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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O DILEMA DOS PRISIONEIROS


No início da década de 1980, Robert Axelrod, sociólogo americano, fez uma descoberta notável acerca da natureza da cooperação. A verdadeira importância do resultado de Axelrod ainda não foi devidamente valorizada fora de um grupo restrito de especialistas. Encerra a potencialidade de alterar não apenas as nossas vidas pessoais, como também o mundo da política internacional.
Para compreendermos o que Axelrod descobriu, precisamos primeiro de saber algo sobre o problema que o interessou — um bem conhecido quebra-cabeças sobre cooperação chamado Dilema do Prisioneiro. O nome vem da forma como o quebra-cabeças é geralmente apresentado: uma escolha imaginária que se apresenta a um prisioneiro. Há muitas versões. Eis a minha:
O leitor e outro prisioneiro jazem em celas separadas da Esquadra Principal da Polícia da Ruritânia. Os agentes tentam fazer-vos confessar ter conspirado contra o estado. Um interrogador vem até à sua cela, serve um copo de vinho da Ruritânia, dá-lhe um cigarro e, num tom de amizade sedutora, propõe-lhe um acordo.
— Confesse o crime! — exorta ele. — E se o seu amigo na outra cela…O leitor protesta, alegando nunca ter visto antes o prisioneiro que se encontra na outra cela, mas o interrogador ignora a objecção e prossegue:
— Ainda melhor, então, se ele não é seu amigo; pois, como eu estava a dizer, se o senhor confessar, e ele não, usaremos a sua confissão para o engaiolar a ele dez anos. A sua recompensa será a liberdade. Por outro lado, se for estúpido ao ponto de se recusar a confessar, e o seu "amigo" na outra cela confessar, será o senhor a ir para a prisão dez anos, e ele será libertado.
O leitor pensa nisto durante algum tempo e percebe que não tem informação suficiente para decidir, por isso pergunta:
— E se confessarmos ambos?
— Então, e uma vez que não precisamos realmente da sua confissão, não sairá em liberdade. Mas, tendo em conta que estavam a tentar ajudar-nos, passarão os dois oito anos na cadeia.
— E se nenhum de nós confessar?
Uma expressão de desdém perpassa o rosto do interrogador e o leitor receia que ele esteja prestes a golpeá-lo. Mas o homem controla-se e rosna que, então, uma vez que não terão provas para a condenação, não poderão manter-vos lá dentro muito tempo.
Mas acrescenta:
— Não desistimos facilmente. Ainda podemos manter-nos aqui seis meses, a interrogar-vos, antes de os sacanas da Amnistia Internacional conseguirem pressionar o governo para vos tirar daqui. Portanto, pense no assunto: quer o seu colega confesse, quer não, o senhor ficará melhor se confessar do que se não o fizer. E o meu colega vai dizer a mesma coisa ao outro tipo, agora mesmo.
O leitor reflecte no que ele disse e compreende que o guarda tem razão. Faça o que fizer o estranho na outra cela, o leitor ficará melhor se confessar. Se ele confessar, a sua escolha é entre confessar também, e apanhar oito anos de prisão, ou não confessar, e passar dez anos atrás das grades. Por outro lado, se o outro prisioneiro não confessar, a sua escolha é entre confessar, e sair livre, ou não confessar, e passar seis meses na cela. Portanto, parece que o melhor a fazer é confessar. Mas, então, ocorre-lhe outro pensamento. O outro prisioneiro está exactamente na mesma situação. Se, para si, é racional confessar, também será racional para ele confessar. Assim, passarão ambos oito anos na cadeia. Por outro lado, se ninguém confessar, ambos ficarão livres dentro de seis meses. Como pode ser que a escolha que parece racional, para cada um dos dois, individualmente — ou seja, confessar — vos prejudique mais a ambos do que se decidirem não confessar? O que deve fazer?
Não há solução para o Dilema do Prisioneiro. De um ponto de vista puramente do interesse próprio (aquele que não toma em consideração os interesses do outro prisioneiro), é racional, para cada prisioneiro, confessar — e se cada um fizer o que é racional do ponto de vista do interesse próprio, ficarão ambos pior do que ficariam se tivessem escolhido de outro modo. O dilema prova que quando cada um de nós, individualmente, escolhe aquilo que é do seu interesse próprio, pode ficar pior do que ficaria se tivesse sido feita uma escolha que fosse do interesse colectivo.

SINGER, Peter, Como Havemos de Viver – a ética numa época de individualismo, 1ª edição, 2006. Lisboa: Dinalivro, pp. 242-244

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O QUE DIRIA SÓCRATES?


O último volume da colecção Filosofia Aberta da Gradiva intitula-se O que diria Sócrates?
Este é um livro imprescindível para os estudantes de filosofia, mas também para todo e qualquer público que se interesse minimamente por questões mundanas.
Este livro é uma prova admirável de como a filosofia está cada vez mais viva e actual. Nele, o leitor encontrará formuladas e respondidas muitas das questões filosóficas que certamente já se colocou nas situações mais banais e inesperadas da sua vida: por exemplo interrogações acerca do que é certo ou errado fazer em determinadas situações, acerca da morte, do valor da vida, da natureza da arte, do amor, do sexo, da guerra, da verdade, da tolerância, da linguagem. Trata-se de questões que centenas de pessoas comuns dirigiram a filósofos distintos, através do já mundialmente célebre sítio da internet askphilosophers.org, e às quais eles procuram responder de forma muito simples e acessível, mostrando que os filósofos não são aqueles seres esquivos e solitários que quase só falam uns para os outros, como se vivessem num mundo à parte. Tal como Sócrates, também estes filósofos discutem directamente com o cidadão comum, desafiando-o a pensar melhor e a reavaliar as suas ideias.
Que Diria Sócrates? é um livro inteligente e estimulante, que dificilmente deixará decepcionados tanto o leitor comum como o candidato a filósofo, amador ou profissional. Em especial, os professores de filosofia encontrarão aqui um manancial de exemplos interessantes e actuais de muitos dos problemas filosóficos discutidos nas suas aulas.
Em Que Diria Sócrates? são abordados problemas filosóficos tão diferentes como:
Se todas as vidas terminam com a morte, como pode a vida ter algum valor?
O tolerante deve tolerar a intolerância?
Não existe má arte?
É moralmente errado lucrar com os erros ou a estupidez das outras pessoas?
É moralmente errado dizer às crianças que o Pai Natal existe?
Estarei moralmente obrigado a dizer à minha parceira (ou parceiro) sexual se fantasio com outra pessoa quando estou a fazer amor com ela (ou ele)?
O valor da vida de uma pessoa diminui à medida que a idade dela aumenta? Não é verdade que a maior parte das pessoas escolheria salvar um indivíduo de dois anos do que um de sessenta? Há alguma justificação para esta escolha?
Qual a diferença entre um terrorista e um combatente pela liberdade?
As perguntas foram seleccionadas entre as muitas enviadas para o popular sítio da internet askphilosophers.org. Usando não apenas os seus conhecimentos sobre as ideias e os argumentos avançados por pensadores como Aristóteles, Camus, Locke e Sócrates, mas também as suas próprias reflexões, reputados filósofos contemporâneos tratam problemas difíceis num estilo acessível, pessoal e mesmo divertido. São problemas tão antigos e intemporais como a existência de Deus e o sentido da vida, mas também temas quentes da actualidade como a eutanásia, a guerra e a manipulação genética.
Tratando de problemas reais, formulados por pessoas reais de todo o mundo — médicos, advogados, pessoas sem escolaridade, idosos e até crianças — Que Diria Sócrates? dirige-se a quem procura esclarecimento e orientação para pensar criticamente sobre a vida e o mundo. Concorde-se ou não com as respostas — por vezes os próprios filósofos dão respostas discordantes entre si —, este livro recorda-nos as famosas palavras de Sócrates «uma vida não examinada não merece ser vivida» e, ao fazê-lo, encoraja-nos a pensar melhor e mais filosoficamente.
O livro ainda não existe na biblioteca da escola, mas deve ser uma prioridade a sua aquisição.

Boas leituras…

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

ANEDOTAS FILOSÓFICAS


Um homem escreveu uma carta para as finanças onde dizia: “Não consigo dormir sabendo que adulterei a declaração de impostos. Não declarei todo o imposto cobrável e enviei um cheque de 150 dólares. Se as insónias persistirem, enviarei o resto.”

Uma boa anedota acerca do emotivismo.

Morty chega a casa e encontra a mulher com Lou, o seu melhor amigo, nus na cama. No momento em que Morty se prepara para abrir a boca, Lou salta da cama e diz:
- Antes de dizeres alguma coisa, velho amigo, em que é que vais acreditar, em mim ou nos teus olhos?

Quem é que não descobriu que esta piada era sobre o empirismo?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Comentário do filme “I am Sam”


O que é ser deficiente?! O facto de uma pessoa possuir qualquer tipo de atraso mental, não significa que seja menos apta para trabalhar, casar, ter filhos, uma casa, conduzir... São pessoas normais que têm as suas limitações como todos nós temos. Se considerarmos que são deficientes por não conseguirem ter noção do perigo, do bem, do mal, das necessidades de outros, etc. então o nosso mundo está repleto deles. Os bêbedos, os drogados, os surdos, os cegos, os bebés, neste sentido, seriam todos “deficientes”. Talvez a única diferença seja a “doença” destes estar no cérebro. Pois bem, e depois?! São pessoas que têm direito è vida e a tudo de bom e mau que ela nos dá.
O Sam sofre de um atraso mental. Possui corpo de homem e cabeça de criança. Tem a mentalidade de uma criança de sete anos. Tem uma casa, um emprego, amigos e uma filha que acaba de fazer sete anos. Querem tirá-la porque dizem que ele não tem condições para a criar. Mas quais são as condições especiais, além de amor e afecto que mais se precisa?! Eu acho bom ser-se criança. Estas pelo menos dizem a verdade, choram quando o têm de fazer e principalmente são justas.
A vinculação é tudo isto. Cada pai/mãe dá aquilo de que é feito ao seu bebé. O Sam é feito de alegria, brincadeira, amor e preocupação. Talvez seja a perfeição. Mas o mais importante é a mensagem que o Sam irá transmitir à sua filha de nunca desistir das coisas, por muito impossível que pareça há sempre uma saída. O problema da questão é que a sua filha está a regredir na escola porque não quer que o seu pai saiba menos que ela. O pai é um ideal para qualquer filho e como tal, eles tendem a igualar-se. Aqui está o verdadeiro problema. O Sam seria capaz de demonstrar à sua filha que ela é a coisa mais importante e que ficaria orgulhoso em saber que ela é inteligente. Só que o Sam tem a mentalidade de sete anos. Como iria fazer entender-se?! Mas por mais difícil que seja expressarmo-nos alguém adivinha os nossos pensamentos, relação pai e filha.
Tirar um filho a um pai deve ser do pior que há no mundo. Para mim o melhor pai é aquele que percebe a necessidade do filho e sabe responder de forma firme e afectiva à sua necessidade. E acho que nisto o Sam tem todo o mérito.
Para mim não há nada melhor que um filho sentir-se desejado. Isto é raro ver hoje em dia, quando os pais “despejam” os filhos na escola o dia todo. Sendo à noite o único tempo que têm para estar com eles, que muitas vezes é compensado por uma ama. Pelo que vi no filme, o Sam nunca faltou à sua filha. Os médicos aconselham os pais a terem mais do que um filho, para fazerem companhia um ao outro. E o Sam é como um pai/irmão para a sua filha.
A conclusão que tirei é que a sociedade talvez esteja enganada. Porque quem é “deficiente” somos nós, os ditos “normais”. Somos nós que fazemos os filhos para sustentar um casamento, somos nós que os entregamos a não sei quem, somos nós que os enterramos num colégio a tirar um curso que não quer, somos nós que não falamos com eles. Os ditos “deficientes”, esses sim são pessoas “normais”, porque vivem numa sociedade que não é a deles, integram-se e depois ainda têm de se sujeitar a regras que não são para eles. Talvez sejam deficientes porque agem com o coração e não com a cabeça. E o mais importante de tudo, eles valorizam a entre-ajuda. Eis o seu sucesso!

Sara Fernandes 12º B

sábado, 24 de janeiro de 2009

Haverá algo de moralmente errado em abortar?


NÃO
O problema do aborto é controverso, intemporal, religioso e moral. Atravessa gerações, países, classes sociais. Foi tema de conversa no café, de discussão na Assembleia e de votação num referendo. Aborto: haverá algo de moralmente errado em abortar?
Para responder a estas e mais questões, elaborei o presente ensaio que visa argumentar e defender a minha posição face ao problema. A um problema que diz respeito a toda a gente, a um problema sobre o qual a maior parte das pessoas desconhece as leis e as verdades. Um problema onde existirão sempre dois lados, duas opiniões, dois modos de julgar.
Quem vê realmente algo de moralmente errado em abortar recorre, habitualmente, aos seguintes argumentos:
· a afronta que o aborto representa à dignidade da pessoa humana, considerando que, ao feto, é atribuída uma “alma” no momento de concepção, e portanto, abortar é um assassínio, um pôr termo à vida de um ser humano;
· o direito à vida. A maioria dos opositores concorda com o aborto em caso de violação da mulher, por ser a única circunstância em que a responsabilidade da gravidez não é sua.
Eu não acho que haja algo de moralmente errado em abortar. Não me acho capaz de cometer tal acto, mas não censuro quem o comete. Por vezes, acaba por ser melhor não ter uma criança, que sujeitá-la a um mundo onde ela ia sofrer. A mulher, melhor que ninguém, sabe as condições que tem para sustentar e educar aquela criança. Moralmente errado é ter filhos e espancá-los, abusar sexualmente deles, matá-los, explorá-los. Isso sim, é moralmente errado.
Se virmos por exemplo o argumento seguinte defendido pelos opositores - o feto é, em potência, um ser humano; todos os seres humanos têm direito à vida; logo, o feto tem direito à vida – é fácil constatar que estamos em presença de um mau argumento. O argumento em questão foge à questão. Em discussão está a segunda premissa, e por isso não podemos incluí-la num argumento. Se um ser tem potencialmente um direito, é falso que tenha, efectivamente, esse direito. Enquanto aluna desta escola sou potencialmente presidente da associação de estudantes; mas isso não me dá os direitos do presidente da associação de estudantes. Esta objecção acaba, também ela, por fugir à questão. Se o feto tivesse direito à vida desde a concepção, seria escusado falar-se de estatuto de potencialidade.
Se uma criança quando nasce tem direito à vida, e sabendo que não há grande diferença entre a criança dois minutos antes de nascer, e acabada de nascer, o direito é o mesmo. E, pelo mesmo raciocínio, teria o mesmo direito quatro minutos antes de nascer e assim sucessivamente até ao momento da concepção. No entanto, este argumento é falacioso. Utilizando um argumento análogo temos: o Manuel não é careca; o André tem menos um cabelo que o Manuel; logo, o André também não é careca. O Joaquim tem menos um cabelo que o André; logo, o Joaquim não é careca. Chegando ao caso do João, que não tem qualquer cabelo na cabeça. Ao dizermos que o João também não é careca, estamos a ser consistes, mas, no entanto, isso é falso.
Mesmo havendo pessoas que se encontram no limiar do careca ou com cabelo, há pessoas carecas ou não carecas. Assim sendo, o facto de um recém-nascido ter direito à vida, não implica que um feto de um mês também o tenha.
Os defensores do aborto, deparam-se sempre com um enorme problema: argumentar, perante os opositores que um feto não é um ser humano, mas um recém-nascido já o é.
Há várias fases que servem de critério, sendo os mais comuns: a concepção, a implantação, a forma humana, a aceleração, a actividade cerebral inicial, a actividade organizada do córtex cerebral e a viabilidade.
Um recém-nascido tem algo em comum com um adulto, e daí terem ambos direito à vida. Então, o que tem o zigoto em comum com um adulto e com um recém-nascido, que lhe permita ter direito à vida? Pois, além do fraco argumento da potencialidade, usado pelos opositores do aborto, não encontro outra maneira de mostrar que o zigoto tem direito à vida.
Entre o sexto e o oitavo dias, ocorre a implantação em que o feto se “agarra” às paredes do útero. No entanto, a implantação nunca pode ser o critério correcto. O que é que existe ao sexto dia que não exista no quinto? Embora ocorram alterações hormonais no corpo da mulher, a importância a nível moral de tal fenómeno não é bem clara.
A forma humana é adquirida pelo feto por volta das seis a oito semanas. Será que tendo o feto a forma humana passa a ter direito à vida? Será que se eu der uma forma humana a um elefante, ele passa, apenas por causa disso, a ter direito à vida? Não. Se já não o tinha antes, não é agora que vai passar a tê-lo.
Será que na altura em que a mãe começa a aperceber-se dos movimentos do feto (16/17 semanas), este passa a ter direito à vida, com base nos laços que se criam entre os dois? A mim, este parece-me um mau argumento. Se o feto não tem direito à vida quando começa a mexer-se, também não deve começar a tê-lo quando a mãe sente esse movimento.
A actividade cerebral inicial mais não é que a presença de actividade eléctrica naquilo que virá a ser o cérebro. Inicia-se normalmente por volta das 6/10 semanas. No entanto, é, por si só, um dado irrelevante.
Às 30 semanas de gestação, o feto começa a ter actividade organizada do córtex cerebral. Nesta altura, estabelecem-se ligações entre as células, que até aqui eram “pequenas ilhas” sem comunicação entre elas. A partir desta altura o feto começa a pensar e a ter consciência, algo que o relaciona com o adulto humano e com o recém-nascido. Na minha opinião, é nesta fase que o feto começa a ter direito à vida.
Viabilidade é o nome que se dá à altura em que o feto é capaz de sobreviver fora da barriga da mãe, ainda que com recurso a assistência e cuidados médicos, e acontece entre as 20 e as 23 semanas. Há quem defenda que é nesta altura que o feto passa a ter direito à vida, pois já não precisa da mãe. Mas sabendo que a altura de viabilidade está directamente relacionada com a qualidade da tecnologia disponível, este argumento tem fragilidades. Quer dizer que, futuramente a viabilidade pode passar a ser mais cedo, logo o feto tem direito à vida mais cedo?
Por tudo isto atrás explicitado, não consigo achar moralmente incorrecto alguém abortar. Porque mesmo que se considere que o feto tem direito à vida desde o momento de concepção, e recorrendo a um argumento de Judith Thomson “mesmo que os fetos humanos tenham o direito moral à vida, o aborto é eticamente permissível, já que o direito moral à vida não implica o direito a beneficiar do corpo de outrem para assegurar a própria vida.” Mas sem querer entrar em campos mais sensíveis, acho que há argumentos bons e argumentos maus para ambos os lados, mas os argumentos que sustentam a opinião de que abortar não é moralmente errado, trazem mais benefícios para todos. Cada pessoa deve ser capaz de tomar as suas decisões, sem estar sob a pressão da censura de que vão ser alvo. Até porque eu acho que, mesmo concordando com a minha tese, quem faz um aborto, nunca fica de consciência tranquila, talvez por motivos que ultrapassam a simples opinião.

Francisca Pinhão, 10ºB nº 16

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Haverá algo de moralmente errado em abortar?


SIM
O aborto é um problema moral bastante complexo e as objecções a ambas as posições são inúmeras. A questão do aborto reside em ser moralmente correcto ou incorrecto. A posição deste está também relacionada com o estatuto moral do feto.
Eu considero o aborto moralmente errado por isso o meu objectivo é apresentar algumas razões para apoiar esta tese.
As definições dadas pelos defensores e pelos críticos do aborto divergem bastante sendo praticamente simétricas: os anti-abortistas defendem que os fetos possuem um certo código genético, característica que é simultaneamente necessária e suficiente para que estes possuam a propriedade de um ser humano; os defensores da posição pró-escolha afirmam que os fetos não são nem agentes racionais nem seres sociais e, como tal, não são seres humanos. Desta forma, a moralidade do aborto depende de se saber se o feto tem ou não estatuto moral, o qual lhe confere o mesmo direito à vida que nós e em virtude do qual será errado pôr fim à sua vida.
Um dos argumentos centrais contra o aborto é: é errado matar um ser humano inocente. Um feto humano é um ser humano inocente. Logo, é errado matar um feto humano. Usualmente, a segunda premissa é a negada pelos apoiantes do aborto mas, analisando bem, no desenvolvimento desde a fertilização do óvulo ao nascimento, não existe uma fase em que possamos assinalar uma linha divisória moralmente significativa até onde é admissível matar. Portanto, dizer que é permitido matar um embrião é dizer que os pais podem matar os seus filhos e, moralmente, isto não é aceite. Logo, os fetos têm os mesmos direitos de protecção que as crianças. A linha divisória não pode ser a do nascimento porque: estar dentro ou fora do corpo da mãe, não o torna menos digno; pelo facto de o feto depender da mãe não significa que esta tenha o poder de decidir se pode ou não continuar a mantê-lo; apesar de ter sido defendido pelos religiosos, com o tempo e com as novas técnicas, provou-se que o feto antes de ser sentido já se move.
A vida é a pior perda que podemos sofrer, porque a sua perda priva-nos de todas as experiências, actividades, projectos e prazeres que iriam fazer parte do nosso futuro e que valorizamos agora ou iríamos valorizar. Esta perspectiva tem consequências óbvias para a ética do aborto, uma vez que um feto normal tem um futuro que inclui todo um conjunto de experiências, actividades e projectos. A perspectiva dos anti-abortistas está, assim, sujeita a objecções. Consideremos alguém que não valoriza agora o seu futuro pessoal e que, devido a um desequilíbrio psicológico, será sempre incapaz de vir a valorizar as suas experiências no futuro. Embora essa pessoa tenha um futuro, não tem qualquer desejo corrente e actual de o preservar e nunca virá a ter esse desejo. Desta forma, no princípio do “futuro” defendido pelos anti-abortistas, não pode haver qualquer razão para o acto de matar essa pessoa ser imoral. Todavia, caso os desejos actuais desse ser se tivessem formado na ausência de qualquer desequilíbrio psicológico que o impedisse de desejar agora e no futuro a preservação das suas experiências, ele teria certamente esse desejo.
Em conclusão defendi a minha tese com um argumento central de que os fetos são seres humanos e por isso não é correcta a sua eliminação, utilizei também a tese de que os fetos têm um futuro semelhante ao nosso e por isso ao praticar-mos um aborto estaremos a privar o feto de um conjunto de experiências, actividades e projectos.
Bruno Cancela nº7 10ºB

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

COMENTÁRIO DO FILME “OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS”


Uma avioneta sobrevoando o habitat de uma tribo, de onde um dos seus tripulantes lança uma vulgar garrafa de Coca-Cola… é assim que o filme inicia.
De início a garrafa faz as delícias aos elementos da tribo. Passado algum tempo, esta simples e inofensiva garrafa começa a ser disputada, começa a trazer problemas, de tal forma que o chefe da tribo decide entregá-la aos deuses.
Durante a viagem do chefe este enfrenta encontros com novas e inesperadas situações, que este procura entender à sua maneira.
Rimo-nos muito desta personagem, tão radicalmente diferente de nós a vários níveis: no seu aspecto físico, na linguagem que utiliza, no modo como vê o mundo que o rodeia, nas suas convicções, atitudes e comportamentos. Esquecemo-nos assim, por alguns momentos, de que nós próprios temos, também, dificuldades em compreender realmente os outros, ou seja, aqueles que não partilham a nossa maneira de estar, que não têm a mesma visão do mundo, nem semelhantes expectativas e aspirações. Afinal, também nós olhamos o mundo tomando como ponto de referência a nossa própria cultura; atribuímos os mesmos significados aos fenómenos significativos que nos são familiares; formulamos, a respeito dos outros, intenções e objectivos; projectamos fantasias que só fazem parte da nossa imaginação. Talvez pensemos: “que ridículo, que falta de lógica”. Não nos apercebemos, se calhar, que nos estamos a rir de nós próprios, da imperfeição dos nossos raciocínios, das nossas opiniões pouco fundamentadas, das nossas prioridades, quantas vezes invertidas, sem nos preocuparmos, por um momento que seja, em questionar a sua validade e pertinência.
Mas, afinal, isto conduz-nos também a uma outra questão que tem a ver com a forma como encaramos as situações novas e os inevitáveis efeitos que estas provocam em nós e nos outros. A garrafa de Coca-Cola é a este título sugestiva, pois representa um elemento novo, introduzido artificialmente na vida de um grupo, que vai implicar alterações na vida social e suscitar as mais diversas reacções.
Porém, se reflectirmos um pouco, não é isto que fazemos, muitos de nós, na nossa cultura quando somos confrontados com situações de mudança e procuramos a todo o custo ignorá-las, permanecendo tal como somos, numa tentativa desesperada de evitar esses imperativos de mudança? Não temos, também nós, dificuldades em lidar com essas mudanças, cada vez mais frequentes e imprevistas, que a cada passo se sucedem na sociedade? Não manifestaremos semelhantes atitudes de rejeição face a elementos que, de alguma forma, podem abalar as nossas crenças, as nossas certezas e alterar o rumo das nossas vidas?
Assim, a fruição deste momento lúdico, poderia tornar-se numa ocasião de superação pessoal e de consciencialização da unidade que construímos enquanto seres da mesma espécie apesar das diferenças. Esta atitude daria com certeza um colorido muito especial à nossa existência e ajudar-nos-ia a enfrentar os inquietantes desafios do futuro.

Ricardo Ferreira 12º A

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Romance do Adolescente Míope


No dia doze de Fevereiro, estreia no Teatro Viriato, a peça – A Partir do Adolescente Míope. O espectáculo é um olhar sobre a adolescência através da descoberta ou redescoberta da obra literária de Mircea Eliade – O Romance do Adolescente Míope.
Descobri este livro extraordinário há vários anos, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, numa Festa do Livro. É pois, com expectativa que aguardo agora, a redescoberta da obra num espectáculo de música, teatro e dança.
Mircea Eliade, foi Historiador das Religiões, destacando-se também como romancista. Nasceu em 1907 em Bucareste e fixou-se em França após a segunda Guerra Mundial. Mais tarde, viveu e foi professor em Chicago, cidade onde viria a falecer em 1986. Entre as suas obras mais importantes destacam-se: O Tratado da História das Religiões, o Mito do Eterno Retorno e o Sagrado e o Profano.
Em 1993, foi editado em Portugal, pela D. Quixote, o primeiro romance literário que Mircea Eliade escreveu quando tinha apenas dezassete anos – O Romance do Adolescente Míope.
O livro foi escrito na transição da adolescência para a juventude. Uma vida fecha-se, o fim dos estudos no liceu e outra abre-se, a entrada na universidade. O herói do livro, que nada tem de conflitualidade romanceada, identifica-se com o próprio autor. Nele descreve o quotidiano de um adolescente, atormentado pelas contradições íntimas, pela nostalgia, pela tristeza, pela felicidade. “O sol brilha. O Sol escurece”. “Talvez a minha alma desejasse sentir-se triste, mas eu não a autorizei. É porque eu quis que fui feliz hoje.”
Numa linguagem cativante revela-nos a vida escolar, plena de sucessos e fracassos, as primeiras aventuras sexuais, a busca da sua identidade e sobretudo a necessidade de escrever da qual não consegue desvincular-se. Numa escrita límpida, sem pudor, revela-se um adolescente precoce. Gostava de saber o que é a alma mas considera que isso é o mais difícil de saber. Deseja ler Bergson mais do que estudar Química. Tem Horácio para traduzir e isso torna-o feliz.
O acto de escrever é tão urgente que o autor está obcecado pelo romance que não escreveu: “não o escrevi e a minha vida pesa-me, assim como a vida do adolescente que eu queria representar no meu romance.” O livro termina como inicia. A vontade e o prazer de escrever sobrepõem-se, por enquanto, à vontade de entrar na universidade. “O meu sótão ficou igual: doce, solitário, triste. Eu vou escrever O romance do adolescente míope. O meu livro não será um romance, mas um monte confuso de comentários, de notas, de esboços com vista a um romance. É a única maneira de surpreender a realidade: natural e dramática ao mesmo tempo. Vou escrever…”

Isabel Laranjeira

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cigana a dormir, 1897


O animal selvagem, apesar de faminto, hesita em atirar-se à sua vítima que, extenuada, caiu num sono profundo.
Henri Rousseau (1844-1910)
A obra artística, Cigana a Dormir, executada em tela panorâmica, é exposta em 1897 no Salon des Indepéndants, superando outras obras de pintores famosos. Contudo, esta tela de opostos ilógicos foi encontrada na loja de um comerciante de carvão em Paris, em 1923, suscitando grandes discussões sobre se seria ou não da autoria de Rousseau.
A geometria visível no jarro e no instrumento de cordas, o ângulo recto do braço e a linearidade da bengala, são formas antecipadoras do movimento cubista.
O simbolismo que encerra torna este quadro admirável. Trata-se de um encontro onírico e irracional. A noite de lua cheia que imprime misticismo à paisagem e o sono profundo da cigana contrastam com a juba esvoaçante e o olhar ameaçador do leão. De onde sopra a brisa nesta noite tão calma que torna rebelde a juba do animal selvagem e mantém inerte o vestido colorido? O pacífico e o ameaçador, surgem irredutíveis. Talvez o leão faça parte do sonho da mulher ou esta será talvez, a presa onírica do pintor.
Tudo se conjuga neste encontro de magia onde reina o mistério da alvura da lua em oposição à cor negra da cigana e à cauda iluminada do leão, ponta final do pincel do artista.
O estilo figurativo genuíno de Henri Rousseau concilia a ingenuidade das formas com a complexidade do tema e da composição.
Este quadro, assim como outros do pintor, representa um mundo exótico, fantástico, que evoca as emoções e os sonhos de uma realidade selvagem.
Representará, noutro sentido, uma alegoria de opostos políticos: a Paz na quietude da figura da cigana que dorme um sono profundo e a Guerra na imagem ameaçadora do leão.
Três anos antes, o pintor tinha representado a alegoria da Guerra, numa ousada composição, onde no amontoado de restos humanos é reconhecível o seu rosto. “A guerra assustadora deixa um rasto de desespero, lágrimas e destruição.” Não espanta portanto, que a obra, Cigana a Dormir seja o prolongamento da mesma alegoria mas agora um tributo à Paz Nacional, representada pela França. O leão ameaçador (a guerra) hesita em atirar-se à sua vítima, (a cigana) que caiu num sono de paz.

Isabel Laranjeira

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

INTENÇÕES E CONSEQUÊNCIAS


“E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia m que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.”
Susana Tamaro “Vai onde te leva o coração”


Será que nós comuns mortais, alguma vez ouvimos o nosso coração? Será que nos momentos de maior aflição, temos a calma suficiente para esperar, respirar fundo e só depois agir? Será que alguma vez temos o tempo e o silêncio necessário para ouvirmos o nosso coração, nesta tão agitada sociedade cheia de estímulos, barulhos, emoções e sensações em que vivemos?
Não, acho que não. Acho que na sociedade em que vivemos, não há tempo a perder, é tudo feito com pressa e às pressas, tudo numa correria. Tudo como se o mundo fosse acabar amanhã. É tudo vivido instantaneamente, não há metas nem planos a médio e a longo prazo. É tudo demasiado vivido no que nos dá um prazer instantâneo.
Qual é a consequência de uma vida baseada num prazer instantâneo? Pode ter algumas consequências boas, mas maioritariamente tem consequências más. Não sou apologista de uma “sociedade antiquada”, muito pelo contrário. Defendo as ideias modernas de organização da sociedade. Mas, acho que chegámos a um ponto em que já podemos definir a nossa sociedade. Entramos no inter-culturalismo que muito aprecio mas, ao mesmo tempo, entramos numa sociedade centrada em milhões e milhões de “eu’s”, em que o importante somos nós mesmos, os nossos prazeres, as nossas alegrias, a nossa maneira de arranjarmos um meio de subsistência, e em que os outros, os nossos amigos, a nossa família já fazem parte de um segundo plano. Algo acessório, quase com um extra, uma benesse para uma vida mais feliz…
Chegamos ao ponto, em que os outros quase não interessam e já nem ouvimos as ideias do nosso coração. Até as necessidades básicas das pessoas, tais como alimentarem-se, já faz parte de um segundo plano também, já não é feita com calma nem de uma maneira a tirar algum prazer do que ingerimos, é tudo feito à pressa de maneira a perdermos o menor tempo possível…
Quase que diria que… vivemos na sociedade do tempo egocêntrico. Em que tudo gira à sua volta, tudo é dependente dele e, um segundo perdido significa quase a perda de um império pessoal, porque o importe sou eu e os meus interesses. O resta não interessa.
Mas será que assim somos felizes ou que atingimos qualquer tipo de felicidade? Com efeito, podemos ter uma felicidade instantânea decorrente de algo imediato, mas não é possível concretizar um plano de felicidade para a totalidade da vida. Já é muito raro encontrarmos um casal em que vemos que o seu amor é para sempre. Vermos alguma coisa que consigamos dizer, “sim isto é para sempre!” já é tão raro. E fico triste, por isso, não é tão bom vermos esse tipo de coisas consideradas “eternas”.
Não temos tempo para nos sentarmos, para esperarmos, para respirarmos e ouvirmos o nosso coração. Não há tempo, o nosso interior deixa quase de ter importância, é muito mais importante não perder tempo. Todavia, isso faz-nos infelizes. Por isso, “recapitulando”, devemos sempre escutar o nosso coração. Mesmo quando pensamos que não, ele sabe sempre o que é melhor para nós… ele pensa a longo prazo, pensa numa felicidade para a vida, não se contenta com um prazer e felicidade instantânea, porque ele precisa de muito mais, algo que só o ouvindo com calma, silêncio e tranquilidade conseguimos perceber.
Mariana 11ºB

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

INTENÇÕES E CONSEQUÊNCIAS


Neste texto vou defender que na ética contam não só as intenções que nos levam a agir de determinado modo, mas também as consequências dessas acções.
Para mim, ética é uma disciplina que estuda a natureza do pensamento ético, os fundamentos gerais e os problemas concretos da vida. Se, a ética estuda os problemas concretos da vida não pode apenas basear-se apenas nas intenções, mas também nas consequências das nossas acções.
Imaginemos, por exemplo, que o Pedro é um bom rapaz e que costuma ajudar as pessoas idosas a atravessar a rua, mas numa dessas boas acções o Pedro não repara no sinal vermelho para peões, e a velhinha que era cega e que o Pedro ajudava a atravessar a estrada é atropelada. Não há dúvida que a intenção do Pedro era boa, mas a velhinha foi atropelada por causa de uma atitude precipitada e irresponsável do Pedro que devia ter olhado para o semáforo. Além disso, as consequências da acção do Pedro são muito más, pois a velhinha foi atropelada e consequentemente pode ter sofrido danos físicos muito sérios.
Agora põem-se outra questão: quem devemos responsabilizar por este acidente. O condutor não tem qualquer culpa, visto que o semáforo para ele estava verde e não conseguiu evitar o acidente. Devemos então culpabilizar a velhinha ou o Pedro? Uma vez que a velhinha era cega e que foi o Pedro que lhe disse para atravessar, o culpado é, sem dúvida, o Pedro.
Logo, na ética não podem contar apenas as intenções, mas também as consequências das nossas acções.
Sofia Pereira 11º A

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Contra o racismo


À partida todas as pessoas têm direitos. Contudo, verificamos que algumas dessas mesmas pessoas são vítimas de racismo.
Ora, o racismo é uma acção imoral que viola os direitos de algumas pessoas e uma acção imoral é aquela que vai contra a moral. Sendo uma acção que vai contra a moral, não deveria ser aceite por aqueles que se dizem morais e defensores dos direitos de todos. Ainda assim, constatamos que aqueles que se dizem morais não procuram combater o racismo, vivendo em conformidade com ele e não procurando pôr em prática a sua moral que não aceita actos imorais. Por conseguinte, aqueles que se dizem morais aceitam uma acção imoral, como é o caso do racismo, o que parece ser uma contradição.
Em conclusão, o racismo é uma acção imoral aceite pelos morais e pelos imorais.
Segundo o meu ponto de vista, pelo menos as pessoas que se dizem morais (que parecem!), deviam rever os seus códigos de conduta e não aceitar acções ditas imorais, porque deste modo, estão a pactuar “indirectamente” com as perversas mentes imorais e racistas.
Não basta parecer… é preciso efectivamente ser!
Joana Raquel 11º A

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

SOMOS TODOS DIFERENTES… MAS TODOS IGUAIS!


Ser diferente é uma questão de perspectiva: O outro é tão diferente aos meus olhos como eu o sou aos olhos dos outros.
Somos todos diferentes! Com efeito, todos temos personalidades diferentes, (até os gémeos verdadeiros) como maneiras de pensar, falar, ouvir e ver, a cor do cabelo, dos olhos e a pele. E, se não bastasse, vivemos em locais diferentes, com culturas, religiões e hábitos diferentes. Por vezes, estas diferenças geram um tipo de sentimento prejudicial contra aqueles que aparecem como não sendo iguais a nós, que não se enquadram na nossa raça ou que não têm os nossos hábitos. E isto é, talvez, sermos racistas. O Racismo é um modo de pensar que afirma apenas a superioridade de algumas raças e que despreza as outras. Penso que, felizmente nem todas as pessoas acolhem este tipo de sentimentos e pensamentos, porque ainda se encontram pessoas que se dedicam a desmistificar tais diferenças, que fazem voluntariado e que tomam a iniciativa de ajudar as pessoas de outras culturas.
O que me parece mais importante é, essencialmente, saber respeitar as diferenças, pois têm tanto de natural como de necessário para uma evolução cultural. É certamente impossível encontrarmos no mundo alguém igual a cada um de nós, no entanto, no meio da diversidade conseguiremos encontrar certamente muitas coisas em comum, às quais não damos grande valor, de tão “mergulhados”estarmos no preconceito, não dando assim oportunidade ao entendimento, que evitaria guerras e conflitos.
E para terminar, pergunto: Como pode castigar-se alguém só por ser diferente? Para quê desprezar quem não é igual a nós? Afinal se virmos bem, reduzidos a um ponto no Universo, somos todos iguais!...
Mariana Loureiro Nº18 11ºA

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pequenos Filósofos 7º C


Será o dinheiro sinónimo de felicidade?
O dinheiro é simplesmente uma palavra a que muitas pessoas dão valor. Com dinheiro pode comprar-se quase tudo, malas, sapatos, carros, casas, etc., mas não é por ter muitos bens que uma pessoa se torna feliz.
“A felicidade não se compra, conquista-se”.
Ser uma pessoa feliz é não se isolar num sítio e ficar ali a pensar só em si próprio. Acho que para sermos felizes devemos partilhar um pouco do que nós temos, fazer amizades, ou até ter simplesmente um pouco de carinho e amor para com todas as pessoas à nossa volta.
Para mim, o dinheiro não é sinónimo de felicidade, apenas é útil para comprarmos algo que necessitamos no nosso dia-a-dia, mas desde aí a ser sinónimo de felicidade…
Ana Ferreira
Férias de Verão
Era uma vez quatro amigos, João, Maria, Rafael e Margarida. Eram inseparáveis e muito amigos uns dos outros, de modo que quando pensavam nalguma coisa, faziam-no a pensar também nos amigos.
Um dia, um deles teve a ideia de irem acampar quando começassem as férias de Verão. Depois de todos terem falado com os seus pais, e estes acordaram que só os deixavam ir se não tivessem nenhuma negativa e passassem de ano.
Foi então que com muito trabalho e esforço que os quatro amigos lá conseguiram ter positiva a todas as disciplinas. Tinham cumprido o acordo. Já só faltava que terminassem as aulas.
Foi na primeira semana de Julho, logo pela manhã, carregados com todas as tralhas e mais algumas, que apanharam o “inter-cidades” e foram na direcção norte até Viana do Castelo. Chegaram lá por volta das 13h, e foram regalar-se com uns belos rojões típicos da região. Seguiram depois para o parque de campismo, mesmo junto da praça de touros lá do sítio.
Quando lá chegaram montaram as suas tendas, desarrumaram os sacos - cama e instalaram-se. Depois foram comprar alimentos para se aguentarem durante os tempos que lá iriam permanecer. E assim foi. No regresso vinham a pensar em ir dar um mergulho mas tiveram um problema, pois não tinham roupa para o fazer. Por sorte estavam a passar por uma loja dos chineses e decidiram ir lá comprar a roupa.
No acampamento as raparigas e os rapazes vestiram-se nas respectivas tendas e foram divertir-se para a água. Aconteceu que, numa brincadeira ao atirarem pedras uns aos outros o João feriu a Maria num dos dedos do pé direito. Muito preocupados saíram da água e aflitíssimos, deslocaram-se para junto do nadador salvador que lhe desinfectou a ferida. O dia tinha começado bem, mas parecia que iria acabar mal…De seguida, foram para as tendas mudar de roupa e como as raparigas demoram sempre mais que os rapazes estes decidiram tratar das tarefas a fazer à noite. Todas satisfeitas elas foram tagarelar sobre as últimas fofoquices, deixando os “pobres” rapazes a trabalhar.
A Maria, a rapariga que se aleijou, melhorou bastante e todos puderam continuar umas óptimas férias sempre muito divertidas no acampamento.
Ana Ferreira

domingo, 28 de dezembro de 2008

Pequenos Filósofos 7º A


A MORTE
A morte de uma pessoa é comum em todo o mundo, mas acho que nunca iremos acostumarmo-nos a isso. A morte do meu vizinho fez-me lembrar o falecimento recente do meu avô. Foi difícil. Por isso sei mais ou menos como as pessoas que perdem uma pessoa querida, sentem. Penso muito nisso e agradeço pela minha vida, saudável e viva, num mundo tão difícil.
A POBREZA
Hoje estive a ver uma reportagem sobre a pobreza que está a afectar muitos países. A situação dos países pobres está a piorar a cada dia. Fico a imaginar quantas pessoas morrem por dia de fome, enquanto algumas reclamam que não gostam disto ou daquilo.
Já passaram várias reportagens sobre a pobreza e as suas consequências, para que alguns percebam este problema e ajudem de alguma forma para diminuir as dificuldades das pessoas. Penso que se cada pessoa ajudasse teríamos um mundo mais alegre, acabaríamos até com a violência em alguns países que também está relacionada com a pobreza. Os estudos mostram que a cada dia a pobreza aumenta. Como será daqui a algumas décadas?
A pobreza diminuirá quando as pessoas se consciencializarem que ela não é um problema apenas das classes baixas mas sim de todos nós.
Fico revoltada com esta situação, mas a sua solução não depende só de mim!
PENSAR
Penso muito na vida. Reclamo muitas vezes de tudo e de todos, mas por vezes paro e penso que não posso ter tudo o que desejo e que as pessoas não são perfeitas. Mas logo estas reflexões saem da minha cabeça e volta os meus pensamentos egoístas.
Sei que tenho de agradecer por tudo o que tenho: uma vida com saúde, uma casa, uma família, comida todos os dias. Mas uma vida onde não sei em quem posso confiar, sem amigos verdadeiros e sinceros a meu lado, sentindo-me sozinha a cada minuto, com inveja do que as outras pessoas têm.
Mas também sei que a vida que tenho, para algumas pessoas, é perfeita, pois algumas delas não têm o que comer, vestir e onde morar.
Eu sou egoísta, mas também sei mais ou menos o que realmente é a vida, sabendo também que ainda tenho muito para aprender.
***
Às vezes é preciso parar. Às vezes é a vida que nos pára. Numa composição de um comboio, numa fila de trânsito não planeada, a falta de algo importante. Mas acontece que às vezes não nos damos conta que precisamos de parar. Parar para pensar: pensar na vida, na profissão, nos objectivos, nos sentimentos, etc. Às vezes damos conta do lugar onde nos encontramos e choramos, choramos porque sabemos que estamos errados, porque nos sentimos perdidos, ou quando estamos sozinhos longe de tudo e de todos. De vez em quando ainda temos um amigo, uma namorada, ou mesmo um psicólogo que nos ouve…mas o problema é quando não temos ninguém! Às vezes é preciso acreditar que alguém nos ouve, alguém que tenha capacidade para iluminar o nosso caminho, e nessa altura as ideias aparecem e os sentimentos de solidão desaparecem…
Uma coisa está sempre connosco – o nosso coração – e aí percebemos que estamos muito bem acompanhados, porque esta coisa maravilhosa que temos dentro de nós, ninguém a pode tirar.
A minha felicidade não depende apenas do que eu quero. Por exemplo, nem sempre me apetece estudar, mas eu sei que se estudar posso ir longe.
***
O mais forte não tem o direito de dominar o mais fraco, porque o mais forte pode ser forte apenas em algumas coisas e o mais fraco não será fraco para sempre. Quem se ri por último é que se ri melhor. Por isso o melhor é nunca andarmos a dizer que somos mais fortes ou que somos mais velhos.
No mundo dos animais não racionais eu acho que o mais forte tem o direito de dominar o mais fraco, porque é como uma lei o mais forte dominar o mais fraco para a sua alimentação e sobrevivência.
No mundo dos animais racionais eu acho que o mais forte não tem o direito de dominar o mais fraco porque estes têm os seus direitos e os mais fortes devem ter consciência disso.
***
A minha felicidade não depende apenas do que eu quero porque a minha felicidade pode ser a infelicidade de outra pessoa e é impossível ser feliz sozinho. Os amigos, familiares e namorados também têm os seus desejos e devem ser respeitados e dessa forma devemos construir uma felicidade conjunta e sincera.

sábado, 27 de dezembro de 2008

A VIDA É TÃO SIMPLES!


Tão simples, tão igual para todos... não há pessoas diferentes, não há heróis nem famosos que se distingam dos pobres e imperceptíveis. Todos erram. Todos sofrem. Todos têm defeitos, todos têm uma vida nas mãos. O maior peso e responsabilidade que nos deram logo no primeiro sopro.
Sim, depende de nós cuidarmos de cada pedaço que nos foi concedido. Dar sabor à vida, cor e sentido. Não basta carregá-la às costas e suportar uma tonelada de mal entendidos, é necessário dar força a nós mesmos para conseguirmos carregá-la até ao fim dos nossos dias! O corpo é tão frágil, o coração tão sensível... Nunca deveríamos ter problemas em assumir que erramos, choramos e sofremos! Porque não há quem nos possa criticar por isso! Quem não tem telhados de vidro? Mas se nos criticarem temos de saber e aprender a perdoar na hora certa! Porque essa hora existe! É aquela altura em que a dor que sentimos é tão forte, tão grande e insuportável que a queremos arrancar do peito a todo o custo. O momento certo é aquele em que precisamos de nos sentir bem, de qualquer maneira, e fazemos o que for preciso para isso. Se errarmos no momento certo, e perdoarmos sem devermos, não nos devemos preocupar depois, porque a vida encarregar-se-á de mostrar que errámos; tudo acontece por uma razão, nada por acaso! A razão de seres humanos que se autodestroem com actos irresponsáveis e mal pensados. Não somos os mais fracos só porque cedemos a tentações, nem os mais fortes porque acreditamos... mas devemos sempre acreditar, porque acreditar é dar sentido à vida. Se deixares de acreditar, continuas a viver, mas só em corpo, porque a tua alma está perdida! Está morta!
Se depois de sofreres, voltares a sofrer, não te arrependas do sim, mas do não! Fazemos tudo em função do nosso bem-estar momentâneo, e deveríamos usar mais a cabeça evitando o sofrimento... Mas muitas vezes a cabeça apodera-se do sentimento... Sentes que não mereces o que estás a passar, mas lembra-te que nada acontece por acaso! Talvez até tenhas razão, mas sê paciente e espera pelos acontecimentos do futuro... Podes achar que não mereces o mal, mas já pensaste quantas vezes já não magoaste outras pessoas? E algumas delas não te perdoaram? Dá valor aos que te seguram a mão, aos que te aconselham pelo melhor, aqueles que choram sem lágrimas contigo e te tentam mostrar o caminho certo seja qual for o momento, e não aqueles que te magoam cada vez que lhes dás a mão...Mas se assim preferires, se optares pelo errado, mais tarde saberás... a decisão é tua, e ninguém a pode tomar por tua vez... Eu até posso aconselhar-te, falar, pensar, mas só tu sentes! Porque só tu choras, por muito que tome as tuas dores, o grande sofredor és tu! E sabes porque sofres? Por decisões tomadas no passado... Mas as soluções surgem sempre, por mais difíceis ou inconscientes que sejam, e lembra-te também que nunca é tarde, seja qual for a situação!
O que importa é que tudo tem explicação. Sabes ouvi-la? Escuta a vida, ela fala contigo todos os dias. Por muito que tenhas de voltar ao passado vais perceber onde erraste se procurares bem... Todos os dias podes aprender!
E luta sempre, mesmo que te magoes ou tropeces e percas! Se não arriscares, nunca saberás se vale a pena ou não! E age sempre rápido, seja qual for a circunstância, ninguém te garante quantos mais dias vais viver!
Por isso te digo, tudo o que tiveres a dizer ou a fazer, seja a mim ou a outra pessoa qualquer, diz, faz, nunca adies nada! Podes nunca mais o poder dizer e fazer, e vais continuar a perguntar-te como teria sido se...?
Ana Carolina – 11ºB

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A sociedade que me rodeia


Não sou um sábio mas sim um discípulo da vida que através de experiências vividas, sente a necessidade de se expressar perante alguém que não me ouve. Essas experiências são momentos que nos ensinam a viver, a enfrentar obstáculos, a alterar as nossas atitudes para que assim consigamos sobreviver. Não é a minha intenção ferir a susceptibilidade de ninguém, mas sim falar de algo que se tornou nos dias de hoje um problema para todos nós: a sociedade. Nesta, a humildade, a sinceridade e outros valores que dignificam as pessoas de bem, têm dificuldades em subsistir nos dias que correm.
Solicito inspiração às minhas musas e elas acedem ao meu pedido. Existem razões óbvias para que essa inspiração surja. As situações vividas fazem-me olhar para o passado e dele retirar conclusões que no presente se reflectem no papel. Não posso deixar de dizer que a sociedade em que vivemos é quase sempre responsável pela mudança das nossas atitudes, pois regularmente reagimos com alguma frieza perante aqueles que não têm culpa pelos actos por outros praticados. Estaria a urdir se dissesse o contrário. Não só é responsável por isso como também é responsável pelas atitudes mais obscenas perante a dignidade humana, onde sobressaem a cobiça, a inveja, a injustiça, a falta de escrúpulos e sinceridade, ou seja, a inexistência do que é mais elementar para a definição do carácter dos seres humanos. Vivemos com toda a certeza num mundo em que não se olha a meios para se atingir fins, onde alguns usam a mentira, o poder, sei lá mais o quê, para mostrarem o prestígio sem prestígio e realizarem-se pessoalmente perante outros que tentam sobreviver a toda essa ganância obscura. Esquecem-se os valores primordiais, a moral, os princípios, tudo o que dignifica a imagem do homem, acusa-se sem causa justa, faz-se “trinta por uma linha” e ninguém diz nada! Muitas vezes questiono-me sobre qual o destino desta sociedade a que me refiro, pois o receio de muitos é que sejam “rebocados” inocentemente para um fim que não se deseja. Na minha opinião, o ser humano é perfeito quando nasce, a sociedade é que o corrompe. Esta é a frase “lógica” para se justificar a personalidade e o carácter de alguns. Comparo a sociedade actual a um período vivido na segunda metade do século XIX, relatado numa das grandes obras da literatura portuguesa escrita por Eça de Queirós: Os Maias. Para os que conhecem o seu conteúdo, recordam-se certamente do que se passava no Hotel Central, local em que se encontrava toda a sociedade podre da época. Hoje revejo em grande parte essa mesma sociedade. Era corrupta, sem o mínimo de dignidade, e que simplesmente mostravam na praça pública a nódoa que os manchava. É a necessidade de sobreviver perante uma sociedade em decadência que nos obriga a tomar certas e determinadas atitudes, que muitas vezes não fazem parte do nosso carácter. Mas, tem de ser, dizemos nós com alguma mágoa, pois estamos a ser aquilo que não somos nem queremos ser, somente para lutar contra essa terrível “praga” que são muitos dos seres humanos que nos rodeiam.
É tempo de dizermos …”chega!”, pois aos poucos vai-se aniquilando tudo o que um ser humano necessita para se caracterizar como tal. Se a minha insignificância tivesse significado, a minha voz se ouvisse e a minha imagem se visualizasse, talvez pudesse mudar um pouco o rumo desta realidade. Bastaria ocupar o lugar mais supremo de toda a humanidade, somente para num simples segundo dizer em voz alta, BASTA!

José Carlos Gonçalves Almeida Matos
Curso EFA Secundário B

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

EDITORIAL


Esta nova edição da Katársis vem na continuação do projecto assumido pelo grupo de filosofia, mantendo o objectivo de divulgar trabalhos dos alunos e dos professores participantes.
Procurámos melhorar alguns aspectos nesta nova edição e por isso mesmo desenvolvemos esforços no sentido de conseguir patrocínios para termos algumas páginas a cores, premiar os melhores textos e dessa forma incentivar futuros trabalhos.
Neste número disponibilizamos uma série de textos sobre temáticas comuns a todos nós e que por isso mesmo nos levam a reflectir sobre elas. Sejam a vida, a felicidade, a eutanásia, o racismo, a ética, todos estes temas tornam evidente a nossa incapacidade de resolver definitivamente tais problemas. E ainda bem! Doutra forma, esgotar-se-iam os pensamentos, as reflexões, e tudo seria previsível e verdadeiramente enfadonho.
Numa época de mudanças e conflitualidade, procuramos serenamente manter o nosso rumo e, embora por vezes o tempo seja limitado, não nos demitimos dos nossos compromissos.
Até breve!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ANEDOTAS FILOSÓFICAS


Um rapaz nova-iorquino está a ser levado pelo primo pelos pântanos do Louisiana.
- É verdade que um aligátor não nos ataca se tivermos uma lanterna? – pergunta o rapaz da cidade.
- Depende da rapidez com que transportares a lanterna – responde o primo.
Às vezes somos enganados pelo post hoc ergo propter hoc.
Um homem entra numa loja de animais e pede para ver os papagaios. O proprietário mostra-lhe dois papagaios lindos que estão na loja.
- Este custa cinco mil dólares e o outro custa dez mil – diz.
- Uau! – exclamou o homem. – Que faz o de cinco mil dólares?
- Este papagaio sabe cantar todas as árias compostas por Mozart – diz o proprietário da loja.
- E o outro?
- Canta todo o ciclo de O Anel de Wagner. E tenho outro papagaio nas traseiras que custa trinta mil dólares.
- Santo Deus! Que faz ele?
- Nada que eu tenha ouvido, mas os outros dois chamam-lhe “Maestro”.
Nem todas as autoridades são o que parecem.

domingo, 9 de novembro de 2008

VIDAS FILOSÓFICAS



Jean-Paul Sartre (1905–80)
Órfão de pai desde os dois anos, Jean-Paul Sartre sofreu as primeiras influências por parte de sua mãe Anne-Marie e de seu avô Charles Schweitzer, que o iniciou na literatura clássica desde cedo. Fez os seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV, onde conheceu Paul Nizan. De 1922 a 1924, estudou no curso preparatório do lycée Louis-le-Grand. Nessa época despertou o seu interesse pela Filosofia, influenciado pela obra de Henri Bergson. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde conheceu, em 1929, Simone de Beauvoir que se tornaria sua companheira e colaboradora até ao fim da sua vida. Sartre e Beauvoir não formavam um casal comum de acordo com padrões da época. Ambos possuíam amantes, e partilhavam confidências sobre as suas relações com outros parceiros. Este modo de vida violava os valores da tradicional sociedade francesa, que se escandalizou com essa relação. Apresentado à fenomenologia de Husserl por Raymond Aron, Sartre fica fascinado por essa escola que permite estudar filosoficamente cada aspecto da vida humana. Vai então para Berlim como bolsista do Institut Français. Durante esta viagem, conhece a obra de Martin Heidegger que se tornaria a base da primeira fase de sua carreira filosófica. De 1936 a 1939, ensina em Havre, Laon e Paris. Nesta época escreve as suas primeiras obras filosóficas: L'Imagination (A Imaginação) (1936) e La Transcendence de l'égo (A Transcendência do ego) (1937). Em 1938 publica La Nausée (A Náusea), um romance que é uma espécie de estudo de caso existencialista e que apresenta, em forma de romance, algumas das ideias que ele posteriormente desenvolveria na sua obra filosófica. Em 1939 Sartre alista-se no exército francês, e serve na Segunda Guerra Mundial como meteorologista. Em Nancy é aprisionado no ano de 1940 pelos alemães, e permanece na prisão até Abril de 1941. De volta a Paris, alia-se à Resistência Francesa, onde conhece e se torna amigo de Albert Camus (Do qual já conhecia a obra e sobre quem já havia escrito um ensaio extremamente elogioso a respeito do livro "O Estrangeiro"). A amizade entre Sartre e Camus perdurará até 1952, quando os dois rompem a relação publicamente devido à publicação do livro do Camus "O Homem Revoltado" no qual Camus ataca criticamente o estalinismo. Sartre defendia uma relação de colaboração crítica com o regime da URSS e permitiu a publicação de uma crítica desastrosa sobre o livro do Camus na sua revista "Les Temps Modernes" (crítica esta que Camus respondeu de maneira extremamente dura) e que foi a gota de água para o fim da relação de amizade). Mas até ao final da vida Sartre admirará Camus, como ele mesmo expressa nas entrevistas que teve com Simone de Beauvoir em 1974 - e que ela publicou postumamente. Em 1943 publica o seu mais famoso livro filosófico, L'Être et le néant (O ser e o nada), ensaio de ontologia fenomenológica, que condensa todos os conceitos importantes da primeira fase de seu sistema filosófico.
Em 1945, ele cria e passa a dirigir com Maurice Merleau-Ponty a revista Les Temps Modernes (Tempos Modernos), onde são tratados mensalmente os temas referentes à Literatura, Filosofia e Política. Além das contribuições para a revista, Sartre escreve neste período algumas de suas obras literárias mais importantes. Sempre encarando a literatura como meio de expressão legítima de suas crenças filosóficas e políticas, escreve livros e peças de teatro. Entre estas obras destacam-se a peça Huis Clos (Entre quatro paredes) (1945) e a trilogia Les Chemins de la liberté (Os caminhos da Liberdade) composta pelos romances L'age de raison (A idade da razão) (1945), Le Sursis (Sursis) (1947) e Le mort dans l'âme (Com a morte na alma) (1949). No período mais prolífico de sua carreira escreve ainda várias peças de teatro e ensaios. Na década de 1950 assume uma postura política mais actuante, e abraça o comunismo. Torna-se activista, e posiciona-se publicamente em defesa da libertação da Argélia do colonialismo francês. A aproximação do marxismo inaugura a segunda parte da sua carreira filosófica em que tenta conciliar as ideias existencialistas de auto-determinação aos princípios marxistas. Por exemplo, a ideia de que as forças socioeconómicas, que estão acima do nosso controle individual, têm o poder de modelar as nossas vidas. Escreve então sua segunda obra filosófica de grande porte, La Critique de la raison dialectique (A crítica da razão dialéctica) (1960), em que defende os valores humanos presentes no marxismo, e apresenta uma versão alterada do existencialismo que ele julgava resolver as contradições entre as duas escolas. Sartre adaptava sempre sua acção às suas ideias, e o fazia sempre como acto político. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras, lançado em 1964), relato autobiográfico que seria a sua despedida da literatura. Após dezenas de obras literárias, ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. Em 1964 ganha o prémio Nobel de literatura, que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição". Morre em 15 de Abril de 1980 no Hospital Broussais em (Paris). O seu funeral foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas. Está enterrado no Cemitério de Montparnasse em Paris. (in Wikipedia)

sábado, 8 de novembro de 2008

SOBRE O FILME “GODSEND”


O “Enviado” (Godsend) é um filme deveras interessante que relaciona a ciência com o terror e o supense.
O filme desenvolve-se em volta de um casal que tinha um filho de 8 anos, Adam, que morre um dia depois do seu aniversário. No dia do funeral do seu filho, um ex-professor da mãe de Adam, Richard Wells, cientista, propõe a possibilidade de trazer Adam de volta, através da clonagem.
No início os pais de Adam não aceitam, porém momentos mais tarde voltam com a palavra atrás e decidem arriscar. Tudo decorre naturalmente até o menino completar os 8 anos e começar a viver uma vida que não lhe pertence. A partir daí o comportamento de Adam começa a mudar, trazendo dúvidas, medos e receios aos progenitores, que realmente têm razão para os terem, pois Adam parece alucinado.
Este filme fala-nos pois da clonagem. Sabemos que esta é ilegal mas mesmo assim Richard arrisca-se a experimentar. Podemos fazer uma reflexão acerca das vantagens e desvantagens da clonagem. Será que as vantagens superam as desvantagens? Depois de ter visto este filme penso que ainda reforcei a minha posição contrária á clonagem, pois as suas desvantagens são bastante assustadoras.
O que no início é um conto de fadas, pois recuperamos alguém de quem gostamos muito, pode vir a tornar-se num pesadelo, pois não sabemos realmente com quem estamos a lidar. Aqui reforça-se a ideia que cada um é como é e essencialmente é insubstituível, pois por mais que tentemos copiar uma pessoa, ela nunca será igual à sua matriz.
No decorrer do filme apercebi-me de um erro que ocorreu no diagnóstico do problema das perturbações de Adam. Diziam que a memória do primeiro “Adam” teria ficado guardada nas células retiradas deste. Isso é bem assim, pois a memória não são apenas impulsos nervosos mas igualmente actividade mental.
O filme focou igualmente algo que é deveras importante: a ética profissional e a necessidade de discutir melhor o problema da clonagem, tanto técnica como moralmente.
Não conhecia o filme, mas fiquei a gostar imenso, serviu-me para ficar com uma ideia mais completa e concreta do que é verdadeiramente a clonagem e quais os seus riscos.
Ana Raquel Cruzeiro 12º B

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

PROBLEMAS DE LÓGICA


1- Mostre o que está errado com a seguinte pergunta:
Apoias a liberdade e o direito de andar armado?

2- Identifique a seguinte falácia:
Se eu abrir uma excepção para ti, terei de abrir excepções para todos.


Resolução dos problemas do número anterior
1 – Mostre o que está errado com o seguinte argumento:
Todos os grandes artistas são loucos.
Dali é louco.
Logo, Dali é um grande artista.

O argumento é inválido, pois o termo médio louco não aparece distribuído em nenhuma das premissas.

2 - Identifique a seguinte falácia:
O Paulo, coitado, é um rapaz com muitos problemas pessoais; logo, merece passar de ano.

Trata-se do argumentum ad misericordiam.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

NETFILOSOFIA


http://hermes-ascese.blogspot.com/
No dia 3 de Setembro último, o grupo de Filosofia da EB2,3/S de Oliveira de Frades criou o blog Ascese, a juntar aos outros dois (Em Busca de Sophia e Katarsis). Este blog apesar de ter pretensões menos ambiciosas que os anteriores, já que se destina a divulgar as actividades do projecto Filosofia para Crianças, tem tido, apesar de tudo, algum relativo sucesso, sendo visitado por muitos falantes de português do outro lado do Atlântico. Apesar de jogarmos em casa mais uma vez Ascese é a nossa sugestão deste número da Katársis.
Transcrevemos o artigo com que se iniciou o blog:
Levar a reflexão filosófica, o pensamento livre e assumido racionalmente para níveis de ensino, onde a filosofia se encontra habitualmente desarredada, é uma aposta da escola, uma aposta que queremos ganhar e os professores envolvidos tudo farão para não desmerecer a confiança depositada neste projecto.
Iremos tentar fazer um trabalho profícuo com os alunos, tentando conciliar a metodologia da filosofia para crianças com a metodologia de trabalho de área de projecto.
Um instrumento de trabalho com os alunos do 7º ano, entre inúmeros outros, será o presente blog que pretendemos ser um veículo de intercâmbio não só com os alunos mas também com a restante comunidade escolar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

“MAR ADENTRO” E O PROBLEMA DA EUTANÁSIA


Rámon é um tetraplégico que está preso a uma cama há 29 anos. A sua única janela para o mundo, é a janela do seu quarto, que o leva para o mar, mar onde Rámon ficou tetraplégico. O mar inunda mas a seguir engole, ele aproxima mas logo recua. Rámon mergulhou no mar quando este recuava e o resultado foi trágico: o pescoço partido; cabeça de um homem subitamente sem corpo. Apenas uma cabeça sonhadora, com sonhos de morrer. Rámon tornou-se um símbolo da luta pela morte.
Farto de estar há 29 anos preso numa cama, queria morrer, queria que o ajudassem a morrer. Há muito que Rámon luta pelo direito de pôr termo à sua vida, luta pelo direito à eutanásia.
Um tema tão polémico como a eutanásia não poderia ter sido tratado de uma forma tão simples, eficaz e bela como neste filme.
Na verdade ainda não tenho opinião definida sobre a eutanásia, que como o próprio nome indica é uma boa morte (“eu” e “thanatos”), em que uma pessoa acaba com a vida de outra para benefício desta. Este entendimento da palavra realça duas importantes características dos actos de eutanásia.
Primeira, que a eutanásia implica tirar deliberadamente a vida a uma pessoa.
Segunda, a vida tirada para benefício da pessoa a quem essa vida pertence é normalmente feita porque ela sofre de uma doença terminal ou incurável. Isto distingue a eutanásia da maior parte das formas de tirar a vida.
Além disso, quando o argumento acerca do significado moral da distinção entre matar e deixar morrer é apresentado no contexto do debate da eutanásia, tem de se considerar um facto adicional. Matar alguém ou deixar deliberadamente alguém morrer, é geralmente uma coisa má porque priva essa pessoa da sua vida. Mas quando se trata da questão da eutanásia é diferente. No caso da eutanásia a morte de uma vida é do interesse da pessoa. Isto significa que um agente que mata, ou um, agente que deixa morrer, não está a fazer mal, mas sim está a beneficiar a pessoa a quem a vida pertence.
Então, se os indivíduos acreditarem que a eutanásia seja uma forma de pôr fim ao sofrimento, porque não a eutanásia, já que se trata de uma escolha consciente do indivíduo?
Aqueles que defendem a admissibilidade moral da eutanásia apresentam como principais razões a seu favor a misericórdia para com pacientes que sofrem de doenças para as quais não há esperança e que provocam grande sofrimento e, no caso da eutanásia voluntária, o respeito pela autonomia.
Filipa Almeida 12º A

terça-feira, 4 de novembro de 2008

ENSAIO


A família Simões tem um filho de 7 anos que tem uma doença grave. Leucemia num estado adiantado. Ninguém da família é compatível e apesar da oferta de muitas pessoas, não aparece ninguém que tenha medula compatível.
A família Simões resolveu então conceber outro filho e com o auxílio da engenharia genética, puderam escolher um embrião completamente compatível com o filho mais velho. Assim nasceu a Joana, cujas células estaminais presentes no seu cordão umbilical salvaram a vida do João, o irmão.
Podemos considerar ético o comportamento dos pais em relação à Joana? Como se deve sentir a Joana sabendo que foi concebida unicamente para salvar o irmão?

Sim ou Não
Entende-se perfeitamente o facto de os pais quererem que o filho seja saudável, sendo totalmente natural, estes quererem o seu melhor e fazer de tudo para isso. Mas em jogo não está apenas a vida de um novo ser, mas a sua própria dignidade enquanto pessoa (Joana). Ao clonar-se as células do João, destrói-se a própria identidade da Joana, ou seja, a clonagem humana recebe um juízo negativo no que diz respeito à dignidade da pessoa clonada, que virá ao mundo em virtude do seu ser «cópia» (embora apenas cópia biológica) de outro indivíduo: esta prática gera as condições para um sofrimento radical da pessoa clonada, cuja identidade psíquica corre o uso de ser comprometida pela presença real, do seu «outro». E não vale a hipótese de se recorrer à conjura do silêncio, porque, seria impossível e igualmente imoral: visto que o ser clonado foi gerado para se assemelhar a alguém que «valia a pena» clonar, sobre ele recairão expectativas e atenções tão nefastas, que constituirão um verdadeiro e próprio atentado à sua subjectividade pessoal. No plano dos direitos do homem, uma eventual clonagem humana representaria uma violação dos dois princípios fundamentais sobre os quais se baseiam todos os direitos do homem: o princípio da paridade entre os seres humanos e o princípio da não-discriminação. A Joana poderia um dia mais tarde, reflectir sobre o assunto e chegar à conclusão que não passou de um objecto, mas também poderia pensar, que se não fosse a sua existência outro ser não teria uma «vida normal». Para os que entendem que o clone não implantado não é um embrião, os problemas éticos não têm relevância, já que o objectivo será melhorar ou curar doenças graves, o que em si é ético e louvável. Para os que não vêem diferenças entre o embrião “normal” ainda não implantado e o clone ainda não implantado, o problema ético é grave embora os fins sejam nobres. Em suma, o projecto da «clonagem humana» demonstra o desnorteamento terrível a que chega uma ciência sem valores, e é sinal do profundo mal-estar da nossa civilização, que busca na ciência, na técnica e na «qualidade da vida» os sucedâneos do sentido da vida e da salvação da existência. Eu pessoalmente, sentir-me-ia desconfortável se fosse um clone.
Ricardo Ferreira 12º A

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ENSAIO


A família Simões tem um filho de 7 anos que tem uma doença grave. Leucemia num estado adiantado. Ninguém da família é compatível e apesar da oferta de muitas pessoas, não aparece ninguém que tenha medula compatível.
A família Simões resolveu então conceber outro filho e com o auxílio da engenharia genética, puderam escolher um embrião completamente compatível com o filho mais velho. Assim nasceu a Joana, cujas células estaminais presentes no seu cordão umbilical salvaram a vida do João, o irmão.
Podemos considerar ético o comportamento dos pais em relação à Joana? Como se deve sentir a Joana sabendo que foi concebida unicamente para salvar o irmão
Manias de Sociedade

Joana é gerada com a finalidade de ajudar o seu irmão Pedro, com sete anos, à beira da morte porque a leucemia não o deixa viver. Os pais não são compatíveis, a família também não e não aparece ninguém que o consiga salvar. Só Joana, uma criança ainda não gerada o poderá salvar. Os pais decidem que dentro de nove meses o Pedro ficará bom, porque Joana, a sua irmã ira nascer para o salvar! E agora pergunto-me: Será esta atitude, uma atitude ética perante a sociedade? Penso que não.
Há muitos anos alguém definiu ética como a ciência que tem por objectivo o juízo de apreciação com vista à distinção entre o bem e o mal. E é isso que pretendo ao longo deste texto fazer, talvez desmistificar este quase problema que se impôs perante estes pais que para salvar o seu filho mais velho viram se na necessidade de gerar outro ser vivo! E qual é a finalidade desse ser vivo? A mesma que eu tenho, que tu tens ou que nós temos: percorrer um caminho que nos levará a algum lado. Todos nascemos com um propósito, com uma missão. Então, pensando bem será assim tão errado os pais terem decidido dar ao mundo ou novo ser? Não seria igualmente ingrato deixarem morrer aquele filho, havendo possibilidade de ele continuar a viver? E quem nos garante que aquela tal criança, a Joana não foi desejada por aqueles pais? Talvez ainda não tivessem encontrado o momento certo para a criança vir ao mundo, mas se (tal como aconteceu) pudessem juntar o útil (ter a criança) ao agradável (salvar o filho, mais velho) não se tornaria melhor? Voltando às evidências (da sociedade), que no meu ponto de vista não me pareceu assim tão evidentes. A sociedade acredita que a Joana não vai aceitar bem o facto de ter sido gerada pelos pais (também como a sociedade acha) apenas para salvar o irmão. Mas, quem nos garante ainda que a Joana um dia não se vai sentir orgulhosa de saber que salvou uma pessoa. Uma pessoa de nome Pedro que afinal era seu irmão.
Por que a nossa sociedade aceita normalmente uma doação de órgãos para salvar a vida a alguém e depois acha tão mal, ou põe ‘tantas limitações’ a este caso? Não se tratará praticamente da mesma coisa? Não será a Joana também a partir do momento em que foi gerada tão bem tratada como se não viesse ao mundo para ajudar o irmão?
Trata-se sem duvida de uma mania da sociedade, de não saber o que é eticamente correcto e o que é eticamente incorrecto.
Concluindo, eu fazia-o tal como os pais do Pedro fizerem. Tornar-se-ia uma dupla felicidade, sem dúvida.
E a sociedade que continue com a sua mania, afinal estes pais fizeram duas boas acções: Salvaram o Pedro e ainda geraram a Joana que concerteza se sentira imensamente feliz por ter salvo aquele irmão.

Filipa Almeida , nº11 12ºA

sábado, 1 de novembro de 2008

LIDO E REGISTADO


VER PARA LÁ DOS NOSSOS PONTOS DE VISTA

Quando éramos crianças fazíamos perguntas como as crianças as fazem, com total abertura. De onde viemos? Qual o objectivo da nossa vida? Qual a natureza do Universo em que vivemos? O que nos acontece quando morremos?Sabíamos que não sabíamos as respostas, e queríamos sabê-las. Não pressupúnhamos que as perguntas fossem irrespondíveis ou que estivessem para lá da nossa compreensão.
Enquanto crianças, estávamos cheios de espanto. O mundo espantava-nos. Como adultos pusemos de lado a nossa curiosidade infantil e vivemos numa estrutura de respostas que silencia as questões fundamentais que agora perderam o poder de nos agitar. Achámos as respostas, mas perdemos o mistério. Como é que isto aconteceu?
O problema não reside nas respostas práticas. Precisamos delas para viver bem. Muitas vezes, essas respostas são pressupostos profundamente escondidos que são tão basilares para as convicções que temos de nós próprios e do mundo que se torna até difícil de perceber que estamos a tomar algo como garantido. Muitas vezes esses pressupostos são respostas a perguntas que nem sequer chegámos a perguntar. No entanto, tais respostas metafísicas, imobilizadas pelo nosso anseio de segurança, acabam por nos imobilizar a nós.O principal obstáculo do estudo da filosofia não é ainda não sabermos o suficiente; longe disso. O principal obstáculo é já sabermos de mais. Este livro tem por objectivo ultrapassar tal obstáculo trazendo o leitor para o domínio da filosofia como o faria Sócrates se ainda estivesse entre nós: afastando-o das respostas durante o tempo suficiente, para que possa ter a experiência da sabedoria do desconhecedor.
A filosofia é uma actividade e não um corpo de conhecimentos. Como todas as actividades requer perícia. Que tipo de perícia? Em poucas palavras: a habilidade para nos vermos a nós próprios e ao mundo de muitas perspectivas diferentes.
O que é uma “perspectiva”? Uma perspectiva é, em termos aproximados, uma interpretação que vai para lá dos factos e que se apoia nos pressupostos, convicções ou valores da pessoa que faz a interpretação.
No nosso dia-a-dia, desenvencilhamo-nos perfeitamente bem ao apoiarmo-nos apenas nas nossas perspectivas. Mas mesmo no dia-a-dia, especialmente em alturas de conflito, a capacidade de abandonar as nossas perspectivas em prol de outras pode ser extremamente útil. Em filosofia, esta habilidade não é apenas útil, é essencial. Sem ela não podemos resolver problemas que são insolúveis no interior das nossas perspectivas habituais.
No fundo, sabemos que as nossas perspectivas não são as únicas válidas. Mas tendemos a expulsar esse acontecimento para a periferia da nossa consciência. Isto deixa-nos com um sentimento ameaçador e inconfortável, quando somos confrontados com pontos de vista contrários aos nossos. Quando admitimos que os nossos pontos de vista assentam, em última análise, em pressupostos questionáveis e baixamos os nossos escudos contra pontos de vista alheios, sentimo-nos inseguros. E assim deixamo-nos convencer a nós próprios de que os nossos pontos de vista são a única janela válida para a verdadeira realidade. E depois, quando precisamos de ver para lá das limitações dos nossos pontos de vista, ficamos confusos.
Obviamente, a solução é dissolver a cola que nos prende aos nossos pontos de vista familiares. Essa cola é a ligação emocional.
Kolak, Daniel e MARTIN, Raymond, Sabedoria sem Respostas – uma breve introdução à filosofia, 1ª edição, 2004. Lisboa: Temas e Debates Lda.,pp. 13-15