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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Katársis II nº 2

HUMOR


Existem ou não aparições?

Inicialmente eu pensava que tudo aquilo que fosse relacionado com espíritos era só mais uma forma de ganhar dinheiro ou de ludibriar algumas mentes menos atentas, mas após uma história verídica mudei de opinião. Passo a citar
Desde pequena que oiço a minha mãe contar que contactava com espíritos de pessoas já falecidas. Eu, pouco dada a acreditar em tais coisas, chegava a brincar com ela a respeito disso. Mas, uma vez ela contou que um dia estava com a minha tia, sua irmã, como todos os dias a ir para o seu emprego e, quando atravessavam a ponte de Pessegueiro viram uma luz branca, que à medida que elas se iam aproximando, ia aumentando cada vez mais, sucessivamente. Quando chegaram perto dessa luz o suficiente viram um homem enorme. A minha tia com medo ia a correr para passar depressa, mas pelo lado debaixo desse espírito e, como dizem que não se deve fazer. Foi então que a minha mãe a puxou, começou a tratá-lo mal e seguiram em frente. Após terem caminhado olharam para trás e viram que tal figura tinha desaparecido.
Eu como não havia acreditado nas outras histórias que ela tinha contado também não acreditei naquela, até ao dia em que a minha tia me contou a história da mesma forma. Confesso que fiquei chocada, bastante pensativa e a fazer milhões de perguntas a mim própria. Pensei para mim mesma: “Será que elas estão a mentir?”. Após uma longa reflexão achei que alguma coisa havia de ter um fundo de verdade e passei a dar algum crédito às aparições.
Concordo que as pessoas tenham dificuldade em acreditar naquilo que não vêem, embora acreditar seja exactamente isso. Todavia, sei que só algumas pessoas têm experiências invulgares e que quando as contam passam por mentirosos e visionários para a maioria. Deixo no ar apenas algumas questões: será tudo fruto de uma imaginação ou até alucinação? Qual a real necessidade de as pessoas mentirem a respeito desses temas? Ficam as perguntas e cada qual responde e argumenta de acordo com as suas crenças e experiência de vida.

Raquel – 10º B

Ler um livro

O professor de Filosofia, aconselhou no início do ano a lermos três livros para esse ano lectivo, e eu, fui pelo nome que mais me chamou a atenção: “O Mundo de Sofia”.
Antes perguntava-me o que era a Filosofia, até o professor me explicar, mas isso não foi o suficiente até que comecei a ler o livro.
O livro foi feito para explicar a Filosofia de uma maneira que capte a atenção do leitor, com uma história de uma menina que tem como correspondente um senhor de idade, que lhe envia cartas a explicar o valor da filosofia.
Desta forma, não só torna a história misteriosa na descoberta deste enigma (quem é quem? e o quê?) mas também nas coisas estranhas que sucedem a Sofia.
Este livro resolveu, ensinou e tirou dúvidas a muitos problemas e questões que eu tinha, tenho e tive ao longo da passagem da minha infância para adolescência.
Segui o conselho do professor e fiquei certamente mais culta e mais sabedora em relação aos temas tratados no livro e nas aulas de Filosofia.
Aconselho outros alunos a lerem o livro pois terão menos dúvidas no aspecto da Filosofia. Apesar de tudo, convém dizer que muitas dúvidas foram dissipadas, outras permaneceram e muitas outras surgiram em relação à Filosofia.

Adriana 10º B

Defendam a Natureza

Colegas, a Natureza precisa de nós e o seu futuro está nas nossas mãos. Hoje a poluição e o comportamento anti -ambientalista de população está a comprometer o nosso futuro, e não pensem, que as únicas consequências destes problemas são apenas o aquecimento global. È bem mais grave que isso.
Se continuarmos a manter algumas atitudes, teremos vários problemas, como a falta de água potável, que pode levar a guerras pelo controlo de zonas com este recurso, problemas de saúde relacionados e fome; destruição de espécies de animais e vegetais; diminuição da esperança média de vida; sofrimento, entre muitos outros.
Em suma, os eternos problemas temidos pela Humanidade: guerra, fome e doença.
Nós somos da Natureza: pertencemos a ela, por isso, quando a destruímos estamos a atacar-nos a nós próprios.
O futuro da espécie humana está nas nossas mãos e nas gerações vindouras. Vamos começar a actuar: não podemos facilitar e entrar na onda do “deixa andar”.
Para começar, devemos falar das atitudes em casa: poupar energia através do bom isolamento térmico; substituição de lâmpadas convencionais por lâmpadas económicas; lavar a loiça e roupa apenas com as máquinas cheias; adquirir sistemas de rega de jardim eficientes e económicos: micro irrigação; utilização de energias renováveis para o aquecimento de água, produção de electricidade, climatização; aproveitamento da água da chuva: para rega.
Claro que não podemos tomar estas medidas de uma só vez, visto que algumas medidas requerem avultados investimentos e respostas eficientes dos vendedores, mas com a progressiva evolução da técnica e da tecnologia, dentro de alguns anos já deveria ser
obrigatório tomar algumas medidas como estas.

José Rafael Pereira
9º Ano – Turma C

Carta a Luís de Camões



Cambra, 24 de Janeiro de 2008

Caro amigo Luís Vaz de Camões:
Saúdo-te, ó grande génio, pela maravilhosa obra que nos deixaste. Como tens estado nessas Terras do Além-Túmulo?
Cá, neste mundo, o povo português ainda sente orgulho dos tempos áureos que descreves nos “Lusíadas”. Agora, como podes ver, não temos muita fama nem importância para as outras nações, que orgulhosas da sua História, ainda que vergonhosa, se tentam superiorizar a qualquer outra.
Mas podes crer que não será por isso que este povo heróico, a quem até os deuses obedecem, vai desanimar e parar de lutar por um futuro melhor.
Hoje já não temos reis como no tempo em que viveste, mas temos um regime democrático, que também conheces, pois era o regime político de Grécia Antiga.
Quanto a mim, um simples e humilde estudante, vou iniciar o estudo da obra que te imortalizou: “Os Lusíadas” – nas minhas aulas de Língua Portuguesa.
Assim, vou estudar e aprender tudo o que me for possível para que um dia possa também eu glorificar a nossa amada pátria.
Espero uma resposta tua.
Despeço-me com um abraço.

Um abraço, do teu sempre amigo:

José Rafael Pereira
9º Ano – Turma C

Poesia

Poluição

A poluição em si
Muito tem para declarar
Agora que entendi
Em partes a vou relatar

Começo pela do solo
Que com as chuvas ácidas tem a ver
O ácido sulfúrico
A vegetação vai desfazer

Depois vem a da água
E a maré negra a chegar
Assim a vida marinha
Em breve vai acabar
A poluição do ar
Também nos torna doentes
Lutar com unhas e dentes
Para esta situação mudar

Há também a do ruído
Que é a poluição sonora
Espero que a surdez
Tenha uma longa demora

Amais estranha de todas
É a poluição visual
Ver lixeiras aos montes
Passa a ser habitual.

Carlos Pereira – 10º A

OPINIÃO

SOLIDARIEDADE À DISTÂNCIA

Intriga-me esta solidariedade à distância tão típica do nosso tempo, quando o materialismo e o egoísmo parecem ser as notas dominantes. É tão cómodo pagar e não ter que me aborrecer com o que não gosto. Eis, que em qualquer lugar surge a feliz oportunidade de ser solidário e a sensação instantânea do dever cumprido. É a Corrida da Mulher, a Corrida do Homem, o brinquedo que te impingem à porta dos Hipermercados para uma qualquer causa/instituição, o saco para o Banco Alimentar Contra a Fome, o peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a venda da revista Cais, a Legião da Boa Vontade, a Abraço; para não falar da publicidade televisiva, principalmente na época natalícia, às inúmeras causas, a Missão Sorriso, a Causa Maior, a Casa do Gil, as Ceias de Natal, os concertos de Natal, etc.
Questiono-me sobre esta incrível abundância de generosidade tão fervilhante na sociedade actual, quando se ignora o colega de trabalho que precisa de uma qualquer ajuda, se desconhece o vizinho que mora há trinta anos a teu lado, se depositam os pais em lares de terceira idade, se ignora um parceiro de viagem que se sentiu mal num comboio apinhado de gente, se vira a cara ao sem abrigo que está na rua à tua frente…
A quantidade de lixo que estas actividades produzem impressiona quem se preocupa minimamente com o ambiente, assim como todo o aparato de propaganda comercial que as envolve.
Mas o problema central desta solidariedade contemporânea, é saber para onde vão estes donativos. Pergunto-me se chegarão ao fim pretendido ou se engrossam salários chorudos e armários de quem se aproveita da generosidade alheia mas não dá a sua. Os meios justificarão os fins? Uma solidariedade longínqua, sem rosto, compensará o alheamento e a indiferença quotidiana?
Neste contexto parece enquadrar-se, como uma luva, o slogan da AMI – “Dê, vai ver que não dói nada.” Não, não dói, mas será que nos humaniza? É sem dúvida muito cómodo.
Se é verdade que os filósofos nunca se acomodaram ao mundo, eu já me acomodei, mas note-se, não sou filósofa, simplesmente, às vezes, ainda me indigno.

Prof. Isabel Soares

Anedotas filosóficas

Um professor de Filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro: "Provem-me que esta cadeira não existe."Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto. No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras na folha e entrega-a ao professor.Este, quando a recebe não pode deixar de sorrir depois de ler: "Qual cadeira?"

Pesquisa na Internet – David - nº 11 - 10ºB

Comentário ao Filme “Nell”



Aquilo que somos depende daquilo que vemos, do que sentimos…
Se não tivermos uma base, ou seja, uma imagem em que nos possamos basear, a criação da nossa personalidade, a formação da nossa linguagem não será totalmente conseguida.
Nós somos aquilo que vemos, a minha perspectiva do “bem” é aquela que eu criei pelo que vejo do mundo, dos valores da sociedade e os valores da minha educação que os meus pais me deram.
No filme, Nell (que é a sobrevivente de duas gémeas que viviam com a mãe, uma eremita que faleceu) apenas teve o exemplo da mãe e da irmã, na criação da sua personalidade, da linguagem, da visão do mundo exterior. a sua visão do bem e do mal, despende da imagem/educação que a mãe lhe deu, para a sua mãe que tinha sido violada e ficado grávida das gémeas, os homens eram uma coisa má, eram maus e por isso decidiu viver isolada do mundo. Nell falava uma linguagem própria que falava com a mãe e com a irmã, mas que para as pessoas que viviam no mundo civilizado (cidades, vilas e aldeias) era completamente estranha.
Aquilo que eu sou hoje depende daquilo que os meus pais me ensinaram, depende da educação que recebi e que continuo a receber, (existem sempre excepções, mas a excepção faz a regra) por exemplo os meus pais ensinaram-me que falar com a boca cheia é frio, então eu não falo de boca cheio. A sociedade também nos impôs valores por exemplo: todas as pessoas menores de 16 anos devem andar na escola, então eu ando na escola. Como Nell não teve estas vivências a sua “ pessoas” é muito diferente da “ pessoa” que teria sido se vivesse na cidade mas, isso não quer dizer que isso a faça mais infeliz, pois ela sempre viveu ali, logo o meio em que se sente bem é aquele. A meu ver, continuar a viver na floresta foi o melhor para Nell, pois é esse o seu meio natural e de origem.

Mariana
N.º16 10.ºB

VIDAS FILOSÓFICAS



Thomas Nagel (n. 1937)
Filósofo político e moral americano.
Thomas Nagel nasceu a 4 de Julho de 1936 em Belgrado, ex-Jugoslávia (actual Sérvia), no seio de uma família era judaica e estudou em Cornell, Oxford e Harvard. Ensinou em Princeton de 1966 a 1980, e depois disso na Universidade de Nova Iorque. As sHis main areas of philosophical interest are philosophy of mind , political philosophy , and ethics .uas principais áreas de interesse são a filosofia da mente, a filosofia política e a ética. A sua obra centra-se na natureza da motivação moral e na possibilidade de uma teoria racional da adesão moral e política, tendo estimulado significativamente o interesse nas abordagens realistas e kantianas a estes assuntos.
Um dos ensaios mais discutidos na moderna filosofia da mente tem sido o seu "What is it Like to Be a Bat?", onde argumenta que na experiência há um aspecto subjectivo irredutível que não pode ser apreendido pelos métodos objectivos das ciências naturais, ou por filosofias do tipo do funcionalismo, que se limitam a estes métodos. Nagel é provavelmente mais conhecida no campo da filosofia da mente como um defensor da ideia de que a consciência e a experiência subjectiva não podem, pelo menos com o entendimento contemporâneo do fisicalismo, ser reduzido a uma mera actividade cerebral.
As suas obras incluem The Possibility of Altruism (1970), Mortal Questions (1979), The View from Nowhere (1986), What Does It All Mean? (1987, trad. Que Quer Dizer Tudo Isto?, 1995) e Equality and Partiality (1991). (In Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn. Gradiva, 1997.)

NETFILOSOFIA



http://www.cinefilosofia.blogspot.com/

O que o cinema tem a ver com a filosofia? Para alguns nada tem a ver, para outros tudo, preferimos afirmar que tem muito.
Luis Rodrigues, Diogo Santos e Pedro Sargento apresentam-nos um blog de filosofia e cinema e é a nossa sugestão deste número da Katársis.
Neste blog os seus autores fazem uma análise de diversos filmes de um ponto de vista filosófico – questões filosóficas levantadas, respostas a grandes problemas filosóficos propostos, etc. Os filmes analisados são dos mais diversos géneros, desde um Apocalipse Now, passando pelo Batman, Crash, Der Untergang, Final Fantasy até ao Harry Potter.
Por exemplo num ensaio sobre o filme 13th Floor, Luis Rodrigues afirma “O filme 13th Floor tem a particularidade de apresentar - pelo menos - dois problemas filosóficos com séculos e séculos de existência: primeiro, o problema do cepticismo epistémico que deriva, segundo, do problema de não haver contradição lógica em supor que somos cérebros em cubas, “ligados” ao mundo onde julgamos estar e que julgamos conhecer apenas por fios eléctricos ou sistemas wireless bluetooth . Estes problemas estão talvez ainda por resolver. Sendo tão ou mais cépticos que o céptico, podemos inclusive sugerir que nunca se irão resolver - pois a sua resolução depende possivelmente de uma perspectiva do “olho de Deus” que nunca poderemos alcançar. Mas também não é menos correcto afirmar que ou nos deixamos de cepticismos pirrónicos ou nos devemos calar em nome da coerência. Todo aquele que afirma que “o conhecimento é impossível” tem que perceber que a sua própria afirmação terá que ser igualmente impossível (falsa), pois se fosse verdadeira qualquer afirmação seria falsa, incluindo essa, e, se fosse apenas falsa, apenas ficaríamos a saber que o conhecimento é, tanto quanto diz respeito a essa afirmação, possível. Estão confusos? Espantados? Cépticos? Humm…Ainda bem! Umas doses razoáveis de incerteza, espanto e cepticismo nunca fizeram mal àqueles que anseiam perceber o mundo e subir na escada do saber. (…) Apesar de tudo o que disse até agora não ser nada evidente, estar mal explicado e estar longe de ter resolução, era aqui que queria chegar, pois este é o tema que domina 13th Floor , a saber, até que ponto não vivemos numa realidade fictícia -- uma simulação - criada por um Demónio-enganador (que pode ser desde um cientista excêntrico a um conjunto de máquinas insensíveis e tão ou mais ditatoriais que o Fidel Castro) que nos incute crenças falsas sobre estados de coisas no mundo e, a limite, não nos deixa ver ou perceber a nossa verdadeira identidade e condição ontológica (e eu a dar-lhe! eehm!…Não tenho mesmo juízo nenhum. Sempre a brincar com coisas sérias. Será que podemos fazê-lo e sair impunes? Ora aí está uma boa questão filosófica, não é? É pena é que alguns professores nem sequer a coloquem…)” São reflexões deste género que encontramos em dezenas de ensaios sobre dezenas de filmes.
Mas como quase tudo, o que é bom não dura sempre o mesmo aconteceu a este blog. A 12 de Maio de 2006 o blog não mais foi actualizado. Com o título The End os autores põem fim ao projecto alegando um conjunto de dificuldades.
Apesar de tudo cinefilosofia.blogspot.com continua a ser um blog a visitar.

LIDO E REGISTADO



A FILOSOFIA É DIFÍCIL?

A filosofia é muitas vezes descrita como uma disciplina difícil. Há vários tipos de dificuldades associadas à filosofia, algumas delas evitáveis.
Em primeiro lugar, é verdade que muitos dos problemas com os quais os filósofos profissionais lidam exigem efectivamente um nível bastante elevado de pensamento abstracto. Contudo o mesmo se aplica a praticamente todas as actividades intelectuais: a esse respeito a filosofia não é diferente da física, da teoria literária, da informática, da geologia, da matemática ou da história. Tal como acontece com estas e outras áreas de estudo, a dificuldade em dar um contributo substancialmente original na área respectiva não deve ser usada como desculpa para negar às pessoas comuns o conhecimento dos avanços dessas áreas, nem para a impedir de aprender os seus métodos básicos.
Contudo, há um segundo tipo de dificuldade associada à filosofia que pode ser evitada. Os filósofos nem sempre são bons prosadores. Muitos têm fracas capacidades para comunicar claramente as suas próprias ideias, Por vezes, isto acontece porque só estão interessados em atingir uma pequeníssima audiência de leitores especializados; outras vezes, porque usam uma gíria desnecessariamente complicada que se limita a confundir os que com ela não estão familiarizados. Os termos especializados podem ser úteis para evitar explicar certos conceitos sempre que são usados. Contudo, há entre os filósofos profissionais uma tendência infeliz para usar termos especializados como um fim em si; muitos usam expressões latinas apesar de existirem equivalentes portuguesas perfeitamente aceitáveis. Um parágrafo cheio de palavras desconhecidas e de palavras conhecidas usadas de forma desconhecida podem intimidar. Alguns filósofos parecem falar e escrever uma linguagem inventada por eles. Isto pode fazer que a filosofia pareça muito mais difícil do que na verdade é.

WARBURTON, Nigel, Elementos Básicos de Filosofia, Lisboa: Gradiva, 1998, 1ª edição, pp.25-26.

LEITURAS




QUE QUER DIZER TUDO ISTO? Uma Iniciação à Filosofia Thomas Nagel

Em 1995 a Gradiva lançou em boa hora a colecção Filosofia Aberta. Num mercado tão carente de obras de filosofia acessíveis a um público mais vasto e não apenas a especialistas, como é o mercado português do livro, esta colecção foi uma verdadeira pedrada no charco. A colecção que já vai no número dezassete iniciou-se com a publicação da obra de Thomas Nagel, Que quer dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia. Fiel à melhor tradição filosófica, Thomas Nagel oferece-nos uma esplêndida introdução aos principais problemas, teses e argumentos da filosofia, colocando a ênfase na capacidade de levantar questões, traçar distinções e formular hipóteses, exercendo assim a faculdade crítica da razão, que é, afinal, a própria função da filosofia. O livro é uma introdução elementar a 9 problemas filosóficos típicos, escrita num tom informal, claro e simples, mas rigoroso e preciso. O autor introduz tópicos de epistemologia e metafísica, filosofia da linguagem e da mente, ética e filosofia política, terminando com uma introdução a dois tópicos metafísicos gerais (o sentido da vida e o problema da morte). Nagel defende que não é possível compreender os textos dos grandes filósofos sem que tenhamos percebido os problemas com que se debatem. Por isso, introduz directamente o leitor aos problemas da filosofia, nunca citando uma só vez um nome de um filósofo. Praticamente todos os problemas abordados em Que Quer Dizer Tudo Isto? fazem parte dos programas do ensino secundário, pelo que esta obra constitui um instrumento crucial neste domínio. Mas a acuidade com que os problemas são colocados, o cuidado posto na clareza da argumentação e a importância central dos temas tratados tornam esta obra numa leitura obrigatória para os alunos do ensino superior e para o público interessado em conhecer um pouco mais os problemas da filosofia.
No capítulo I o autor introduz o problema como sabemos seja o que for?, problema de natureza epistemológico abordado no 11º ano; o capítulo II introduz o problema outras mentes, problema abordado no âmbito da filosofia da mente; o capítulo III aborda o problema metafísico da relação mente-corpo; o capítulo IV aborda o problema do significado das palavras, problema estudado no âmbito da filosofia da linguagem; no capítulo V é abordado o problema metafísico do livre arbítrio, estudado no 10º ano; o capítulo VI aborda o problema ético sobre o certo e o errado, estudado no 10º ano; o capítulo VII aborda o problema da justiça, problema de filosofia política estudado no 10º ano; os capítulos VIII e IX abordam os problemas metafísicos da morte e do sentido da existência, temas que tanto podem ser abordados no 10º como no 11º anos.

É um livro pequeno (92 páginas), com uma linguagem muito acessível e por isso de fácil leitura. Além disso existe na biblioteca da escola, o que torna indesculpável a sua não leitura.

Boas leituras…

GLOSSÁRIO DE FILOSOFIA


Ética Aplicada
Disciplina que aplica a ética a problemas práticos reais, tais como o aborto, a eutanásia, o tratamento dos animais ou outros problemas legais, políticos sociais e do meio ambiente. Chama-se por vezes eticistas aos especialistas em ética prática.

Especismo
Por analogia com o racismo ou com o sexismo, a posição incorrecta que consiste em recusar o respeito pelas vidas, pela dignidade e pelos direitos ou necessidades dos animais que não pertençam à espécie humana. Discriminação baseada na espécie.

Valor Instrumental
Uma coisa tem valor instrumental quando é um meio para um fim que se considera valioso. Opõe-se a valor intrínseco.

Valor Intrínseco
Uma coisa tem valor intrínseco quando tem valor por si, independentemente dos benefícios que dela possamos obter. Opõe-se a valor instrumental.

Paradoxo
Um paradoxo surge quando um conjunto de premissas aparentemente indisputáveis dá origem a conclusões inaceitáveis ou contraditórias. A resolução de um paradoxo implica mostrar que há um erro escondido nas premissas, ou que o raciocínio é incorrecto, ou que a conclusão aparentemente inaceitável pode, afinal, ser tolerada. Os paradoxos desempenham, portanto, um papel importante na filosofia, visto que a existência de um paradoxo não resolvido mostra que há algo nos nossos raciocínios ou nos nossos conceitos que não compreendemos.

PROBLEMAS DE LÓGICA


1 - O argumento a seguir apresentado é falacioso.

A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres nos cargos políticos, repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os cargos importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável.
Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia tirar.

2 - Epiménides, poeta cretense do século VI a.C., afirmou: «todos os cretenses são mentirosos». Ora, atendendo a que ele próprio era cretense, será o enunciado verdadeiro?

CURIOSIDADES FILOSÓFICAS

No Ménon, um dos diálogos de Platão surge o paradoxo da aprendizagem a que a doutrina da anamnese pretende responder. Se não compreendemos algo, não podemos começar a aprendê-lo, já que não conhecemos o suficiente para sabermos como começar.
Assim quando perguntamos sobre algo já sabemos alguma coisa sobre esse algo, ou nada sabemos? Se nada sabemos, como saberemos o que perguntar; se já sabemos, porque perguntar?

Ensaio



Não ao relativismo ético

Não se põe em causa o relativismo cultural. O modo como acolhemos os forasteiros não é melhor nem pior que o modo como os esquimós acolhem os estranhos.
O mesmo poderemos afirmar relativamente ao relativismo ético? O valor de verdade das proposições " a pena de morte é justa" e "a pena de morte é injusta" são idênticos? O relativismo ético é defensável?


O relativismo ético é defensável quando não respeitamos os outros e não damos valor à vida.
Nas sociedades mais desenvolvidas é impensável defender-se o relativismo ético, pois somos contra a pena de morte (excepto nalguns estados dos E.U.A.,), consideramos que devemos respeitar os outros e que todos são iguais perante a lei. Todos os fundamentos para a nossa sociedade estão estipulados na Carta dos Direitos Humanos, da Convenção de Genebra.
Apesar de o relativismo ético não ser defensável é possível, outras sociedades terem pressupostos éticos diferentes dos nossos, por exemplo, algumas sociedades aceitam a poligamia, no entanto, a nossa proíbe-a.
Ou seja, existem várias formas de estruturar uma sociedade, no entanto, há formas inaceitáveis, como a aceitação da pena de morte e da tortura.
Sociedades como a chinesa, na minha opinião ainda não se podem considerar como muito desenvolvidas, pois a pena de morte é utilizada frequentemente e o regime comunista censura muito dos meios de informação.
São aceitáveis algumas diferenças, pois as diferenças são saudáveis, mas todas as “diferenças” que colidam com a Carta dos Direitos Humanos, não são boas, e devem ser evitadas, pois não respeitam a vida das pessoas.
Assim, na minha opinião, o relativismo ético não pode ser defendido, os padrões éticos das sociedades mundiais têm de ser baseados em princípios comuns a todos e que respeitem o Homem e a sua vida.

Bernardo Masteling Pereira N.º9 12ºA

Ensaio


Uma pessoa que sai pela última vez da mesa de operações após várias trocas de várias partes do corpo, quem é? Quem se deita na mesa de operações será o mesmo que sai?

“Ser ou não ser (eis a questão) ”


Uma pessoa que sai pela última vez da mesa de operações após várias trocas de várias partes do corpo, pode ser e não a mesma pessoa.
A questão colocada não identifica as partes do corpo trocadas. Creio que qualquer troca de órgãos produzirá efeitos no indivíduo objecto de tais modificações, contudo, apenas com a substituição do cérebro poderemos afirmar estar perante um indivíduo novo.
Durante muito tempo considerou-se ser o cérebro igual em todos os indivíduos, contudo graças à evolução da investigação e da ciência, vigora a posição de que nenhum cérebro é igual ao outro, nem mesmo os dos gémeos homozigóticos. De facto as pessoas distinguem-se pela estrutura das suas aptidões mentais e pela forma diferenciada dos seus cérebros. Essas diferenças provêm da distinta expressão dos genes que conduzem ao discrepante desenvolvimento dos tecidos nervosos e ainda às experiências individuais desde a concepção do homem até todas as outras que decorrem ao longo da vida. Existe, pois, um processo de individualização, de distinção, que ultrapassa as definições genéticas, graças à plasticidade cerebral, ou seja, à sua capacidade para se modificar ao longo da vida por efeito das experiências vividas pelo sujeito.
O cérebro humano constitui uma espécie de disco duro da sua história pessoal, logo, é o responsável pelo facto de cada indivíduo ser único, não clonável, produto de uma história social. Descobertas recentes vieram demonstrar que o cérebro é muito mais maleável do que se imaginava, modificando-se sob o efeito da experiência, das percepções, das acções e dos comportamentos. Tais modificações ocorrem principalmente nos primeiros meses de vida, quando o córtex está a organizar-se e em crescimento acelerado, continuando a processar-se ao longo de toda a vida.
Voltando à questão colocada, parece pois, poder-se afirmar que ao contrário de qualquer outro órgão, a substituição do cérebro faria com que o homem que se levanta da mesa das operações não mais voltasse a ser aquele que nela se deitou. Mantendo o cérebro e efectuadas todas as substituições necessárias (de outros órgãos), graças à capacidade de adaptação e “aprendizagem” deste órgão, que rapidamente estabeleceria as ligações imprescindíveis para os comandar. O homem saído da mesa de operações lembrar-se-ia da sua infância, da sua família, dos seus amigos, da sua cultura, e das suas convicções e raízes.
Ser ou não ser o mesmo homem, o cérebro responde à questão: - é o mesmo cérebro? Então o homem é o mesmo!


Luís Carvalho 12º C

Ensaio


Egoísmo vs Altruísmo


“Nós somos máquinas de sobrevivência – robots cegamente programados para preservar as moléculas egoístas que chamamos genes”. Esta é uma afirmação bastante interessante do naturalista britânico Richard Dawkins. Ora, esta afirmação pode dar origem a algumas questões, não menos interessantes: “quando agimos temos apenas em atenção os nossos próprios interesses ou interessamo-nos também pelo bem-estar dos outros?” e “seremos por natureza egoístas ou altruístas?”
Vendo estas questões repentinamente, surgem na nossa mente duas correntes distintas: o egoísmo e o altruísmo.
O egoísmo é o hábito que uma pessoa tem de colocar os seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, em detrimento do ambiente e das pessoas com quem se relaciona.
Altruísmo é, na maior parte das vezes, percebido como sinónimo de solidariedade. Esta palavra serve para caracterizar o conjunto das disposições humanas que levam os humanos a dedicarem-se aos outros.
As perguntas referidas acima não são de resposta fácil e simples.

Na minha opinião, existem três caminhos possíveis: aquele que leva ao altruísmo, aquele que leva ao egoísmo e aquele que leva ao “lugar” situado entre os dois anteriores.
Os que seguem o primeiro caminho defendem que nem por um momento pensamos primeiro em nós e, só a seguir, nos outros. Então, o altruísmo tem a importância filosófica de se referir às características naturais do homem indicando que ele pode ser bom e generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções “divinas”. No entanto, penso que o número de pessoas que, desde o início até ao fim das suas vidas, têm em atenção, em primeiro lugar, o bem-estar do próximo e só depois o seu próprio bem-estar, é bastante reduzido. Sendo assim, acho que não posso afirmar que, por natureza, somos altruístas.
Os que seguem o segundo caminho podem estar ligados ao egocentrismo. O egocêntrico caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tendo o “eu” como referência para todas as relações e factos. No entanto, uma pessoa egoísta pode não ser egocêntrica, uma vez que luta para fazer com que as coisas vão de encontro aos seus interesses. Ora, acho que este caminho é bastante mais comum do que o anterior.
Há ainda o terceiro caminho: o caminho intermédio entre o altruísmo e o egoísmo. Este é, por assim dizer, o caminho mais sensato. Penso desta maneira simplesmente por pensar que não podemos nem conseguimos pensar apenas em nós próprios, esquecendo os outros e também não conseguimos pensar sempre nos outros, primeiramente, e só depois em nós.
Acho que quem pensa que nascemos altruístas tem uma visão demasiado bondosa do ser humano pois penso que quase toda a gente, senão mesmo a totalidade das pessoas, tem pela menos uma ponta de egoísmo. Também acho que quem pensa que somos egoístas desde o momento do nosso nascimento, tem uma visão demasiado cruel do ser humano, apesar de estar bastante mais perto da realidade.
Mesmo assim, acho que o caminho intermédio é o mais aceitável ou, pelo menos, é o que afecta o maior número de pessoas.

José Lopes 12.º B N.º 7