, ou seja, aqueles que não partilham a nossa maneira de estar, que não têm a mesma visão do mundo, nem semelhantes expectativas e aspirações. Afinal, também nós olhamos o mundo tomando como ponto de referência a nossa própria cultura; atribuímos os mesmos significados aos fenómenos significativos que nos são familiares; formulamos, a respeito dos outros, intenções e objectivos; projectamos fantasias que só fazem parte da nossa imaginação. Talvez pensemos: “que ridículo, que falta de lógica”. Não nos apercebemos, se calhar, que nos estamos a rir de nós próprios, da imperfeição dos nossos raciocínios, das nossas opiniões pouco fundamentadas, das nossas prioridades, quantas vezes invertidas, sem nos preocuparmos, por um momento que seja, em questionar a sua validade e pertinência.
Mas, afinal, isto conduz-nos também a uma outra questão que tem a ver com a forma como encaramos as situações novas e os inevitáveis efeitos que estas provocam em nós e nos outros. A garrafa de Coca-Cola é a este título sugestiva, pois representa um elemento novo, introduzido artificialmente na vida de um grupo, que vai implicar alterações na vida social e suscitar as mais diversas reacções.
Porém, se reflectirmos um pouco, não é isto que fazemos, muitos de nós, na nossa cultura quando somos confrontados com situações de mudança e procuramos a todo o custo ignorá-las, permanecendo tal como somos, numa tentativa desesperada de evitar esses imperativos de mudança? Não temos, também nós, dificuldades em lidar com essas mudanças, cada vez mais frequentes e imprevistas, que a cada passo se sucedem na sociedade? Não manifestaremos semelhantes atitudes de rejeição face a elementos que, de alguma forma, podem abalar as nossas crenças, as nossas certezas e alterar o rumo das nossas vidas?
Assim, a fruição deste momento lúdico, poderia tornar-se numa ocasião de superação pessoal e de consciencialização da unidade que construímos enquanto seres da mesma espécie apesar das diferenças. Esta atitude daria com certeza um colorido muito especial à nossa existência e ajudar-nos-ia a enfrentar os inquietantes desafios do futuro.

Ricardo Ferreira 12º A

sábado, 8 de novembro de 2008

SOBRE O FILME “GODSEND”


O “Enviado” (Godsend) é um filme deveras interessante que relaciona a ciência com o terror e o supense.
O filme desenvolve-se em volta de um casal que tinha um filho de 8 anos, Adam, que morre um dia depois do seu aniversário. No dia do funeral do seu filho, um ex-professor da mãe de Adam, Richard Wells, cientista, propõe a possibilidade de trazer Adam de volta, através da clonagem.
No início os pais de Adam não aceitam, porém momentos mais tarde voltam com a palavra atrás e decidem arriscar. Tudo decorre naturalmente até o menino completar os 8 anos e começar a viver uma vida que não lhe pertence. A partir daí o comportamento de Adam começa a mudar, trazendo dúvidas, medos e receios aos progenitores, que realmente têm razão para os terem, pois Adam parece alucinado.
Este filme fala-nos pois da clonagem. Sabemos que esta é ilegal mas mesmo assim Richard arrisca-se a experimentar. Podemos fazer uma reflexão acerca das vantagens e desvantagens da clonagem. Será que as vantagens superam as desvantagens? Depois de ter visto este filme penso que ainda reforcei a minha posição contrária á clonagem, pois as suas desvantagens são bastante assustadoras.
O que no início é um conto de fadas, pois recuperamos alguém de quem gostamos muito, pode vir a tornar-se num pesadelo, pois não sabemos realmente com quem estamos a lidar. Aqui reforça-se a ideia que cada um é como é e essencialmente é insubstituível, pois por mais que tentemos copiar uma pessoa, ela nunca será igual à sua matriz.
No decorrer do filme apercebi-me de um erro que ocorreu no diagnóstico do problema das perturbações de Adam. Diziam que a memória do primeiro “Adam” teria ficado guardada nas células retiradas deste. Isso é bem assim, pois a memória não são apenas impulsos nervosos mas igualmente actividade mental.
O filme focou igualmente algo que é deveras importante: a ética profissional e a necessidade de discutir melhor o problema da clonagem, tanto técnica como moralmente.
Não conhecia o filme, mas fiquei a gostar imenso, serviu-me para ficar com uma ideia mais completa e concreta do que é verdadeiramente a clonagem e quais os seus riscos.
Ana Raquel Cruzeiro 12º B

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

“MAR ADENTRO” E O PROBLEMA DA EUTANÁSIA


Rámon é um tetraplégico que está preso a uma cama há 29 anos. A sua única janela para o mundo, é a janela do seu quarto, que o leva para o mar, mar onde Rámon ficou tetraplégico. O mar inunda mas a seguir engole, ele aproxima mas logo recua. Rámon mergulhou no mar quando este recuava e o resultado foi trágico: o pescoço partido; cabeça de um homem subitamente sem corpo. Apenas uma cabeça sonhadora, com sonhos de morrer. Rámon tornou-se um símbolo da luta pela morte.
Farto de estar há 29 anos preso numa cama, queria morrer, queria que o ajudassem a morrer. Há muito que Rámon luta pelo direito de pôr termo à sua vida, luta pelo direito à eutanásia.
Um tema tão polémico como a eutanásia não poderia ter sido tratado de uma forma tão simples, eficaz e bela como neste filme.
Na verdade ainda não tenho opinião definida sobre a eutanásia, que como o próprio nome indica é uma boa morte (“eu” e “thanatos”), em que uma pessoa acaba com a vida de outra para benefício desta. Este entendimento da palavra realça duas importantes características dos actos de eutanásia.
Primeira, que a eutanásia implica tirar deliberadamente a vida a uma pessoa.
Segunda, a vida tirada para benefício da pessoa a quem essa vida pertence é normalmente feita porque ela sofre de uma doença terminal ou incurável. Isto distingue a eutanásia da maior parte das formas de tirar a vida.
Além disso, quando o argumento acerca do significado moral da distinção entre matar e deixar morrer é apresentado no contexto do debate da eutanásia, tem de se considerar um facto adicional. Matar alguém ou deixar deliberadamente alguém morrer, é geralmente uma coisa má porque priva essa pessoa da sua vida. Mas quando se trata da questão da eutanásia é diferente. No caso da eutanásia a morte de uma vida é do interesse da pessoa. Isto significa que um agente que mata, ou um, agente que deixa morrer, não está a fazer mal, mas sim está a beneficiar a pessoa a quem a vida pertence.
Então, se os indivíduos acreditarem que a eutanásia seja uma forma de pôr fim ao sofrimento, porque não a eutanásia, já que se trata de uma escolha consciente do indivíduo?
Aqueles que defendem a admissibilidade moral da eutanásia apresentam como principais razões a seu favor a misericórdia para com pacientes que sofrem de doenças para as quais não há esperança e que provocam grande sofrimento e, no caso da eutanásia voluntária, o respeito pela autonomia.
Filipa Almeida 12º A