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sexta-feira, 25 de abril de 2008

PROBLEMAS DE LÓGICA


1 - O argumento a seguir apresentado é falacioso.

A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres nos cargos políticos, repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os cargos importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável.
Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia tirar.

2 - Epiménides, poeta cretense do século VI a.C., afirmou: «todos os cretenses são mentirosos». Ora, atendendo a que ele próprio era cretense, será o enunciado verdadeiro?

CURIOSIDADES FILOSÓFICAS

No Ménon, um dos diálogos de Platão surge o paradoxo da aprendizagem a que a doutrina da anamnese pretende responder. Se não compreendemos algo, não podemos começar a aprendê-lo, já que não conhecemos o suficiente para sabermos como começar.
Assim quando perguntamos sobre algo já sabemos alguma coisa sobre esse algo, ou nada sabemos? Se nada sabemos, como saberemos o que perguntar; se já sabemos, porque perguntar?

Ensaio



Não ao relativismo ético

Não se põe em causa o relativismo cultural. O modo como acolhemos os forasteiros não é melhor nem pior que o modo como os esquimós acolhem os estranhos.
O mesmo poderemos afirmar relativamente ao relativismo ético? O valor de verdade das proposições " a pena de morte é justa" e "a pena de morte é injusta" são idênticos? O relativismo ético é defensável?


O relativismo ético é defensável quando não respeitamos os outros e não damos valor à vida.
Nas sociedades mais desenvolvidas é impensável defender-se o relativismo ético, pois somos contra a pena de morte (excepto nalguns estados dos E.U.A.,), consideramos que devemos respeitar os outros e que todos são iguais perante a lei. Todos os fundamentos para a nossa sociedade estão estipulados na Carta dos Direitos Humanos, da Convenção de Genebra.
Apesar de o relativismo ético não ser defensável é possível, outras sociedades terem pressupostos éticos diferentes dos nossos, por exemplo, algumas sociedades aceitam a poligamia, no entanto, a nossa proíbe-a.
Ou seja, existem várias formas de estruturar uma sociedade, no entanto, há formas inaceitáveis, como a aceitação da pena de morte e da tortura.
Sociedades como a chinesa, na minha opinião ainda não se podem considerar como muito desenvolvidas, pois a pena de morte é utilizada frequentemente e o regime comunista censura muito dos meios de informação.
São aceitáveis algumas diferenças, pois as diferenças são saudáveis, mas todas as “diferenças” que colidam com a Carta dos Direitos Humanos, não são boas, e devem ser evitadas, pois não respeitam a vida das pessoas.
Assim, na minha opinião, o relativismo ético não pode ser defendido, os padrões éticos das sociedades mundiais têm de ser baseados em princípios comuns a todos e que respeitem o Homem e a sua vida.

Bernardo Masteling Pereira N.º9 12ºA

Ensaio


Uma pessoa que sai pela última vez da mesa de operações após várias trocas de várias partes do corpo, quem é? Quem se deita na mesa de operações será o mesmo que sai?

“Ser ou não ser (eis a questão) ”


Uma pessoa que sai pela última vez da mesa de operações após várias trocas de várias partes do corpo, pode ser e não a mesma pessoa.
A questão colocada não identifica as partes do corpo trocadas. Creio que qualquer troca de órgãos produzirá efeitos no indivíduo objecto de tais modificações, contudo, apenas com a substituição do cérebro poderemos afirmar estar perante um indivíduo novo.
Durante muito tempo considerou-se ser o cérebro igual em todos os indivíduos, contudo graças à evolução da investigação e da ciência, vigora a posição de que nenhum cérebro é igual ao outro, nem mesmo os dos gémeos homozigóticos. De facto as pessoas distinguem-se pela estrutura das suas aptidões mentais e pela forma diferenciada dos seus cérebros. Essas diferenças provêm da distinta expressão dos genes que conduzem ao discrepante desenvolvimento dos tecidos nervosos e ainda às experiências individuais desde a concepção do homem até todas as outras que decorrem ao longo da vida. Existe, pois, um processo de individualização, de distinção, que ultrapassa as definições genéticas, graças à plasticidade cerebral, ou seja, à sua capacidade para se modificar ao longo da vida por efeito das experiências vividas pelo sujeito.
O cérebro humano constitui uma espécie de disco duro da sua história pessoal, logo, é o responsável pelo facto de cada indivíduo ser único, não clonável, produto de uma história social. Descobertas recentes vieram demonstrar que o cérebro é muito mais maleável do que se imaginava, modificando-se sob o efeito da experiência, das percepções, das acções e dos comportamentos. Tais modificações ocorrem principalmente nos primeiros meses de vida, quando o córtex está a organizar-se e em crescimento acelerado, continuando a processar-se ao longo de toda a vida.
Voltando à questão colocada, parece pois, poder-se afirmar que ao contrário de qualquer outro órgão, a substituição do cérebro faria com que o homem que se levanta da mesa das operações não mais voltasse a ser aquele que nela se deitou. Mantendo o cérebro e efectuadas todas as substituições necessárias (de outros órgãos), graças à capacidade de adaptação e “aprendizagem” deste órgão, que rapidamente estabeleceria as ligações imprescindíveis para os comandar. O homem saído da mesa de operações lembrar-se-ia da sua infância, da sua família, dos seus amigos, da sua cultura, e das suas convicções e raízes.
Ser ou não ser o mesmo homem, o cérebro responde à questão: - é o mesmo cérebro? Então o homem é o mesmo!


Luís Carvalho 12º C

Ensaio


Egoísmo vs Altruísmo


“Nós somos máquinas de sobrevivência – robots cegamente programados para preservar as moléculas egoístas que chamamos genes”. Esta é uma afirmação bastante interessante do naturalista britânico Richard Dawkins. Ora, esta afirmação pode dar origem a algumas questões, não menos interessantes: “quando agimos temos apenas em atenção os nossos próprios interesses ou interessamo-nos também pelo bem-estar dos outros?” e “seremos por natureza egoístas ou altruístas?”
Vendo estas questões repentinamente, surgem na nossa mente duas correntes distintas: o egoísmo e o altruísmo.
O egoísmo é o hábito que uma pessoa tem de colocar os seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, em detrimento do ambiente e das pessoas com quem se relaciona.
Altruísmo é, na maior parte das vezes, percebido como sinónimo de solidariedade. Esta palavra serve para caracterizar o conjunto das disposições humanas que levam os humanos a dedicarem-se aos outros.
As perguntas referidas acima não são de resposta fácil e simples.

Na minha opinião, existem três caminhos possíveis: aquele que leva ao altruísmo, aquele que leva ao egoísmo e aquele que leva ao “lugar” situado entre os dois anteriores.
Os que seguem o primeiro caminho defendem que nem por um momento pensamos primeiro em nós e, só a seguir, nos outros. Então, o altruísmo tem a importância filosófica de se referir às características naturais do homem indicando que ele pode ser bom e generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções “divinas”. No entanto, penso que o número de pessoas que, desde o início até ao fim das suas vidas, têm em atenção, em primeiro lugar, o bem-estar do próximo e só depois o seu próprio bem-estar, é bastante reduzido. Sendo assim, acho que não posso afirmar que, por natureza, somos altruístas.
Os que seguem o segundo caminho podem estar ligados ao egocentrismo. O egocêntrico caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tendo o “eu” como referência para todas as relações e factos. No entanto, uma pessoa egoísta pode não ser egocêntrica, uma vez que luta para fazer com que as coisas vão de encontro aos seus interesses. Ora, acho que este caminho é bastante mais comum do que o anterior.
Há ainda o terceiro caminho: o caminho intermédio entre o altruísmo e o egoísmo. Este é, por assim dizer, o caminho mais sensato. Penso desta maneira simplesmente por pensar que não podemos nem conseguimos pensar apenas em nós próprios, esquecendo os outros e também não conseguimos pensar sempre nos outros, primeiramente, e só depois em nós.
Acho que quem pensa que nascemos altruístas tem uma visão demasiado bondosa do ser humano pois penso que quase toda a gente, senão mesmo a totalidade das pessoas, tem pela menos uma ponta de egoísmo. Também acho que quem pensa que somos egoístas desde o momento do nosso nascimento, tem uma visão demasiado cruel do ser humano, apesar de estar bastante mais perto da realidade.
Mesmo assim, acho que o caminho intermédio é o mais aceitável ou, pelo menos, é o que afecta o maior número de pessoas.

José Lopes 12.º B N.º 7

Ensaio

O comportamento do homem reduz-se a actividade electroquímica? Serão os estados mentais estados cerebrais? Existirá uma mente separada do cérebro?

A mente existe…mas não separada do cérebro

Este é um tema complicado de desenvolver e exige muita reflexão e concentração pois é difícil tomar partido relativamente ao problema proposto.
O comportamento do homem reduz-se a actividade electroquímica?
O papel da actividade electroquímica é codificar as informações do cérebro. O cérebro humano é fermento de actividade electroquímica que gera impulsos para o trabalho das células no processamento sensorial e na memorização da informação.
Mas o ser humano não é apenas uma máquina controlada pelo cérebro! Não existe uma mente separada do cérebro, mas sabemos que ela existe. A mente é uma qualidade emergente do cérebro e é resultante da organização de todas as informações do cérebro. O cérebro é considerado um sistema complexo que processa e gera informações. A mente é o termo mais utilizado para descrever as funções superiores do cérebro humano, particularmente aquelas das quais os seres humanos são conscientes, como o pensamento, a razão, a memória, a inteligência e a emoção. A mente é um produto do funcionamento cerebral.
Assim, se a mente é emergente do cérebro podemos dizer que os estados mentais são estados cerebrais.
Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o ser humano não se reduz à actividade electroquímica pois existe uma mente gerada pelo cérebro que descreve as funções superiores deste e se a mente é produto do cérebro, os estados mentais são estados cerebrais.

Ana Lopes 12º C

Poesia


Marés


Marés de algum mar, ausente…
As ondas dos bosques salpicam de
Espuma-algodão a paisagem
Verde-água
Dos portos de outros mares navegantes
Com cavernas povoadas por monstros marinhos.

Nascem luas nas montanhas
E os barcos sulcam os jardins de algas
As árvores são peixes e as pedras
São corais…metáforas…

E são bússolas as gotas das ondas
Espumantes,
Pérolas salgadas no leito do mar.
Os portos, templos das deusas,
Sereias lindas e etéreas
Enigmáticas.

Marés imaginadas de sonhos,
Antíteses de outro mar, presente,
Marés…


Prof.ª Anabela Bacêlo

Poesia


Meia-noite

Meia-noite.
No asfalto cinzento
Corre o sangue quente
O corpo queima.

Nos lábios exangues
O sorriso brilha
Sem saber o porquê
Da dor que sente.
O corpo vibra.

Falanges estranhas
Cerram-lhe as pálpebras.
O corpo morre.

Prof.ª Anabela Bacêlo

Um pensamento, uma mudança

Após a visualização de um filme no passado dia 29, na aula de Filosofia, o professor sugeriu que reflectíssemos sobre o assunto e elaborássemos um texto aplicando conceitos anteriormente estudados em que exprimíssemos as nossas ideias, as nossas opiniões.
O documentário, cujo nome era “Uma verdade inconveniente”, era muito apelativo visto que a sua principal função era alertar as pessoas para o estado do nosso planeta. O principal interveniente do documentário era Al-Gore, um candidato a presidente dos Estados Unidos da América, que concorreu contra Bush, de onde saiu derrotado. Durante o decorrer do filme apareceram imagens bastante chocantes de cheias, furacões, fogos, poluição, entre outros, resultantes das mudanças climáticas.
Al-Gore serviu-se de um discurso argumentativo para mostrar às pessoas a sua posição, expressando as suas ideias através de um ecrã grande e argumentos válidos. A minha citação preferida foi “O que nos causa sarilho não é o que não conhecemos e sim o que temos a certeza que não é verdade”, ou seja, o que nos preocupa é o que sabemos que é mentira, pois ao sabermos que é mentira, procuramos a verdade, ao contrário do que não sabemos, se não sabemos, não nos vamos questionar sobre o que nem sabemos que existe.
Segundo Al-Gore, a emissão de CO2 em elevadas quantidades está a prejudicar gravemente a Terra, pois este está a acumular-se na atmosfera terrestre, fazendo com que os raios solares que a penetram embatam na Terra e depois não saiam, o que provoca o aquecimento global (- definição de efeito de estufa). Devido ao efeito de estufa, o gelo existente na superfície da Terra está a derreter significativamente e a juntar-se à água salgada do mar provocando a falta de água potável e a morte de alguns animais polares dependentes do gelo (ou seja, extinção de espécies). Tudo isto é resultante dos actos voluntários das pessoas, o que é muito triste, visto que nos estamos a destruir a nós próprios. Se fosse resultante de por exemplo, a camada do Ozono estar a ser destruída por poeiras ou gases existentes no Universo, pelo menos as pessoas viviam sem a consciência pesada por esta destruição, por este acto intencional e inconsciente da população em geral.
Algumas pessoas têm o preconceito de que o mundo não acabará independentemente do que o Homem faça, o que me parece totalmente incorrecto, sendo uma prova disso os sinais que estão a começar a aparecer (poderá ser só o início se a população mundial não evoluir mentalmente dentro de pouco tempo). Outras pessoas são essencialmente dogmáticas, que é recusarem-se a analisar as ideias propostas por muita gente, declarando-as verdadeiras ou falsas sem razões para isso, e também há aquelas que pensam “Quando o mundo acabar eu já estarei morto”, não pensando nas gerações futuras e só em si próprias (egoísmo psicológico).
Para mim, este assunto deve ser falado e discutido constantemente para despertar as pessoas o mais rapidamente possível para a realidade.
Existe uma colisão entre a Terra e a humanidade, o que muita gente ainda não percebeu, e sinceramente, espero que percebam a tempo de remediar este grande erro, visto que existe um encadeamento de acções (as acções futuras serão o resultado das acções presentes) e aí poderá ser tarde de mais.
A Filosofia exige uma tomada de posição, pois não podemos continuar a nossa vida sem pensar nestes assuntos porque o nosso futuro e o dos nossos descendentes está em risco e não podemos esquecer-nos de que somos também responsáveis.
Este filme é como se tivesse muitas premissas, todas verdadeiras (baseadas em estudos), com uma grande conclusão: se não actuarmos, estaremos a atentar contra a vida humana (que é crime) e se nos ajudássemos todos uns aos outros, a vida seria menos árdua, e sei que pelo menos não existiriam tantas guerras e conflitos e a humanidade teria certamente um futuro melhor.

Joana Silva 10ºB N.º 14

Comentário ao filme















“Uma verdade inconveniente”

Dizer algo sobre este documentário é um pouco relativo, isto é, podemos associar este tema a muitos dos temas que são abordados na aula.
Este tema alerta-nos para o que nós, que habitamos a Terra estamos a fazer. Reduzindo este problema a uma escala muito mais pequena, podemos comparar o nosso planeta à nossa casa. Uma casa com um telhado de vidro, muito fino. Na nossa casa, tentamos esteja sempre tudo arranjado, tudo limpo, tudo bonito, para nós nos sentirmos bem dentro dela. Não andamos a jogar à bola dentro dela.
Mas, esta casa em que moramos é alugada, e temos que a estimar para os próximos inquilinos…mas os inquilinos anteriores tinham muitos filhos e esses filhos gostavam de jogar à bola dentro de casa e por andarem a mandas com a bola no telhado, o telhado começou a apresentar algumas fissuras.
Entretanto esses inquilinos mudaram de casa, quando nós a fomos habitar vimos que o tecto tinha fissuras e não ligamos muito, o tempo foi passando e as fissuras começaram a deixar entrar água da chuva, primeiro umas gotinhas, depois umas gotas maiores…então começamo-nos a aperceber que como chovia dentro de casa começávamos a ficar doentes.
Então decidimos que devíamos intervir, e chamámos um empreiteiro a quem pedimos para compor o telhado, tendo aquele dito que aquilo era um problema muito difícil de resolver e se nós o queríamos resolver tínhamos de deixar de jogar a bola dentro de casa, de nos encostarmos as paredes, tínhamos que tratar muito bem a estrutura da casa, para que quando saíssemos desta casa e fossemos morar para outra os próximos inquilinos ainda tivessem casa.
Este pequeno exemplo leva a pensar nas acções que o Homem executa. Durante muitas décadas ou mesmo séculos, sensivelmente a partir da Revolução Industrial, o Homem começou a explorar “melhor” a Terra e os seus recursos, levando por vezes à sobre exploração dos recursos e ao seu desaparecimento, isto teve muitas benesses na medida em que contribui para a sociedade em que hoje vivemos. Mas, também teve alguns senãos, como por exemplo o enfraquecimento da camada de ozono e nalgumas zonas mesmo a sua destruição.
Estes factores colocam-nos a pensar nas acções do ser humano e do seu encadeamento, pois uma acção passada será a base de uma outra futura, isto é, como uma gigantesca bola de neve, primeiro é muito pequena, mas à medida que vai descendo a montanha torna-se cada vez maior até se transformar numa avalancha. A avalancha dependeu da pequena bola de neve.
Todas as acções estão dependentes de uma passada (directa ou indirectamente) pois o que eu serei amanhã depende do que sou hoje.
O que se passa com a camada de ozono é um efeito da nossa geração e das anteriores, mas nós ainda vamos a tempo de minimizar este problema, tendo para isso de pôr em prática algumas medidas que tenham em vista um desenvolvimento sustentável dos recursos que o nosso planeta nos oferece.

Mariana Masteling Pereira - 10º B

Editorial



Novo ano (2008), revista nova! Pois é, a Katarsis II está de novo aí, com novos textos e desenhos, poemas, reflexões, enfim, com o fruto do trabalho de vários docentes e alunos. Como já havia sido referido na revista anterior procurou-se igualmente abrir esta publicação a todo o tipo de trabalhos das diversas áreas ou grupos disciplinares e embora tenha havido alguma participação, ela ainda não foi a desejada. Esperemos que o seja numa próxima oportunidade.
Os temas apresentados neste número reflectem uma louvada preocupação dos nossos alunos com os problemas do meio ambiente, aspecto suscitado pelo visionamento do polémico documentário de Al Gore. Os restantes temas foram escolhidos livremente pelos participantes, que resolveram dessa forma dar o seu testemunho e o seu precioso contributo para que esta publicação fosse uma realidade.
A presente revista conta com artigos de opinião, apresentação de autores pertinentes, breves críticas a livros ou filmes interessantes e outros trabalhos que gentilmente as pessoas nos foram facultando.
Gostaria que esta nova edição despertasse outros docentes, alunos e outros a participarem neste projecto apresentando textos pessoais, desenhos, ideias, pois só assim haverá “matéria” para novos números.

Jorge Marques
Raquel Rei – 10º B

CAPA

Katársis II nº 1

Solidão


Egoísmo ou Altruísmo

Será que somos egoístas ou altruístas?

Penso que de um modo geral sou altruísta, porque costumo pensar primeiro nos outros e só depois em mim. Contudo, tenho objectivos bem traçados na minha vida e costumo agir de modo a alcançá-los sem interferir ou colidir com os interesses das pessoas que me rodeiam, embora reconheça que tal nem sempre é fácil.
Não me sinto bem, se as pessoas ao meu lado não estiverem bem. Todavia, penso que isto é uma falsa questão. Ninguém é totalmente altruísta ou egoísta. Existem pessoas que são mais egoístas que outras e pessoas que são mais altruístas do que outras.
Eu não penso como os que defendem o egoísmo psicológico, e acredito que somos capazes de agir por motivos altruístas. É evidente que isto só acontece pontualmente ao longo das nossas vidas e é evidente que são poucas as pessoas que colocam as suas vidas ao dispor dos outros, como fizeram Mahatma Gandhi e Madre Teresa de Calcutá. Também não tenho dúvidas de que existem pessoas que não olham a meios para alcançar os seus fins.
Por outro lado, pergunto: será que todas as mães são egoístas, quando abdicam de muitos dos seus desejos em função da vida dos seus filhos?

Jéssica Vasconcelos
10ºA, nº4

A Arte

A palavra arte tem vários significados e, como tal, parece-me um conceito muito subjectivo.
A arte é muito vaga e o seu conceito muito abstracto.
Pensamos muitas vezes que a arte só vem de grandes artistas, como Leonardo Da Vinci, entre outros, mas no meu ponto de vista isto não é absolutamente correcto, pois não acho necessário ser reconhecidamente artista para conseguir criar algo artístico.
Para mim a palavra arte engloba dois pontos de vista: a capacidade de pensar, de se exprimir, de se mostrar perante o mundo que nos rodeia, mas também tem o outro lado, o lado prático, ou seja, o pintar um quadro, fazer uma escultura, etc. A maioria das pessoas pensa que a arte é só o acto de fazer qualquer coisa, mas para ser algo verdadeiramente artístico tem que ter algo especial.
Mas deixo duas perguntas: mas afinal o que é de facto a arte? Será que acerca dela todos partilhamos da mesma opinião?

Luísa Ferreira nº 13 – 10º A

A Morte




A morte retira-nos as forças e a vontade de viver. É cruel e egoísta.
Todos nós nos encontramos numa grande roda. Um dia alguém que nos é especial solta-se dessa corda deixando-nos para trás. Nesse momento sentimo-nos incapazes de fazer o que quer que seja e, para também não sermos levados, agarramo-nos com muita força. Só quando alguém que nos é muito querido parte nessa viagem sem retorno é que sabemos o quanto essa pessoa era importante para nós e o quanto custa passar por isto. Tudo parece desmoronar-se à nossa volta, tudo parece um pesadelo, do qual queremos acordar. Questionamo-nos porque é que não demos o devido valor a essa pessoa e porque é que tudo isso aconteceu.
Verdadeiramente triste é estar junto dessa pessoa, tocá-la e ela não se mexer nem dizer nada, vê-la ali parada e não poder fazer nada, senti-la e ela não nos sentir…
Somente o tempo e a saudade nos farão voltar à triste realidade. A vida continua…

Jéssica Vasconcelos10ºA, n.º4

Liberdade



A liberdade de expressão
Antigamente não existia
Nem o povo, nem ninguém
Dizia o que queria.


Na era de Salazar
Tudo era solidão
Quem criticasse o governo
Ia logo para a prisão.


O 25 de Abril
É uma data a assinalar
Depois de lutas mil
Houve liberdade para falar.



Vê-se que hoje em dia
A liberdade é de mais
Há agora alguns filhos
Que nem obedecem aos pais.

Carlos Pereira
10ºA , n.º3

A Amizade

A amizade é um sentimento muito importante nas nossas vidas. Com ela, não vivemos em solidão ou em insegurança porque sabemos que temos sempre alguém que nos apoia em tudo e, mesmo nas nossas birras mais infantis, nunca nos abandona. No entanto, temos de ter muito cuidado porque também há aquelas falsas amizades, mas quando se trata de um bom amigo nós sabemos distingui-los dos outros.
Um bom amigo é aquele que partilha connosco os seus sentimentos, partilha um chocolate, mesmo que seja um simples cubinho, mas partilha-o. É aquele que deposita em nós a sua confiança, que nos dá uma mão, um ombro para chorar, alguém que nunca nos abandona.
Devemos dar importância aos amigos que temos e nunca deixar que eles partam.
No amor, por exemplo, também deve existir amizade, porque se não, torna-se num amor falso, solitário, sem nada para partilhar, apenas a tristeza.
A amizade é um bem que devemos cultivar.

Joana Dias 10ºA, n.º 5

O valor da palavra

Um contrato é um documento fundamental para nos defendermos da "vigarice" que por aí anda. Com efeito, é verdadeiramente assustador o número de pessoas que se deixam levar por contratos de compra e venda, acedendo a estratégias em que lhes dizem que vão pagar um qualquer serviço, empréstimo ou bem de consumo em prestações mínimas e que ganham este prémio e aquele. Depois, pedem-lhes "uma rubricazita" e quando “acordam” para a realidade, dão conta do logro em que se envolveram, só que, normalmente é tarde demais. Vêem, impotentes a sua conta bancária passar dos cem ao zero, dos mil ao zero e claro… desesperam. Sim, porque nos dias de hoje "rouba-se" nas barbas de quem é ingénuo, ou simplesmente humilde. Quem vigariza e rouba interessa-se por bens, dinheiro e tudo aquilo que possa reverter em lucro. Não lhes interessa a quem roubam e tanto são capazes de tirar aos que têm de sobra como àqueles que passam por muitas necessidades. Há que estar atento, prevenindo-se para tais situações, pois o que há mais são pessoas, empresas e até instituições que não têm quaisquer escrúpulos.
Um contrato é algo com que nos podemos defender demonstrando que isto ou aquilo é nosso, mas também pode ser usado contra nós e por isso é que devemos sempre ter muita atenção. Há que ler, inteirar-se das condições, senão poderemos ter graves problemas.
Por tudo isto digo que é pena que cada vez mais tenhamos que ir a tribunal fazer prova de que aquele terreno ou aquela casa nos pertence.
É pena que a palavra de alguém sincero, honesto, nos dias que correm não possa contar.
É pena que hoje em dia não se possa confiar em ninguém, muitas vezes nem em pessoas da própria família, que muitas vezes fazem de conta, para dessa confiança tirarem proveito.


Ricardo Batista, 10º B, Nº 2

Ler um livro




O professor de Filosofia, aconselhou no início do ano a lermos três livros para esse ano lectivo, e eu, fui pelo nome que mais me chamou a atenção: “O Mundo de Sofia”.
Antes perguntava-me o que era a Filosofia, mais tarde fui juntando algumas ideias das aulas de filosofia, das explicações do professor, mas isso não foi o suficiente até que comecei a ler o livro.
Esta obra foi feito para explicar a Filosofia de uma maneira a captar a atenção dos leitores, com uma história de uma menina que tem como correspondente um senhor de idade, que lhe envia cartas a explicar o valor da filosofia.
Desta forma, não só torna a história misteriosa na descoberta deste enigma (quem é quem? e o quê?) mas também nas coisas mais estranhas que vão sucedendo a Sofia.
Este livro explicou, resolveu, ensinou e tirou dúvidas a muitos problemas e questões que eu tinha, tenho e tive ao longo da passagem da minha infância para adolescência.
Segui o conselho do professor e fiquei certamente mais culta, mais atenta e mais sabedora em relação aos temas tratados e deu-me uma grande ajuda nas aulas de Filosofia.
Por tudo isto, aconselho outros alunos a lerem este livro, eliminarão algumas dúvidas, mas certamente encontrarão outras, pois a dúvida é o motor essencial da procura, que é a base da Filosofia.

Adriana Soares – 10º B

Traição

“Não é amigo quem se ri com as minhas graças, mas quem chora com as minhas lágrimas.”
(Tagore)


Há sempre algo que nos magoa e nos faz chorar por vezes. Algo que sentimos e que nos deixa marcas profundas na nossa alma. Quando somos traídos por alguém de quem gostamos realmente, sentimos que somos impotentes perante este mundo cruel onde as pessoas não se respeitam.
Se as coisas foram feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, porque amamos as coisas e usamos as pessoas?
A traição é algo que se sente com grande intensidade e quando esta acontece entre amigos torna-se muito mais difícil ultrapassá-la, talvez porque sentimos verdadeiramente e porque tomamos consciência daquilo que eventualmente vamos perder… Por outro lado, amigos são aqueles que perdoam, o que constitui um paradoxo.
A traição dói. A traição sente-se. A traição magoa. A traição é algo que nos faz sentir como não imaginávamos ser possível.Com ela descobrimos o quanto somos tão fracos e frágeis…

Joana Campos 10ºA nº6

O Amor




O que é para mim o amor!

Explicar o que sinto e o que acho sobre o amor é uma coisa um bocado difícil!
Por vezes escrever o que sentimos leva-nos a alcançar respostas para algumas dúvidas ou incertezas que temos, muitas delas dúvidas existenciais. Mas, com o amor é diferente, pois este é um sentimento e, tal como todos os sentimentos é algo abstracto e relativo, que varia muito de pessoa para pessoa.
Todas as pessoas sem excepção são únicas e especiais, por isso, todas elas amam e são amadas de maneiras muito diferentes.
O amor que sentimos por certas pessoas é eterno e não mudará nunca, é um amor que “nasce” e “morre” connosco. Nós amamos a nossa família, as pessoas que a constituem, aqueles membros mais próximos, nós amamo-los incondicionalmente desde sempre e para sempre. Por vezes ponho-me a pensar e fico aterrorizada ao pensar que as pessoas que amo vão algum dia partir. Tenho muito medo que esse momento aconteça, apesar de saber que tal irá acontecer, pois a morte é a única certeza da vida. Constato que tenho muito medo do que poderei sentir num desses fatídicos momentos.
Muitas pessoas que amei deram-me muitas alegrias, momentos inesquecíveis de felicidade partilhada. No entanto, embora muitas dessas pessoas possam estar longe, o meu amor por elas é muito maior do que a distância a que se encontram!
Na minha opinião, existem alguns amigos que são quase como irmãos, pois é como se nos conhecemos desde sempre. Eles conseguem sem falar connosco saber o que temos, se estamos tristes, desiludidos ou a explodir de felicidade. Acho que amo estes meus amigos. É um amor que se calhar pode ser confundido com a amizade, mas que para mim é um tipo de amor diferente de todos os outros!
Existem muitos tipos de amigos, alguns que amamos, outros que só o são no hi5 ou no MSN. Relativamente a estes penso que sentimos apenas amizade, pois quando muito são apenas conhecidos. Outros existem durante uma semana das nossas vidas, estamos juntos e passamos bons momentos durante essa semana, mas depois a amizade vai diminuindo devido à distância, Há também aqueles colegas de turma que durante um ano são muito importantes e que posteriormente a distância vai igualmente afastando.
Apesar de amarmos muito os nossos verdadeiros amigos, ou seja, aqueles que não estão connosco todos os dias, mas que estão sempre disponíveis, aqueles a quem nós nem precisamos de falar para saberem o que temos, existe sempre um amigo que nós queremos, tentamos e que por vezes conseguimos que seja mais que amigo. Este amor que sentimos é o tal amor… É o amor que quando falamos em amor nos vem logo a cabeça. Nós queremos estar todo o tempo (que podemos) com essa pessoa, confidenciamos-lhe tudo e esse mais-que-tudo é (quase) como uma extensão de nós próprios. Nós identificamo-nos com ela, apesar de cada um de nós ser único e próprio!
Tal como em tudo na vida existe a outra face da moeda!
As desilusões de amor!
Agora pergunto-me será que vale a pena abrir o nosso coração a alguém que depois parte (o coração)?
Não estou a dizer que se alguém nos magoa muito mesmo que não possamos voltar a abrir o nosso coração (sem ser para albergar os nossos queridos e amados amigos e família) mas por vezes é difícil nós passarmos por cima de certos obstáculos que a vida nos coloca. Além de mais, são esses obstáculos que nos fazem crescer! Quando pensamos em temas como este, parece que há uma vozinha dentro de nós que diz:”faz assim, não faças assado”. Essas vozinhas são muito importantes e ajudam-nos a perceber que por vezes fazemos coisas sem reflectir e outras vezes não as fazemos porque efectivamente pensámos nelas.
Não é por alguém nos ter magoado e deixado desiludidos que vamos deixar de levar a nossa vida em frente rumo aos objectivos que traçámos.
Muitas vezes somos demasiados orgulhosos para exprimir e mostrar ao mundo o que sentimos e protectores em relação a nós próprios e tentando ignorar para onde o nosso coração nos quer levar e, nesse instante, pensamos que estamos a fazer o melhor para nós, mas passadas algumas horas ou uns dias, o eco de nós próprios, ou seja, aquelas vozinhas que há dentro de nós começam a dizer-nos que não devíamos ter feito assim e que devemos ir até onde o nosso coração nos quer levar.
Ao tentarmos guiar o nosso coração e a não deixarmos que este nos guie estamos apenas a perder experiências maravilhosas e oportunidades marcantes.
Quando gostamos de alguém, não devemos ignorar o que sentimos, mas também não precisamos de o contar a toda a gente. Temos apenas que deixar cair um pouco o nosso orgulho e mostrar o que sentimos. Muito poucas coisas são melhores que estar com a pessoa que gostamos!


Mariana
10.ºB

VIDAS FILOSÓFICAS




Peter Singer

Peter Singer nasceu em 1946 em Melborne, na Austrália. Conhecido sobretudo pelos seus trabalhos em áreas de ética aplicada, que começaram com o seu best-seller Animal Liberation (Londres, 1976) (trad. Libertação Animal, 2000), no qual argumenta que a maior parte do tratamento a que os animais são sujeitos é intolerável. Singer continuou a escrever sobre estes temas, mas usou também as ideias e teorias da filosofia moral para fornecer análises da moralidade da eutanásia, fertilização in vitro, a distribuição dos recursos do mundo e muitos outros temas associados (veja-se especialmente o seu Practical Ethics (Cambridge, 1979; trad. Ética Prática, 2000)). O seu trabalho distingue-se por um forte comprometimento com o utilitarismo e por um desejo de afastar a moralidade do que ele se refere como a "herança judaico-cristã". Singer é um dos maiores especialistas em ética aplicada, área para cuja revitalização contribuiu decisivamente. Ensinou nas Universidades de Oxford, Nova Iorque e Monash sendo actualmente professor de Bioética no Centro para os Valores Humanos da Universidade de Princeton. É autor já de uma vasta bibliografia. Em Portugal encontram-se traduzidas as obras Libertação Animal (Via Óptima), Ética Prática e Um Só Mundo (Gradiva).
O seu livro Libertação Animal (publicado originalmente em 1975) foi uma importante influência formativa no moderno movimento de direitos dos animais. Singer é um grande defensor dos animais, apoiando plenamente a causa da libertação animal, um dos muitos motivos que o fez adoptar a dieta vegetariana.
Nesta obra ele argumenta contra o "especismo": a discriminação contra certos seres baseada apenas no facto de estes pertencerem a uma dada espécie (quase sempre não-humana). Ele considera que todos os seres que são capazes de sentir sofrimento têm os mesmos direitos e conclui que o uso de animais para alimentação é injustificável já que cria sofrimento desnecessário. Assim sendo, ele considera que o vegetarianismo é a única dieta aceitável. Singer condena também a vivissecção, apesar de acreditar que algumas experiências com animais poderão ser realizadas se o benefício (por exemplo, avanços em tratamentos médicos, etc.) for maior que o mal causado aos animais em causa.
O seu trabalho mais abrangente, Ética Prática (publicado inicialmente em 1979 e com segunda edição em 1993), analisa detalhadamente porquê e como os interesses dos seres devem ser avaliados. Singer afirma que os interesses de um ser devem sempre ser avaliados de acordo com as propriedades concretas desse ser e não de acordo com o facto de ele pertencer a um grupo abstracto.
Consistente com a sua teoria geral de ética, Singer sustenta que o direito à integridade física está fundamentado na capacidade de um ser de sofrer, e o direito à vida está fundamentado na capacidade de planear e antecipar o futuro de alguém.
Dado que fetos, bebés e as pessoas com deficiências não têm esta última capacidade (mas têm a primeira), Singer afirma que o aborto, o infanticídio sem dor e a eutanásia podem ser justificados em determinadas circunstâncias especiais, por exemplo, no caso de recém-nascidos cuja vida iria causar grave sofrimento a si mesmo e aos seus familiares.
Estas posições têm suscitado muitas críticas e muita polémica, principalmente junto das associações de deficiente, nomeadamente da Alemanha. Os seus detractores argumentam que Singer não tem o direito de julgar a qualidade de vida das pessoas
portadoras de deficiência. Na Alemanha, a sua posição foi comparada à prática Nazi de assassinar aquela que era considerada "vida não merecida", e as suas palestras foram várias vezes interrompidas. As suas conclusões em áreas controversas como o aborto, o infanticídio e a eutanásia, e a sua recusa em esconder as suas conclusões sob um véu de eufemismo podem explicar a razão porque o seu trabalho atraiu tantas atenções.
Um outro tema muito caro a Singer é a injustiça social e a distribuição da riqueza. Este tema é abordado no livro Ética Prática e retomado em Um Só Mundo (publicado em 2002). O autor afirma que a injustiça de algumas pessoas viverem em abundância enquanto outras morrem de fome é moralmente indefensável. Singer propõe que todos os que possam ajudar os pobres devem doar pelo menos 10% do seu rendimento para alívio da pobreza e esforços semelhantes. Singer argumenta que, quando já se vive confortavelmente, uma outra qualquer compra para aumentar o conforto não irá ter a mesma importância moral que salvar a vida de outra pessoa. Ele próprio doa 20% do seu salário à Oxfam e à UNICEF, sendo a sua vida consistente com o seu pensamento.

O Sentido da Vida


“ O desespero consiste em imaginar que a vida não tem sentido. “
Chesterton

Coloco muitas vezes a mim mesmo a seguinte questão:

- Será que a vida tem sentido?
Sendo eu um ser humano, com ideias, convicções, projectos de vida e tudo mais que nos é comum, questiono-me vezes sem conta acerca deste problema. E ele não parece ser apenas o “meu” problema, mas sim o problema de toda a humanidade. Nos séculos passados haviam, sem dúvida, os mesmos problemas que ainda hoje nos assolam, como demonstra o legado filosófico dos nossos antecessores.
De facto, sinto um certo constrangimento perante o problema da morte, pois este parece tirar o sentido a tudo o que vivemos, às causas por que lutámos, às coisas que construímos e a tudo o que de facto valorizamos. Por conseguinte, digo: para quê lutar por uma vida que não se detém no caminho para a morte?
A morte é a nossa “reforma prometida”, aquela que é mais certa que qualquer axioma, aquela que podemos “enganar” momentaneamente mas não vencer, aquela que sabemos que existe mas que nunca queremos conhecer. E, no entanto, ela parece ser tão vital quanto a vida, pois sem morte não há vida e sem vida não há morte. Vida e morte são inseparáveis, embora quase nunca pensemos nisso, tal como raramente pensamos na nossa idade. O ser humano vive de uma forma quase intemporal sem o ser e quer ser eterno sem o desejar de facto. Haverá alguém que depois de uma reflexão racional deseje viver para sempre, tendo em conta que continuará a envelhecer, que poderá ser infeliz e que mesmo querendo não poderá nunca deixar de viver? Supondo que alguém fosse tão infeliz, que vivesse no maior tédio e que nada lhe desse o mínimo gozo, será que a imortalidade seria ainda assim algo tão apetecível? Quando se fala de imortalidade, as pessoas parece quererem impor regras ou condições e, dessa forma, cada ser humano escolheria as suas, o que não parece ter muito sentido. As regras da vida e da morte estão determinadas e a nós cabe-nos aproveitar a oportunidade que cada tem por existir, porque ela é única e ao fim e ao cabo … só se vive uma vez.

Anónimo

Filosofia para Jovens

“Filosofia é um assunto que não interessa só ao especialista porque, — por mais estranho que isto pareça — provavelmente não há homem que não filosofe; ou pelo menos, todo homem se torna filósofo em alguma circunstância da vida. (…) o importante é que todos nós filosofamos, e até parece que estamos obrigados a filosofar”.
(BOCHENSKI)

Podem as crianças raciocinar sobre determinados temas?
Esta poderia ser a questão inicial sobre um possível projecto de filosofia para crianças ou jovens e foi com base nesta interrogação que o grupo de filosofia desta escola teve a “ousadia” de o propor, mesmo sabendo que o modelo padrão da prática educativa tradicional não segue percurso da reflexão e da investigação colectiva. É notório que ainda sofremos da metodologia mais voltada para o ensino expositivo/interrogativo, privilegiando a apreensão sistemática de conteúdos. Não que os conteúdos não sejam fundamentais, pois são evidentemente necessários, mas talvez seja importante reflectir sobre qual a melhor forma de os obter. Talvez seja mais estruturante, o desenvolvimento da leitura, a construção colectiva do conhecimento em sala de aula, as metodologias da descoberta, embora talvez isso implique uma mudança progressiva de paradigma. O que se pretende é desenvolver capacidades ao nível da deliberação, do diálogo, da argumentação, enfim, do raciocínio, uma vez que para filosofar é necessário saber como filosofar. Neste contexto, a capacidade argumentativa é realmente imprescindível, dado que para dialogar filosoficamente, temos que usar argumentos e estruturá-los de forma adequada para sustentar os nossos pontos de vista. Julgo que o desenvolvimento deste aspecto seria importante não só para a disciplina de filosofia, mas teria certamente reflexos positivos em todas as áreas disciplinares.
Para o sucesso deste projecto achamos como aspectos fundamentais a leitura e o diálogo filosófico como princípio educativo e estratégia filosófica, o “fazer filosófico” e a construção de conceitos em sala de aula, as aplicações da lógica no desenvolvimento das competências cognitivas de modo a preparar o aluno para aprender a pensar de forma autónoma e crítica. Se levarmos os jovens a reflectirem sobre temas de carácter introdutório na prática do filosofar, esse será o ponto de partida para que este realize o constante exercício de colocar questões a si mesmo sobre tudo o que o envolve e, mais concretamente, sobre os valores vigentes na sociedade.
A nossa expectativa é que os alunos consigam obter um melhor desempenho, tenham um posicionamento mais crítico, com melhores hábitos de compreensão e intervenção e consequentemente com mais sucesso escolar e com uma maior auto-estima.
Jorge Marques

NETFILOSOFIA





http://rolandoa.blogs.sapo.pt/


Rolando Almeida é professor de Filosofia na Escola Secundária Gonçalves Zarco, no Funchal e criador do blog rolandoa.blogs.sapo.pt. O blog é ainda muito recente, pois começou apenas em 2006, mas já é um verdadeiro caso de sucesso.
Rolando AlmeidaE o engraçado é que o presente blog resultou da necessidade mundana de distribuir textos e trabalhos de filosofia, do modo mais eficaz e, ao mesmo tempo, do modo mais barato, poupando o dinheiro das fotocópias. Inicialmente a sua criação esteve ligada apenas a mais uma ferramenta de trabalho que o seu autor pensava ser muito produtiva para os seus alunos.
Entretanto, o blog mereceu algum destaque em páginas de instituições ligadas à filosofia e com espaço já estabelecido na internet, como a ligação da página da Sociedade Portuguesa de Filosofia ou da revista de filosofia Crítica, de Desidério Murcho.
No início do ano lectivo de 2006/07 o blog começou a ter muitas mais visitas o que talvez se deveu ao facto do blog ter sido referenciado no Rerum Natura, um dos blogs mais visitados do país e escrito por Carlos Fiolhais, Desidério Murcho, Jorge Buescu, Palmira Silva, Helena Damião, entre outros… Por sua vez, o Rerum Natura passou a ser um dos blogs de referência do jornal Público.
O Pensador de Rodin, a imagem de marca do blogMas o ponto mais alto do blog deu-se mais ou menos a meio do ano lectivo de 2006/07. Por essa altura Rolando Almeida decidiu fazer uma análise dos manuais de filosofia que estavam para adopção no final desse ano. Pensando que o seu trabalho seria mais uma entre outras tentativas de análise de manuais escolares, mas para sua surpresa foi o único artigo desse género publicado e como era de esperar causou alguma polémica. Polémica que favoreceu muito o blog. Assim em Maio de 2007, o blog passou a ter cerca de 200 a 300 visitas diárias, muita gente a comentar, muitos colegas professores a escrever, alguns autores de manuais a contactar. Foi a partir dessa altura quer o blog passou a ter objectivos muito mais vastos. Passou de um blog exclusivo para os alunos das turmas do professor Rolando para um blog destinado a um púbico mais vasto.
Actualmente o blog é muito citado em outros blogs e sites, começando a ter alguma projecção também no Brasil.
Neste momento, é dos blogs de filosofia mais visitados do país, senão mesmo o mais visitado, pelo menos dos blogs que são exclusivamente dedicados à filosofia. Rolando Almeida pretende criar um site que dê continuidade ao blog. Rolandoa.blogs.sapo.pt, um endereço a não esquecer.

terça-feira, 22 de abril de 2008

LIDO E REGISTADO


O ABRIGO OU A METÁFORA DOS REFUGIADOS

Estamos no mês de Fevereiro de 2022 e o mundo faz o balanço dos prejuízos causados pela guerra nuclear que rebentou no Médio Oriente em finais do ano passado. O nível global de radioactividade neste momento e nos próximos oito meses é tão elevado que só quem vive em abrigos atómicos pode ter esperança de sobreviver num estado de saúde razoável. Para os restantes, que têm de respirar ar não filtrado e consumir alimentos e água com elevados níveis de radiação, as perspectivas são terríveis. É provável que 10% morra nos próximos 2 meses de doenças provocadas pela radiação; pensa-se que mais 30% irá desenvolver formas fatais de cancro nos cinco anos que se avizinham e mesmo os restantes terão taxas de cancro 10 vezes superiores ao normal, enquanto o risco dos filhos nascerem com mal formações é 50 vezes maior do que antes da guerra.
Os afortunados, é claro, são aqueles que tiveram a precaução e a possibilidade de comprar um lote nos abrigos construídos pelos especuladores imobiliários quando as tensões internacionais começaram a crescer em finais de 2010. A maioria destes abrigos foi concebida como aldeias subterrâneas, cada uma com acomodação e mantimentos suficientes para as necessidades de 10 000 pessoas durante 20 anos. As aldeias são autónomas, com constituições democráticas que foram previamente acordadas. Possuem também sistemas de segurança sofisticados que permitem admitir no abrigo quem muito bem entenderem e manter de fora todos os restantes.
A notícia de que não será necessário ficar nos abrigos durante muito mais de 8 anos foi naturalmente saudada com alegria pelos membros de uma comunidade subterrânea chamada Porto Seguro. Mas também levou aos primeiros desacordos sérios entre eles. Por cima da galeria que conduz a Porto Seguro há milhares de pessoas que não investiram num abrigo. Essas pessoas são vistas e ouvidas por meio de câmaras de televisão instaladas à entrada. Imploram que os deixem entrar. Sabem que se forem rapidamente acolhidos num abrigo, podem escapar à maioria das consequências da sua exposição prolongada à radiação. Ao princípio, antes de se saber quanto tempo passaria até ser seguro regressar ao exterior, estes pedidos não tinham qualquer eco no interior do abrigo. Agora, porém, cresceu o apoio à admissão de, pelo menos, uma parte deles. Como os mantimentos só precisam de durar 8 anos, chegarão para mais do dobro das pessoas presentes nos abrigos. A acomodação apresenta problemas ligeiramente maiores. Porto Seguro foi concebido para funcionar como estância de luxo enquanto não fosse necessária para uma emergência real e foi equipada com courts de ténis, piscinas e um grande ginásio. Se todos concordassem em manter a forma fazendo aeróbica na sala de estar da sua casa, seria possível obter espaço precário, mas adequado, para alojar todos aqueles que os mantimentos podem sustentar.
De modo que há agora no interior muitos apoiantes daqueles que ficaram de fora. Os extremistas, a que os seus opositores chamam “lamechas”, propõem que o abrigo admita mais 10 000 pessoas – todas as que podem esperar razoavelmente alimentar e alojar até se poder regressar em segurança ao exterior. Isso implica desistir de todo o luxo na alimentação e nas instalações.
Aos ”lamechas” opõem-se algumas pessoas que defendem que quem está no exterior são geralmente pessoas de baixa categoria, pois não tiveram suficiente capacidade de previsão ou riqueza para investir num abrigo; daí que, segundo afirmam, causarão problemas sociais no abrigo, provocando uma maior tensão na saúde, bem-estar e serviços de ensino e contribuindo para o aumento da criminalidade e da delinquência juvenil. A oposição à admissão de pessoas do exterior também é apoiada por um pequeno grupo que diz que seria uma injustiça para com aqueles que pagaram pelo seu lote no abrigo se outros que nada pagaram também beneficiassem. Estes adversários da admissão de pessoas do exterior estão bem organizados, mas são pouco numerosos; contam, porém, com um apoio considerável por parte de muitos que dizem apenas que adoram jogar ténis e nadar e que não estão dispostos a prescindir disso.
Entre os ”lamechas” e aqueles que se opõem à admissão de pessoas do exterior situa-se um grupo intermédio: aqueles que pensam, que, como acto excepcional de benevolência e de caridade, se devem admitir alguns, mas não tantos que degradem significativamente a qualidade de vida no abrigo. Propõe que se transforme ¼ dos campos de ténis em dormitórios e se disponibilize um pequeno espaço público que, seja como for, tem tido pouco uso. Deste modo, podem alojar-se mais 500 excluídos, que os ditos “moderados” pensam ser um número considerável, suficiente para provar que Porto Seguro não é insensível à situação dramática daqueles que tiveram menos sorte que os seus membros.
Realiza-se um referendo. Há 3 propostas: admitir 10 000 do exterior; admitir 500; não admitir nenhum. Em qual das propostas votaria o leitor?

SINGER, Peter, Ética Prática, Lisboa: Gradiva, 2002, 2ª edição, pp.269-271.

Ser filósofo…

Ao procurar reflectir sobre o conceito “Filosofia”, imediatamente percebi que o acto de filosofar é muito mais complexo do que simplesmente pensar. Por um lado, é procurar a explicação para tudo o que nos rodeia e tentar provar aquilo que pensamos através da argumentação, por outro, é tentar perceber que tudo aquilo que somos e tudo aquilo que nos diz respeito tem uma explicação.
É exactamente por este mesmo motivo que defendo que a Filosofia é uma actividade crítica, pois aceitar e recusar ideias através de fundamentos é um dos seus princípios fundamentais.
É também uma actividade crítica, não por criticar nem por dizer mal, mas sim por analisar cuidadosamente cada detalhe de todas as ideias apresentas, todos os pontos de vista, em busca do conhecimento que se pensa verdadeiro, em busca da verdadeira sabedoria.Ser filósofo é, por conseguinte, analisar todas as ideias com imparcialidade, é pensar, pensar muito e não dizer “não” simplesmente para marcar a diferença, é ter a verdade como objectivo, mas sobretudo, sê-lo, é abrir-se e pensar livremente como um pássaro que voa sem destino, simplesmente por prazer, é dizer o que realmente achamos de uma determinada coisa ou assunto de forma fundamentada, é avaliar conscientemente e criticamente tudo o que nos envolve.

Joana Silva 10º

OPINIÃO


A filosofia como actividade crítica


Chama-se à filosofia uma actividade crítica, porque ao filosofarmos não nos limitamos a ouvir uma opinião e dizer “concordo” ou “não concordo”, para dizermos o que pensamos acerca dessa opinião. Com efeito, é necessário analisá-la criticamente e só depois apresentarmos o nosso ponto de vista, devidamente fundamentado.
Não se pode chamar a uma pessoa “crítica” só porque diz: “não concordo”, pois para se ser crítica é fundamental argumentar, explicar as razões porque o que se diz ser assim, ser dessa maneira.
Filosofar significa posicionar-se contra o dogmatismo, uma vez que as pessoas dogmáticas recusam-se a avaliar as suas ideias e não aceitam opiniões contra elas, mas apenas a favor ou contra outras ideias. Uma pessoa dogmática é fechada e numa discussão, só quer “ganhar”, não importa se tem razão ou não.
Para concluir esta breve reflexão importa dizer que se quisermos fazer uma boa análise de uma opinião ou ideia, temos “que abrir o espírito” e esquecermos os nossos preconceitos, pois só assim podemos pensar livremente e coerentemente sobre o assunto em questão

Marília Renata n.º 17, 10.º B