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quinta-feira, 22 de julho de 2010

PEÇAS EM FUGA


"O passado sombra é moldado por tudo o que nunca aconteceu. Invisível, derrete o presente como a chuva no karst. (1) Uma biografia de saudade. Conduz-nos como um magnetismo, um torso do espírito. É assim que ficamos desfeitos por um cheiro, uma palavra, um lugar, a fotografia de um monte de sapatos. Pelo amor que fecha a boca antes de chamar um nome.
Não assisti aos acontecimentos mais importantes da minha vida. A minha história mais profunda tem de ser contada por um cego, um prisioneiro do som. Detrás de uma parede, debaixo da terra. Do canto de uma pequena casa numa pequena ilha, saliente como um osso na pele do mar."

(1)Karst: Área de terreno calcário caracterizada por charcos, ravinas e cursos de água subterrâneos

Extracto retirado do livro, Peças em Fuga de anne michaels. É um livro que me toca pelas reflexões profundas, poéticas, na evocação de imagens da infância. Trata-se da libertação dos traumas da guerra pelo percurso ao mais íntimo de si do poeta grego Jakob Beer que pouco antes de morrer, atropelado em Atenas, em 1993, tinha começado a escrever as suas memórias. "A experiência da guerra não termina com a guerra. O trabalho de um homem, tal como a sua vida, nunca está completo..."
Aconselho a leitura nestas férias....

Peças em Fuga, Anne Michaels, Editorial Presença

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PARIS


Nos intervalos da Filosofia... leituras de férias.

Aqui, o mar protege da sensação de asfixia, de se estar enterrado na cidade. Aqui, Paris surge como se fosse um lapso, um estado inadmissível da cidade. É aí, em Paris, que se encontra o mercado da morte, o da droga e do sexo. É aí que assassinam velhinhas. É aí que se deita fogo ao dormitório dos negros, seis em dois anos. É aí que há toda uma população automóvel que é malcriada a conduzir, grosseira, insultuosa, que assassina com o carro: os novos - ricos dos circuitos financeiros da heroína, os PDG da morte. Andam de Volvo e de BMW. Dantes, estas marcas eram a elegância dos sapatos, dos perfumes, da voz e de falar com amabilidade a toda a gente. Era, se quisermos, o snobismo da discrição. Agora já não apetece comprar estas marcas. Paris, a cidade, a Medina. Onde nos perdemos.

A Vida Material, Marguerite Duras, DIFEL

segunda-feira, 8 de março de 2010

ARTE E INSTINTO


Será possível que exista uma predisposição genética nos humanos para apreciar uma escultura polinésia ou um romance de Jane Austen, uma canção de Sinatra ou um quadro de Seurat? O encontro entre duas das disciplinas mais fascinantes e controversas, a arte e a ciência evolucionista, num livro ousado que irá transformar a nossa visão das artes e das letras. O gosto que os humanos possuem pelas artes é uma característica evolucionista, modelada pela selecção natural. Ao contrário do que tem vindo a ser proclamado pela teoria e pela crítica de arte do último século, não é uma «construção social», determinada pelo contexto cultural. O nosso amor pela beleza é inato e os mesmos gostos artísticos estão presentes na generalidade das culturas. Dutton defende que devemos fundamentar a crítica da arte no conhecimento da evolução humana, e não numa «teoria» abstracta.

Arte e Instinto, Dennis Dutton - Temas e Debates, 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

MORRESTE-ME


"É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz, fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténua, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és.
Pai. Eu, a minha mãe. A madrugada. Desinteressado do nosso cansaço, o sol levantou-se no céu. E parou. O sol parou. Entre mim e ela deixou de haver tempo. Parou o tempo. Nos meus olhos, a tua mulher sem ti, a tua viúva. Nos seus olhos, eu. E sobre nós, em nós, tu, a tua presença, a tua ausência. E separados por nada, os olhares maciços, um dentro do outro e esse dentro do primeiro; os dois olhares na unidade fixa de um único."

José Luís Peixoto, morreste-me - Temas e Debates, Maio de 2000

José Luís Peixoto
Nasceu em 1974, em Galveias, concelho de Ponte de Sôr (Portalegre). É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Publicou, durante vários anos, textos de poesia e prosa no suplemento DN Jovem. Foi, durante alguns anos, professor do ensino secundário, tendo dado aulas na Lousã, em Oliveira do Hospital e na Cidade da Praia, em Cabo Verde.
Vencedor do Prémio Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude nos anos de 1998 e 2000, tinha já publicado, antes de Nenhum Olhar, vários conjuntos de poemas, nos cadernos Átis, e a ficção breve Morreste-me, dada à estampa em Maio de 2000, numa edição de autor rapidamente esgotada.
Em Outubro de 2000 publicou, na Temas e Debates, o seu primeiro romance, Nenhum Olhar, que lhe valeu de imediato um largo reconhecimento da crítica, plenamente confirmado com o facto de ter vencido, no ano seguinte o Prémio José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, e foi considerado finalista para a atribuição de dois dos mais importantes prémios literários desse mesmo ano: o Grande Prémio de Romance e Novela da APE e o Prémio do Pen Club.
Foram estes dois livros que, já traduzidos em quatro línguas e em negociação para várias outras, lhe garantiram o lugar que hoje ocupa como um dos jovens romancistas de maior destaque na Europa.
O livro de poesia A Criança em Ruínas, lançado em 2001 e com edições sucessivas, constituiu um novo êxito de público e de crítica.
O lançamento de Uma Casa na Escuridão (romance) e de A Casa, a Escuridão (poemas), feito em simultâneo em Outubro de 2002, é outro marco importante no percurso do autor, pela originalidade de uma ficção e de um livro de poemas que remetem para um mesmo e fortíssimo universo ficcional.
Tendo representado Portugal em diversos eventos literários internacionais (Paris, Madrid, Frankfurt, Zagreb, entre outros), foi em 2002 o primeiro autor português convidado para a residência de escritores na Ledig House, em Nova Iorque.
É colaborador regular de vários jornais e revistas como o DNA (Diário de Notícias), e o Jornal de Letras.
Retirado da Internet -Wook

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS


Hannah Arendt nasceu em 1906 e viveu os tempos sombrios de duas guerrras mundiais. Foi aluna de Heidegger e de Jaspers e formou-se em Heidelberg.
Deixou a Alemanha após a chegada dos nazis ao poder, tendo-se fixado nos Estados Unidos, onde faleceu em 1975.
Entretanto era reconhecida como uma das figuras mais importantes do pensamento político contemporâneo.
Os textos aqui reunidos são biografias comentadas de homens e mulheres tão diferentes como Hermann Broch e João XXIII, Rosa Luxemburgo e Jaspers, Karen Blixen e Walter Benjamin. O resultado é uma reflexão apaixonada do comportamento dos "homens em tempos sombrios."

"Escrita ao longo de um lapso de tempo de doze anos, ao sabor da ocasião ou da oportunidade, esta colectânea de ensaios e artigos ocupa-se principalmente de pessoas - como viveram as suas vidas, como andaram pelo mundo e de que modo foram afectadas pelo tempo histórico. As pessoas aqui reunidas dificilmente poderiam ser mais diferentes umas das outras (...). Compartilham a época em que as suas vidas se situaram, o mundo da primeira metade do século XX, com as suas catástrofes políticas, as suas calamidades morais e o seu extraordinário desenvolvimento das artes e das ciências. E, se bem que esta época tenha matado alguns deles e determinado a vida e obras de outros, alguns houve que mal sentiram os seus efeitos e nenhum de quem se possa dizer que foi por ela condicionado."

Homens em Tempos Sombrios, Hannah Arendt -Relógio D´Água, 1991

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

NO PRINCÍPIO ESTAVA O MAR


"Descrições fabulosas da alegria do surf, da excitação de deslizar numa onda, da liberdade de viajar condicionado pelo peso de uma prancha às costas, entrelaçam-se com reflexões subtis mas profundas sobre empenho social, gastronomia, racismo, ecologia, paternidade, o próprio sentido da vida, entre muitas outras.
"No Princípio estava o Mar" é um convite a aproveitar o oceano, a desfrutar plenamente a Natureza, a dar corda livre aos sonhos de errância e aventura, a não deixar para amanhã o que se pode viver hoje."

"Várias vezes tive a sorte de me sentir leve e espiritual na minha vida. Nesse Verão dos 11 anos a subir árvores no parque, anos depois a caminhar com os escuteiros de madrugada nas montanhas, já na idade adulta no deserto da Namíbia à volta duma fogueira a olhar para as estrelas, ou simplesmente em casa a observar a chegada do outono, uma noite de luar a navegar, Mozart por acaso na rádio. Mas as experiências mais intensas, mais leves, mais espirituais que eu atravessei passaram-se dentro de água a fazer surf."

Gonçalo Cadilhe, No Princípio Estava o Mar - Prime Books, 3ª edição, Fevereiro 2008

domingo, 17 de janeiro de 2010

DEUS APESAR DE TUDO



" Escrevo estas páginas num mundo agitado por catástrofes naturais, que se interroga sobre o futuro do planeta e já não acredita no progresso.
Escrevo estas páginas numa Europa que assistiu ao confronto de todos os totalitarismos e viu calarem-se os profetas que anunciavam o mundo melhor.
Escrevo estas páginas quando há quem se mate em nome de Deus.
E no entanto... o futuro é também uma promessa. Porque o Homem tem um aliado nesta aventura: Deus, apesar de tudo. Para acreditar nele, não é preciso desfigurá-lo, afastá-lo dos homens, pensar que ele aprecia os sacrifícios e que o "pecado original" causou a desgraça do mundo.
A todos os que gritam e se revoltam, importa dizer que têm razões para gritar. E que Deus grita com eles contra o Mal, participa na mesma revolta. E que sofre porque não é todo-poderoso, nem quer sê-lo: se o fosse, não seríamos homens."

Jacques Duquesne, DEUS apesar de tudo, Edições Asa - Abril de 2008

domingo, 6 de dezembro de 2009

UMA VIDA



É domingo. Lá fora as gotas cristalinas da chuva convidam à leitura no aconchego da lareira e da manta polar. O som exterior da chuva que bate na varanda combina com o som de Bach que se espalha pela casa. Está criado o ambiente para horas de leitura. São seiscentas e noventa páginas. Gosto de livros grandes, grossos, com muitas palavras. Gosto de biografias. Gosto de Gabriel García Márquez e gostava que os meus alunos também gostassem. E por isto... e porque gosto de ler...

" No ínico de Agosto de 1966, García Márquez e Mercedes foram aos correios enviar o manuscrito terminado de Cem Anos de Solidão para Buenos Aires. Pareciam dois sobreviventes de uma catástrofe. O embrulho continha 490 páginas dactilografadas. O funcionário que estava ao balcão disse: «oitenta e dois pesos.» García Márquez observou Mercedes a procurar o dinheiro na carteira. Tinham apenas cinquenta pesos, e só puderam enviar cerca de metade do livro: García Márquez pediu ao homem que estava do outro lado do balcão para tirar folhas como se fossem fatias de toucinho fumado, até os cinquenta pesos serem suficientes. Voltaram para casa, empenharam o aquecedor, o secador de cabelo e o liquidificador, regressaram aos correios e enviaram a segunda parte. Ao saírem dos correios, Mercedes parou e voltou-se para o marido:« Hei, Gabo, agora só nos faltava que o livro não prestasse.»
Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão e de O Amor em Tempos de Cólera, entre muitos outros que escreveu, é um dos maiores e mais populares escritores dos últimos cinquenta anos. Vencedor do Prémio Nobel da Literatura (1982) e de uma imensidão de outros prémios, García Márquez converteu a sua vida e a sua Colômbia natal em ficções sublimes. A proeza admirável de Gerald Martin é revelar a realidade crua, fascinante e frequentemente divertida que está subjacente aos livros do escritor.
Ao mesmo tempo que conta a história do jovem mal vestido e escanzelado que ascendeu da obscuridade provincial à riqueza e fama internacional, Martin relata também as tensões da vida de García Márquez entre a celebridade e a qualidade literária, a política e a escrita, o poder, a solidão e o amor. Examina o contraste entre as origens caribenhas do escritor e o autoritarismo pesado da alta Bogotá, e o seu afastamento consciente, e contudo extraordinário, durante a década de 1980, do «realismo mágico» para a maior simplicidade de O Amor nos Tempos de Cólera.
Ao longo de quinze anos, Martin entrevistou mais de trezentas pessoas, incluindo Fidel Castro, Filipe González, quatro presidentes da Colômbia, os escritores Carlos Fuentes, Álvaro Mutis, Mário Vargas Llosa e Tomás Eloy Martínez, e, não menos importante, a família do escritor - a mulher e os filhos, a mãe, os irmãos e irmãs - e os amigos e colaboradores mais próximos."
Gabriel García Márquez, Uma Vida, Gerald Martin - D. Quixote, 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

POR AQUI E POR ALI


Para descontrair... no fim de semana

"Há muitos livros sobre exploradores destemidos que escalam montanhas, atravessam oceanos, enfrentem intempérides e sofrem experiências traumáticas.
Mas em Por Aqui e Por Ali existe outro tipo de heróis: pessoas comuns que se esfalfam para subir um monte, que ficam histéricas com os animais selvagens...isto para não falar do horror que têm aos insectos!
Bill Bryson decide com o seu amigo Stephen Katz fazer três mil kilómetros pela floresta durante vários meses, percorrendo a pé o mais longo trilho do mundo. Um esforço enorme para o autor que tem o hábito de estar sentado e um suplício para o amigo, ex-alcoólico, gordo e que adora fast-food.
Com o seu estilo irreverente e inconfundível, Bryson conta casos inacreditáveis de destruição ecológica e descreve os estragos causados pelo turismo, o qual critica impiedosamente - incluindo-se a si e ao seu companheiro neste rol de destruidores.
Um livro para quem ama a natureza selvagem, mas que ao mesmo tempo adora os prazeres da civilização."

" Não vou dizer que a experiência mudou as nossas vidas, mas a verdade é que aprendi a dar valor às florestas e ganhei mais respeito à natureza e à escala colossal da América. (...) O melhor de tudo é que, hoje em dia, quando vejo uma montanha, observo-a devagar e respeitosamente, com um olhar firme e conhecedor."

Por aqui e Por Ali, Bill Bryson - Quetzal Editores, Lisboa 2007

domingo, 15 de novembro de 2009

O PROBLEMA DO LIVRE- ARBÍTRIO



Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedras? Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras). A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afectada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada… mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes? Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém dúvidas: Heitor é um herói, um homem valente como deve ser. Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Por que nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual a diferença entre um e outro caso? Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque têm de o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas-soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela natureza para cumprir a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre, e por isso admiramos a sua coragem.

Ética para um Jovem, Fernando Savater, Editorial Presença, Lisboa,1993

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

VERTIGEM AMERICANA

Para descontrair....


"Para onde vai a América?

Em direcção ao destino imperialista que predizem os que a odeiam? Em direcção ao horizonte democrático que encarna aos olhos dos seus amigos? Ninguém fica indiferente perante este país colossal, ferido e contraditório, este país-conceito cujos símbolos, nobres ou infames, estão sempre presentes sob a batuta da imprensa internacional.

Numa tentativa de compreender a nova América, Bernard-Henri Lévy foi convidado pela revista Atlantic Monthly a refazer, 172 anos depois, os passos do seu conterrâneo Alexis de Tocqueville que, em 1831, sob o pretexto de estudar o sistema presidiário, analisou todos os aspectos da sociedade americana, viagem que deu origem à obra-prima Da Democracia na América.

Durante um ano, entre a campanha eleitoral que reelegeu George Bush, em 2004, e o Verão de 2005 quando o furacão Katrina assolou Nova Orleães, Bernard-Henri Lévy percorreu mais de 20.oookms de Norte a Sul do país visitando muitas prisões, entre as quais Guantámano, entrevistando ricos e famosos como Woody Allen, Warren Beatty, Sharon Stone, Noman Mailer, George Soros e seguindo os passos de personalidades que tanto vincaram a América como Hemingway, Jack Kerouac ou Martin Luther King.

Vertigem Americana é um livro flexivel e caloroso num registo perspicaz e divertido que medeia entre o jornalístico e o raciocínio filosófico. Um Tocqueville dos Tempos Modernos. Uma obra imprescindível."


Vertigem Americana, Bernard-Henri Lévy (Prefácio de Diogo Freitas do Amaral), Asa Editores