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quarta-feira, 23 de junho de 2010

A FILOSOFIA NO FEMININO




O que significa “a filosofia no feminino?” Habitualmente não falamos de filosofia no masculino ou no feminino mas falamos de Filosofia. Será que podemos defender que há uma forma específica feminina de pensar o mundo e os seus problemas?
Mary Warnock,(1924 -) pensadora inglesa considera que a diferença de sexo não é importante para fazer Filosofia. Tal como na Ciência, também na filosofia o sexo é irrelevante. Mary Warnock considera que há diversas maneiras de fazer filosofia, salientando que não há similitude de perspectivas na filosofia das mulheres.
Contudo, parece haver semelhanças no discurso filosófico das mulheres, quer a nível da forma, quer a nível dos conteúdos.
A nível da forma, as mulheres não produzem grandes tratados, nem grandes sistematizações. As mulheres exprimem melhor a sua forma de entender o mundo através do ensaio. A maneira como argumentam também é diferente em relação aos homens, problematizando os temas sem derrubarem sistematicamente as teses.
Na história da filosofia a mulher tem-se manifestado uma grande leitora de obras de filósofos e também uma grande interlocutora. A Princesa Elisabeth da Boémia ( 1596 -1662), é exemplo disso. Correspondeu-se com Descartes que a considerava tão dotada para as matemáticas como para a metafísica. Se houve uma viragem no pensamento de Descartes deve-se a ela pois questionou-o e levantou dúvidas sobre a concepção dualista de homem, levando o filósofo a rever a sua posição, enveredando assim, pelo caminho antropológico e ético que no início não estavam nos propósitos do pensador.
Com o exemplo de Elisabeth da Boémia verificamos que as mulheres interpretam o pensamento dos outros, descobrindo falhas, inconsistências e raciocínios pouco lógicos que os seus autores não tinham reparado.
Damaris Cudworth (1659-1708), conhecida por Lady Masham, filósofa da época moderna, foi correspondente de Lock e de Leibniz e levantou diversas objecções ao pensamento destes filósofos, contribuindo assim, para o esclarecimento da filosofia dos pensadores em causa.
É possível encontrar temáticas e conteúdos específicos nos textos filosóficos escritos por mulheres. Na época contemporânea, a ética e a política (não universalizando), parecem ser temas que agradam às mulheres filósofas. Nos séculos XVII e XVIII as temáticas incidiam sobre problemas éticos, religiosos e políticos. Outra dimensão da filosofia em que as mulheres se mostraram perspicazes foi na interpelação crítica de teses filosóficas que estavam na “moda”. Algumas levantaram dúvidas à dicotomia antropológica e à importância dada à alma. É o caso de Anne Conway ( 1631-1679), que valoriza o papel do corpo no conhecimento. Margaret Cavendish (1661-1717) critica as teses cartesianas, no que respeita à teoria dos animais máquinas. Demonstrou quanto absurda é a tese dos animais desprovidos de sofrimento e defendeu uma inteligência animal, admitindo que os animais são seres com um grau de racionalidade. Seria assim pioneira da ética animal, temática oportuna e do agrado de alguns pensadores actuais.
Para finalizar podemos dizer que a produção filosófica feminina no nosso tempo conhece grande desenvolvimento. Hanna Arendt (1906-1975), Susane Langer (1895-1985), Maria Zambrano ((1904-1996) Iris Murdoch (1919-1999) por exemplo, são nomes ligados a temas inovadores que ninguém com o mínimo de informação pode desprezar.
Isa.

Fontes: A Filosofia pela Rádio, Colecção Philosophica -Debates

O que os Filósofos pensam sobre as mulheres, Colecção Philosophica -Debates, Organização Maria Luísa Ribeiro Ferreira

terça-feira, 22 de junho de 2010

O "DRAMA" DE SER MULHER




“Ensinam-se os homens a pedir desculpas pelas suas fraquezas e as mulheres a pedir desculpas pelas suas forças.”
Lois Wise, americana, publicitária

Mulher, mãe, dona de casa,
Sem tempo, presente e ausente,
Que sofre, companheira, apaixonada,
Mulher, matriz da vida, abandonada…
Anónimo

"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."
Aristóteles, séc. IV a.C.)

"O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia."
Lutero, século XVI)

"Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súbditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado.”
Constituição Nacional inglesa (século XVIII)
"As mulheres nada mais são do que máquinas de fazer filhos."
Napoleão Bonaparte (imperador francês, século XIX)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

NO ENTARDECER DOS DIAS DE VERÃO


No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"

domingo, 20 de junho de 2010

NA ILHA POR VEZES HABITADA


Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a
verdade suportável:
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

MARÉS


Marés

Marés de um mar, ausente…
As ondas dos bosques salpicam de
Espuma -algodão a paisagem
Verde-água
E o porto de outro mar navegante
Com cavernas de monstros marinhos.

Nascem luas nas montanhas
E os barcos sulcam os jardins de algas
As árvores são peixes e as flores
São corais…metáforas…
E são bússolas as gotas das
Ondas espumantes.
Pérolas salgadas no corpo do mar
De portos, templos das deusas
Sereias lindas, vibrantes
Tritões etéreos e enigmáticos.

Marés imaginadas de sonhos
Onde os búzios falam,
Antíteses de outro mar presente ….
Marés…ou… metáforas?

Anabela B.

terça-feira, 15 de junho de 2010

MULHER...


Mulher…
Mulher é aquela que ama sem olhar.
É a que escuta sem se pronunciar.
É a que ajuda sem medir.
É a que percebe sem querer entender.
É a que singra sem magoar.
É a que chora por chorar.
É a que ajuda para se alegrar.
É a que se multiplica para executar.
É a que sonha para concretizar.
É a que quer viver para se sentir a completar.

Mariana Masteling - 12ºB

segunda-feira, 14 de junho de 2010

MULHERES FILÓSOFAS ii


Mulheres Filósofas (Hanna Arendt)
Quando olhamos para a história da filosofia à primeira vista temos a impressão que não houve mulheres filósofas. Se considerarmos o papel da mulher na cultura ocidental talvez se encontre uma resposta óbvia para tal. Não há mulheres filósofas tal como, não há mulheres cientistas, escritoras ou pintoras. Todos sabemos que durante muito tempo foi interdito à mulher certas aprendizagens, sendo-lhe vedado até, o acesso ao ensino universitário.
As tarefas domésticas sempre se impuseram como obrigação das mulheres, não lhes deixando tempo para o estudo e para o livre pensamento.
Contudo, é possível verificar a presença da mulher na filosofia ocidental. Se nos debruçarmos na época moderna constatamos que inúmeras mulheres escreveram e publicaram temas filosóficos. Algumas preferiram não publicar o que escreviam como Elisabeth da Boémia e Catherine Cokburn. Anne Conway, por exemplo, filósofa do século XVII, apenas foi redescoberta no nosso tempo, em 1982.
Actualmente a produção filosófica feminina conhece um grande desenvolvimento. Hanna Arendt, Susane Langer, Maria Zambrano, Mary Warnock, entre outras, apresentaram teses inovadoras que ninguém pode desprezar.
Hanna Arendt e Susane Langer são exemplos significativos de uma filosofia no feminino.
Hanna Arendt (1906-1975), judia e perseguida pelo nazismo, aprofundou estudos de filosofia e teologia, construindo teses a partir das suas vivências concretas. A vida de Hanna Arendt foi marcada por duas grandes guerras, pelo desprezo da vida e pela destruição, a uma escala nunca antes vista, de seres humanos e pela banalização do mal.
Fundamentou, neste sentido, um pensamento teórico em situações que observou e viveu. Acompanhou o julgamento de Eichmann, criminoso da segunda guerra mundial, que foi julgado pelos israelitas, verificando que este homem é mais um burocrata do que propriamente um perverso. Parte desta constatação para a construção de uma teoria ética sobre o poder, desenvolvendo um estudo sobre a vulgarização, banalização do mal.
Preocupou-se em articular a vida activa e a vida contemplativa, com a ligação entre a capacidade de pensar bem e a de agir correctamente. Reflecte sobre o que é pensar e conclui que é precisamente uma falha no exercício do pensar que pode conduzir a atitudes semelhantes às de Eichmann.
Na perspectiva desta pensadora, o anti-semitismo ultrapassa a questão judaica, é um fenómeno que permite responder a questões como o totalitarismo e o imperialismo. Uma das suas obras: “The Origins of Totalitarianism”, é uma análise profunda sobre o nazismo e o comunismo soviético, sobre o poder e sobre a violência, desenvolvendo hipóteses sobre estes princípios. Hanna Arendt reflecte sobre a vida política que faz do terror a sua essência. As ideologias dos sistemas totalitários, na sua perspectiva, destroem a capacidade humana de pensar e de sentir.
Hanna Arendt é um sinal bem evidente que nos leva a crer que as mulheres têm capacidade de reflectir, problematizar, argumentar e elaborar teorias, sendo possível falar de uma filosofia no feminino.
Isa.

Fontes: Filosofia pela Rádio, Colecção Philosophica - Debates, edição Antena 2
O que os Filósofos pensam sobre as mulheres, Colecção Philosophica - Debates, CFUL-Organização Maria Luísa Ribeiro

domingo, 13 de junho de 2010

SER POETA


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Este é, na minha opinião, dos poemas mais belos desta grande escritora. Nele reflecte sobre si própria e a sua profissão, fala da influência de um poeta, do dom que ele tem de ver e transformar o mundo num olhar e algumas palavras…
Exprime também o amor e o orgulho que tinha pela sua arte, que fazia questão de “gritar aos quatro ventos”.
Tal como é referido no poema, um poeta é um sonhador ambicioso, que não se contenta com o nada, o pouco ou mesmo o quase tudo. Só o infinito chega até que se conhecem novas coisas.
Tal como Fernando Pessoa, tema do primeiro número da revista Katársis deste ano lectivo, também esta grande senhora das letras fez uma reflexão sobre ela própria com tudo o que isso engloba.
Florbela foi uma grande escritora, que nos deixou obras de grande valor e, graças a isso, permanece e permanecerá na nossa memória de forma indelével.

Raquel Rei, 12ºB

sábado, 12 de junho de 2010

SOPHIA


Sophia de Mello Breyner Andresen: depuração e limpidez
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) nasceu no Porto, no dia 6 de Novembro de 1919. O seu pai, João Henrique Andresen, era neto de um dinamarquês, Jan Henrik. A sua mãe chamava-se Maria de Mello Breyner. Fez os estudos no Colégio Sagrado Coração de Maria, no Porto, e frequentou o curso de Filologia Clássica, na Faculdade de Letras de Lisboa. Com vinte e cinco anos publicou o seu primeiro livro, Poesia, que reune poemas escritos desde a sua adolescência. Casou com Francisco Sousa Tavares, advogado e jornalista, em 1946, passando a residir em Lisboa, onde desenvolveu a sua actividade entre a poesia e a participação cívica, muitas vezes em oposição ao regime de Salazar. Para além da poesia escreveu contos para crianças, inicialmente destinadas aos seus cinco filhos mas que rapidamente se transformaram em clássicos da literatura infantil portuguesa.

Sobre Sophia foi dito:
Foi sempre muito jovem,de carácter irrepreensível e segura de si, mas também distante, como se tivesse chegado de outro país e não tivera tempo de se adaptar àquele em que vivia. (…) tinha esse encanto de quem está sempre em estado de graça. A graça da poesia.
EUGÉNIO DE ANDRADE

Sophia, um nome que se transformou em sinónimo de poesia e de musa da própria poesia. Sophia rima com poesia.
EDUARDO LOURENÇO

Era uma mulher bonita, mais que bonita, elegante e graciosa, mas a sua beleza era um tipo de beleza fria, nórdica. Com virtudes de rainha.
AGUSTINA BESSA-LUÍS

A sua contenção de tom, a sua discreta fluidez, a simplicidade muito pura da expressão, qualidades suas das melhores, enganam quanto à energia, no entanto tão feminina, que os seus poemas contêm…
JORGE DE SENA

Obras de Sophia disponíveis na Biblioteca da Escola, algumas delas de leitura recomendada pelo Plano Nacional de Leitura:
- Poesia
- Dia do mar
- Coral
- No tempo dividido
- Mar novo
- Cristo Cigano
- Livro sexto
- A floresta,
- A noite de Natal
- O rapaz de bronze
- Primeiro livro de poesia
- Histórias da terra e do mar
- Fada Oriana
- O Cavaleiro da Dinamarca

Pesquisa: Maria João

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SIMONE DE BEAUVOIR


Simone de Beauvoir
Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir foi uma escritora e filósofa francesa que nasceu a 9 de Janeiro de 1908 e faleceu a 14 de Abril de 1986 em Paris.
Estudou na antiga Universidade de Paris - Sorbone onde, em 1929, concluiu Filosofia e conheceu Jean-Paul Sartre (Filósofo), de quem se tornou companheira.
Escreveu novelas, ensaios, biografias e monografias sobre temas políticos e sociais mas os temas principais recaíram sobre o existencialismo. Em 1945, Simone e Sartre fundaram e editaram Les Temps Modernes, uma revista mensal, da qual eles foram os principais colaboradores.
Simone de Beauvoir foi severamente criticada pelo seu tratado Le Deuxiéme Sexe (O Segundo Sexo 1949) no qual fala sobre o corpo da mulher e a sexualidade feminina quebrando importantes tabus da sua época.

Maria João

quinta-feira, 10 de junho de 2010

FINAL...


Editorial da Revista Katársis
Final…
Quando pensamos em “Fim” associamo-lo quase sempre a algo negativo ou triste. Mas, não poderá o “Fim” ser o início de algo novo?
Com esta edição chega-se ao fim um ciclo e de uma certa forma de vida. A partir de agora tudo será diferente…
Para alguns de nós já não haverá a Katársis para publicar, não haverá mais um professor apaixonado por cogumelos sempre a pedir-nos textos, não haverá mais uma relação professor – aluno tão próxima que se assemelha à relação de dois amigos.
Ficarão as saudades e as recordações.
As recordações de um primeiro embate não muito feliz com a filosofia, das aulas que nos levaram a melhorar continuamente as nossas capacidades de argumentação, o incentivo ao gosto pela escrita com os pedidos de textos para a revista e a conservação da relação de amizade, mesmo não havendo aulas em comum.
Apesar de a nossa caminhada nesta escola acabar dentro de pouco tempo, a amizade que criámos com professores, colegas e funcionários irá manter-se, tal como a colaboração com textos para a revista, se assim o autorizarem (E quiserem, claro!).
Por tudo isto, e por mais alguma coisa que agora podemos não nos lembrar, o nosso obrigada ao professor Jorge Marques.
Sendo nós duas meninas e depois de duas revistas sobre dois ilustres homens, aqui chega a nossa vez Mulheres. Uma revista ma sua maioria dedicada ao feminismo e à mulher na sua beleza, plenitude e amor.
Até sempre…
Raquel e Mariana 12ºB

quarta-feira, 9 de junho de 2010

MULHERES FILÓSOFAS



Hipácia de Alexandria
Nasceu em 355 d.C e morreu em 415 d.C.
Era filha de Theon, um importante filósofo, astrónomo e matemático, o que contribuiu para que crescesse num ambiente repleto de ideias e filosofia. Estudou na Academia de Alexandria, sendo na mesma que, mais tarde, viria a ser professora.
Hipácia foi reconhecida pelo seu fascínio pela lógica, matemática e astronomia. Não aceitava o cristianismo chegando a afirmar que a sua fé estava na filosofia e que o seu casamento era com a verdade o que gerou um descontentamento por parte do patriarca cristão Cirilo, que a passou a encarar como uma herege. Em 415 d.C, Hipácia foi reconhecida na rua e atacada por um grupo de cristãos enfurecidos que a arrastaram pelas ruas da cidade até uma igreja, onde o seu corpo foi dilacerado e lançado para uma fogueira.
Professora Maria João

REVISTA KATÁRSIS II


A revista katársis II é um projecto do grupo de Filosofia da Escola EB23/Secundária de Oliveira de Frades. Já vai no terceiro ano e consiste na divulgação de textos, poemas e coisas afins... dos alunos e professores. Na terceira e última revista deste ano destaca-se como tema fundamental: A Filosofia no Feminino. Muitas vezes os alunos questionam se não houve ou não há mulheres filósofas. Quisemos provar que é possível verificar a presença da mulher na filosofia ocidental. Hoje é inegável a produção filosófica feminina. Nos próximos dias irei divulgar textos e poemas de alunos e professores que participaram na concretização da Revista.

domingo, 6 de junho de 2010

OUTRAS REGIÕES, OUTRA LUZ


Crepúsculo em Veneza, 1908
O Noroeste de França, os cumes e as vastas pradarias da Normandia, as costas da Bretanha eram as regiões preferidas de Monet. O artista tinha-as percorrido em todos os sentidos de paleta e cavalete em riste. Todavia, algo o impele a deixar estas paisagens familiares para as substituir por outras, desconhecidas e de vegetação nova. Ele parte em busca de uma outra luz. Os pinheiros e as palmeiras da Riviera, a costa florida que brilha sob o sol de Inverno, a solidão dos dias brancos da Noruega, Londres imersa no nevoeiro e essa pérola irisada que é Veneza cativam o pintor. Sensível a tudo, mais ainda do que ao seu próprio território, encontra novos temas, novas sensações e descreve o seu entusiasmo aos que deixou em casa.

Monet, TASCHEN, Christoph Heinrich

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O QUE É A CIÊNCIA?


Paul Davies
A ciência tem de envolver mais do que a mera catalogação de factos e do que a descoberta, através da tentativa e erro, de maneiras de proceder que funcionam. O que é crucial na verdadeira ciência é o facto de envolver a descoberta de princípios que subjazem e conectam os fenómenos naturais.
Apesar de concordar completamente que devemos respeitar a visão do mundo de povos indígenas não europeus, não penso que coisas como a astronomia maia, a acupunctura chinesa, etc., obedeçam à minha definição. O sistema ptolemaico de epiciclos alcançou uma precisão razoável ao descrever o movimento dos corpos celestes, mas não havia qualquer teoria propriamente dita subjacente ao sistema. A mecânica newtoniana, pelo contrário, não apenas descrevia os movimentos dos planetas de modo mais simples, conectava o movimento da Lua com a queda da maçã. Isto é verdadeira ciência, pois revela coisas que não podemos saber de nenhuma outra maneira.
Terá a astronomia maia ou a acupunctura chinesa alguma vez conduzido a uma previsão que não tenha falhado nem seja trivial e que tenha conduzido a novos conhecimentos sobre o mundo? Muitas pessoas tropeçaram no facto de que certas coisas funcionam, mas a verdadeira ciência consiste em saber por que razão as coisas funcionam. Tenho uma atitude de abertura em relação à acupunctura, mas se tal coisa funcionar, apostaria muito mais numa explicação baseada em impulsos nervosos do que em misteriosas correntes de energia cuja realidade física nunca foi demonstrada.
Por que razão nasceu a ciência na Europa? Na época de Galileu e Newton a China era muito mais avançada tecnologicamente. Contudo, a tecnologia chinesa (como a dos aborígenes australianos) foi alcançada por tentativa e erro, refinados ao longo de muitas gerações. O boomerang não foi inventado partindo da compreensão dos princípios da hidrodinâmica para depois conceber um instrumento. A bússola (descoberta pelos chineses) não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo. Estes princípios emergiram da (verdadeira, segundo a minha definição) cultura científica da Europa. Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais que só mais tarde foram compreendidas. Mas os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência — tais como as ondas de rádio, a energia nuclear, o computador, a engenharia genética — emergiram, todos eles, da aplicação de uma compreensão teórica profunda que já existia — muitas vezes há muito tempo — antes da tecnologia que se procurava.
As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência são complexas, mas têm certamente muito a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por intermédio do pensamento racional, e com as três religiões monoteístas — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — e a sua noção de uma ordem na natureza, ordem essa que era real, legiforme, criada e imposta por um Grande Arquitecto.
Apesar de a ciência ter começado na Europa, é universal e está agora à disposição de todas as culturas. Podemos continuar a dar valor aos sistemas de crenças das outras culturas, ao mesmo tempo que reconhecemos que o conhecimento científico é algo de especial que transcende a cultura.

Paul Davies,
Tradução de Desidério Murcho, retirado de Crítica na rede

domingo, 30 de maio de 2010

1997 Março


Aqui estou eu não olho para trás
Só prometo o que sou capaz


O que há é o que estás a ver
Se queres melhor tens de fazer


Sei que esta vida é uma canseira
Sem querer faz-se muita asneira


Por isso digo toma cuidado
Por aí não vais a nenhum lado

Tu estas só
E eu sózinho
Só à espera de ti

As coisas boas custam a valer
Dão trabalho a conseguir

E se dizem que não vale a pena
Devem ter alma pequena

Por isso te digo agarra a minha mão
Não sou Jesus mas salvação
O que sei quando olho p'ra ti
És tudo para mim

Tu estas só
E eu sózinho estou à tua espera

Xutos e Pontapés

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PSICOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES


Pode dizer-se que toda a actividade humana está enquadrada por organizações. De facto, desde o nascimento até à morte os seres humanos estão integrados em organizações: estabelecimentos de ensino, empresas, associações e instituições de vários tipos. Assim, ao longo da vida aprendemos em escolas, recorremos aos hospitais e a repartições públicas, adquirimos bens em lojas, frequentamos restaurantes e divertimo-nos em discotecas, pertencemos a clubes e a associações desportivas e culturais, etc.
O psicólogo organizacional tem, entre outras, as seguintes funções: orientar o processo de selecção dos trabalhadores, coordenar a sua formação, promover a optimização do trabalho, analisar a relação entre o trabalho e as pessoas, explicar e procurar prever o comportamento das pessoas, acompanhar a gestão dos recursos humanos e analisar os processos de liderança.
O psicólogo organizacional exerce a sua actividade em empresas, organismos profissionais, clubes e associações, em instituições que desenvolvem a sua actividade em várias áreas de intervenção. A sua intervenção é mais activa nas organizações do trabalho.
As mudanças tecnológicas vieram introduzir grandes mudanças ao nível da organização do trabalho com consequências nas relações entre as pessoas. Além disso, passou a haver a necessidade de se facultar aos trabalhadores uma formação contínua para se poderem adaptar às inovações. Estas circunstâncias vieram tornar a intervenção do psicológo organizacional mais necessária e oportuna.
Psicologia B - 12ºano, Porto Editora

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PASSA UMA BORBOLETA




Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro

terça-feira, 25 de maio de 2010

VIRTUDE


VIRTUDE - Qualidade racional, disposição racional do homem para a aquisição da verdade e prática da justiça. Para Platão, as virtudes cardeais são a sabedoria prática ou prudência, o valor ou coragem e a temperança ou capacidade de dominar as paixões.


Sabedoria - Grau mais elevado do saber, conhecimento perfeito a que só os filósofos podem aspirar. Unidade da ciência. Não tem, em Platão, um sentido meramente teórico, mas também moral. Neste sentido, « o mais sábio será, também, o mais virtuoso».

O Pensamento de Platão, Vocabulário platónico, Mário Ferro e Manuel Tavares - Editoral Presença

domingo, 23 de maio de 2010

POEMA ECOLÓGICO


Sou um homem selvagem e não compreendo como é que uma máquina fumegante pode ser mais importante que o bisonte que nós só matamos para sobreviver.
Que seria dos homens sem os animais? Se todos fossem exterminados, o homem também morreria de uma grande solidão espiritual. Porque o que sucede aos animais também sucederá ao homem.
Tudo está ligado. Devem ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas dos nossos avós. Inculquem nos vossos filhos que a terra está enriquecida com as vidas dos nossos semelhantes, para que saibam respeitá-la.
Ensinem aos vossos filhos aquilo que nós temos ensinado aos nossos, que a terra é nossa mãe.
Tudo quanto acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem em si próprios.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos.
Tudo está ligado, como o sangue que une uma família. Tudo está ligado.
Tudo o que acontece à terra acontecerá aos filhos da terra.
O homem não teceu a rede da vida, ele é só um dos seus fios.
Aquilo que ele fizer à rede da vida ele o faz a si próprio.

Excerto da Carta do Chefe Seattle em 1854 ao Grande Chefe Branco de Washington

sexta-feira, 21 de maio de 2010

COMO SE CONSTRÓI A IDENTIDADE


O indivíduo socializa-se e constrói a sua identidade por etapas, no decurso de um longo processo que se exprime fortemente do nascimento à adolescência, e prossegue na idade adulta. De uma maneira permanente, a imagem que constrói de si próprio, as suas crenças e representações de si constituem uma estrutura psicológica que lhe permite seleccionar as suas acções e as suas relações sociais. A construção identitária e a imagem de si asseguram assim funções essenciais para a vida individual e constituem um dos processos psíquico de maior importância.
(...) O grupo funciona como catalizador privilegiado da identificação pessoal. Com efeito, a consciência de si não é uma pura produção individual. Resulta do conjunto das interacções sociais que o indivíduo provoca ou sofre. O grupo socializa o indivíduo e o indivíduo identifica-se com ele. Mas, ao mesmo tempo, esse processo permite ao indivíduo diferenciar-se e agir sobre o seu ambiente.
Assim, a identidade forja-se pela confrontação com diferentes situações às quais o sujeito tenta responder para ser integrado em diferentes grupos ao mesmo tempo que tem em conta as suas aspirações pessoais.

Psicologia B. 12ºAno - Dossier do Aluno, Porto Editora

quarta-feira, 19 de maio de 2010

GALILEU GALILEI


GALILEU GALILEI (1564-1642), filho de um músico começou por tentar entrar para um mosteiro antes de se lançar nas técnicas que o tornariam no mais avançado cientista do seu tempo. Embora nunca tivesse saído de Itália, as suas invenções, e descobertas foram anunciadas ao mundo inteiro. De forma extremamanete sensacional, o seu telescópio permitiu-lhe revelar uma nova realidade nos céus e reforçar a espantosa afirmação de que a Terra se move em redor do Sol. Por esta convicção, foi levado perante o tribunal da Inquisição, acusado de heresia e obrigado a passar os últimos anos de vida sob detenção domiciliária.

Logo que, enfim, seja autorizado a abandonar esta terra, centro dos meus infortúnios, se não de todo o universo, partirei sem remorsos, certo de ter agido dentro do respeito das leis - humanas ou divinas - e inteiramente para o bem da verdade e do progresso do saber.
Um único desgost0 continuará a atormentar-me até ao fim dos meus dias... o de não ter ousado lançar, à face dos meus juízes, as palavras que me queimavam na garganta: «E contudo move-se!»


A Filha de Galileu, Dava Sobel, Círculo de Leitores;

Galileu, Yves Chéraqui, Edições Asa

terça-feira, 18 de maio de 2010

GIORDANO BRUNO


GIORDANO BRUNO (1548-1600). Nasceu em Nola, na Câmpania, e foi frade dominicano. O seu temperamento e a inquieta atmosfera da época enredaram-no em longos conflitos com instituições e com doutrinas oficialmente estabelecidas. Daí uma vida agitada e errante - Itália, França, Inglaterra, Alemanha -ensinando, escrevendo, discutindo. Acabou por ser preso pela Inquisição, condenado como herege e queimado vivo em Roma. Considerado o «maior filósofo do Renascimento», as suas ideias sobre o mundo e sobre Deus abrem um novo «caminho que conduz a Spinoza, a Leibniz, aos românticos alemães» e se prolonga até aos nossos dias.

Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos , Giordano Bruno, Fundação Calouste Gulbenkian, 4ª edição

domingo, 16 de maio de 2010

SERÁ MORAL A ADOPÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS?



Neste ensaio, pretendo mostrar que a adopção por parte de casais homossexuais é uma atitude inaceitável. Está também, nos meus objectivos, mostrar que as crianças são seres portadores de autonomia e livre-arbítrio e não meros objectos.
Todas as crianças devem ser respeitadas. Um adopção homossexual de um criança pode conduzir a danos graves e permanentes na mesma.Do ponto de vista ético, não parece correcto promover a felicidade de dois indivíduos, negligenciando a de outro.
Qualquer pessoa que não concorde com o meu argumento pode afirmar:
a) Todo o Homem tem direito a fundar matrimónio e criar família, tal como consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
b) Um criança adoptada é mais feliz que uma criança órfã.
Parecem bons argumentos mas, se os analisarmos com mais cuidado, podemos ver que não o são totalmente.
Sabendo que a orientação sexual não é um escolha e sim uma característica que acompanha cada um desde a sua nascença, não me oponho à união homossexual. Indíviduos homossexuais podem fundar matrimónio e não terem necessariamente de criar família. Porém, existem muitas maneiras de se atingir a realização e a felicidade individual, sem ter que, necessariamente, utilizar outros como meios.
Quanto à afirmação que uma criança adopatada é mais feliz que uma criança órfã, não é de todo verdade. Uma criança na idade da infância que seja adoptada, pode - se habituar ao meio familiar homossexual e se adaptar nele perfeitamente. Mas, uma criança que já tenha a mínima noção do mundo real, pode já ter definidas as suas crenças e desejos e, subitamente, se ver confrontada com algo que não deseja e que nunca vai tolerar inteiramente, por mais que seja obrigada.
Além disso, uma criança com pais adoptivos homossexuais, dificilmente passará uma juventude livre de represálias, desprezo e rejeição por parte dos outros jovens com quem convive. Num orfanato, ela pode não ter pais mas viver em boa comunidade com os restantes, o que a pode tornar numa criança relativamente feliz. Num caso de intolerância como o anteriormente descrito, a felicidade da criança está seriamente comprometida.
Há ainda outro argumento que, tenho a certeza, muitos usariam contra o meu. Este argumento diz que, a educação dada pelos pais à criança, é indiferente seja dada por pais de sexos iguais ou diferentes.
Este pode parecer um bom argumento, mas não é. Sabe-se que, na adolescência, certos tipos de assuntos são mais fáceis de serem abordados pelos jovens através de pessoas do mesmo sexo. Um filho adoptivo de um casal homossexual lésbico, dificilmente se sentirá confortável para abordar certos assuntos relativos à idade e, como consequência, tentará omití-los e escondê-los dos pais, o que não é algo realmente justificável. O mesmo se passa com um caso inverso de sexos. Uma criança necessita, portanto, de uma mãe e de um pai para se sentir confortável e não de dois pais ou de duas mães.
Concluo assim que, a adopção homossexual é inaceitável e, que as crianças têm direitos que devem ser respeitados, dentro deles a sua autonomia e o seu livre-arbítrio. Pois, segundo dizem, as crianças são os futuros adultos e, para mim, só se torna adulto quem descobre o caminho da felicidade.
Gabriel Lomba - 10ºA

sexta-feira, 14 de maio de 2010

SERÁ QUE OS CASAIS HOMOSSEXUAIS DEVEM TER A POSSIBILIDADE DE ADOPTAR CRIANÇAS?


Será que os casais homossexuais devem ter a possibilidade de adoptar crianças?

Será que um casal homossexual, com estabilidade emocional, financeira, tal como um casal heterossexual, que deseje ter um filho, deve poder recorrer à adopção para satisfazer esse desejo? É essa a questão que vou tentar responder neste ensaio.
O meu objectivo com este ensaio é mostrar que é incorrecta a adopção de crianças por parte de casais homossexuais, pois qualquer indivíduo tem direito a ter um pai e uma mãe de modo a ter um exemplo a seguir. Irei tentar refutar as objecções aos meus argumentos da melhor forma.
Este assunto é cada vez mais debatido na actualidade, e alvo de muita polémica, pois está em causa a felicidade das crianças, que estão envolvidas neste processo, e são elas que virão a ser afectadas caso esta medida seja aprovada. Devemos procurar chegar a uma solução plausível, para se possa resolver o assunto da melhor forma.
As teses que são a favor da adopção de crianças por casais homossexuais defendem que os homossexuais têm os mesmos direitos dos heterossexuais, e como não podem ter filhos, deve-lhes ser concedida a possibilidade de adopção.
Do ponto de vista de quem é contra a adopção por homossexuais, estes não devem adoptar crianças pois vão comprometer a sua felicidade e a formação da sua orientação sexual.
A tese que eu pretendo defender é a de que a adopção por homossexuais é incorrecta e como tal devia ser impedida, pois está posta em causa a lógica da natureza, em que os filhos são o fruto de uma relação entre seres de sexo oposto. E porque as crianças irão ser prejudicadas involuntariamente durante este processo.
Apesar de não ser contra o casamento gay, pois todos devem ter o direito de comandar a sua própria vida amorosa, oponho-me à adopção por homossexuais.
Argumentos contra a adopção por casais homossexuais:
As crianças que estão disponíveis para a adopção têm falta de exemplos paternais, de um pai e de uma mãe, que lhes mostrem como devem agir, o correcto e o incorrecto.
Se estas crianças forem adoptadas por casais homossexuais irão procurar agir de acordo com os exemplos dos seus pais, podendo também tornar-se homossexuais.
Logo a adopção de crianças por casais homossexuais é errada, pois estes irão influenciar a orientação sexual dos seus filhos de uma maneira errada.
Caso uma criança possua pais do mesmo sexo irá ser confrontada com a rejeição da sociedade perante a sua situação.
Isto poderá provocar interrogações, vergonha e complexos na vida da criança adoptada.
Então não deve ser permitida a adopção por casais homossexuais porque a criança e a sua vida social irão ser prejudicadas.
Segundo a natureza do ser humano os filhos são o fruto de uma relação de indivíduos de sexo oposto.
Um casal homossexual não pode ter filhos.
Duas pessoas do mesmo sexo terem filhos vai contra as leis da natureza, então não lhes deve ser permitida a adopção de crianças.
Objecções/Resposta às objecções
- Não é a orientação sexual dos pais que irá alterar o comportamento das crianças.
Filhos de pais homossexuais não irão tornar-se obrigatoriamente homossexuais.
Logo as crianças cujos pais sejam homossexuais não são influenciadas por esse factor.
Resposta: Se as crianças não fossem influenciadas pelos pais relativamente à sua sexualidade então também não iriam ser influenciadas noutros aspectos, como por exemplo, nos seus gostos. Mas são influenciadas.
Então os pais incutem, mesmo que involuntariamente, a sua orientação sexual nos filhos.
- As crianças disponíveis para a adopção que foram, por exemplo, maltratadas, ou abandonadas, terão um melhor tratamento caso sejam adoptadas por casais homossexuais.
Resposta: Existe diversos casais heterossexuais em lista de espera para adoptar uma criança, então não há necessidade de recorrer a casais homossexuais que poderão perturbar e confundir as crianças.
- Os homossexuais podem dar aos seus filhos uma vida melhor e ajudá-los a crescer da melhor maneira.
Logo, pais homossexuais podem ser tão bons ou melhores que os pais heterossexuais e irão ajudá-los no seu crescimento.
Resposta: Todas as crianças necessitam de conselhos de como agir, de ambas as partes, paternos e maternos, pois é importante uma opinião masculina e uma opinião feminina.
Se a criança for filha de homossexuais, não poderá beneficiar destas opiniões, pois só saberá a opinião de um dos sexos.
Logo não irá crescer com as suas opiniões devidamente esclarecidas, e irá ter diversas dúvidas durante a sua infância.
Em suma, julgo que a adopção por homossexuais é incorrecta, pois irá prejudicar as crianças envolvidas, e não deve ser aprovada, apesar de concordar com o casamento homossexual.
Na minha opinião, as crianças podem ser influenciadas pelos seus pais, relativamente à sua sexualidade, apesar de admitir que existem excepções. O papel distinto de um pai e de uma mãe é muito importante na formação de um indivíduo.
José Sereijo, 10ºA

terça-feira, 11 de maio de 2010

A ADOPÇÃO DE CRIANÇAS POR PARTE DOS CASAIS HOMOSSEXUAIS DEVE SER PERMITIDA?



A adopção de crianças por parte dos casais homossexuais deve ser permitida?
Pretendo com este trabalho mostrar a minha opinião sobre um dos direitos dos casais homossexuais. Este tema levanta muitas confusões, pois as opiniões divergem muito, cada pessoa tem maneiras diferentes de pensar.
O Homem foi criado com o direito de pensar e renovar tudo o que faz parte do seu mundo, e tem o direito de ser livre, de fazer as suas próprias escolhas.
A mulher e o homem foram criados um para o outro para se amarem e terem filhos, dando assim continuidade à espécie humana. Ora o amor homossexual impõe várias dificuldades, quer pessoais quer públicas que nem sempre compreendemos.
Mas o que importa é que sejamos feliz, que haja amor entre as pessoas. Há casais ditos ”normais” que muitas vezes são infelizes, não há respeito entre o marido e a mulher, não confiam um num outro. E casais que realmente se amam mas só por serem do mesmo sexo, não são recebidos de braços abertos na sociedade.
Uma questão muito debatida é a adopção de crianças por partes dos casais homossexuais, com a qual eu concordo. Para mim qualquer criança tem o direito a ter uma família, ter futuro, ser feliz.
Os homossexuais ao adoptarem um filho, estão a dar oportunidades ao mesmo de avançar com a sua vida, o que implicaria algumas dificuldades em viver no futuro (caso não fosse adoptado).
Os que não concordam com o meu argumento afirmam que a criança pode ser prejudicada pela sua educação ao ter como pais dois homens ou duas mulheres, pois é certo que todos nós sabemos que há muitas questões que devem ser tratadas com os pais, mas outras que devem ser tratadas e discutidas com as mães. E essas crianças também podem ser alvo de preconceitos por parte da sociedade por serem filhos de homossexuais, pois tal facto pode levar a que certas pessoas pensem que essa criança pode vir a assumir a homossexualidade como os próprios pais.
Parecem bons argumentos mas uma criança é adoptada, porque é desejada por essas pessoas e é seguramente mais feliz do que muitas outras com famílias de casais heterossexuais. E por outro lado será possível encontrar alguém que sirva de pai ou de mãe que tanta falta faz. Um tio, uma tia, uma avó, um avô… Nunca é tarefa a mais, dar um lar a uma criança.
Depois, é verdade que a homossexualidade não dá continuidade à vida humana. Mas como e óbvio nem toda a gente vai seguir esta forma de vida, não vão todos optar por ser homossexuais, e por isto vai continuar a reprodução da espécie humana.
O ser humano é o grande motivo para a mudança do mundo. É ele que faz com que as coisas mudem, que evoluam. No entanto, não cabe a cada um de nós escolher a vida dos outros, pois todos os homens são seres dotados de autonomia própria.
Concluo assim que deve existir direito à homossexualidade e adopção de crianças por parte de casais homossexuais. Espero ter conseguido demonstrar a minha opinião sobre este tema que tem levantado acesas discussões.

Liliane, 10º Ano

sábado, 8 de maio de 2010

SERÁ LEGÍTIMO A ADOPÇÃO POR PARTE DE CASAIS HOMOSSEXUAIS?



Um dos problemas da actualidade é o de dar resposta a esta questão. Esse problema surgiu há pouco tempo, admitindo que o casamento homossexual, que foi solicitado principalmente pelos homossexuais, só foi aprovado recentemente. Com o casamento aprovado, surgiu então o problema da aprovação ou reprovação da adopção de crianças por parte de casais homossexuais.
Neste ensaio vou procurar oferecer razões para acreditar que deverá ser aceite a adopção de crianças por parte de casais homossexuais. Para isso vou argumentar a favor da minha opinião e refutar os argumentos que sugerem o contrário. Os leitores poderão ficar com uma opinião própria relativamente a este assunto que tanto intriga a Humanidade.
Penso que é um problema muito importante na actualidade pois é uma questão que levanta muita polémica e já se arrasta há tempo suficiente para se tomar uma solução definitiva que satisfaça as pessoas em causa (homossexuais). Se a adopção especial fosse aprovada fazia-se com que inúmeros casais homossexuais tivessem a felicidade de ter um filho, prazer esse que a maioria das pessoas adorariam ter.
Para responder ao problema/pergunta encontramos dois grupos distintos: os apoiantes que defendem que a adopção de crianças por parte de casais homossexuais deveria ser aprovada e os que protestam que defendem o contrário.
Vou procurar mostrar neste trabalho que nos deveremos associar aos apoiantes e assim apoiar a adopção de crianças por parte de casais homossexuais, visto que acho ser mais correcto e justo.
-Admitindo a igualdade entre indivíduos presente na Carta Universal dos Direitos Humanos, tanto os casais normais como os casais homossexuais têm o direito a ter um filho. Como um casal homossexual tem como único meio para obter um filho a adopção, esta deveria ser aprovada.
-A adopção foi um método criado para poder fazer com que um casal que não consiga ter filhos ter um filho e assim satisfazer o seu desejo. Os casais homossexuais não conseguem ter filhos, logo a adopção adequa-se a estes casais. Logo a adopção especial deveria ser aprovada.
-As crianças que estão em instituições á espera de ser adoptadas são infelizes porque não têm pais, vivem todos os dias com a ansiedade de verem uns “novos pais” vir buscá-las. Se viesse um casal homossexual adoptá-las elas iriam ficar felizes e iriam ter uma vida melhor. Logo a adopção de crianças por parte de casais homossexuais deveria ser aprovada.
Contra a adopção de crianças por parte de casais homossexuais argumenta-se que:
-Uma criança com pais homossexuais não irá ter uma vida feliz, nomeadamente na escola, sendo alvo de troça. Logo a adopção especial não deveria ser aprovada.
Ter pais homossexuais não é tão mau como ser deficiente. Assim como os colegas de deficientes se habituam ao facto de terem colegas com aquelas características, também se vão habituar a ter um colega com pais “diferentes”. Logo a adopção especial deveria ser aprovada.
-Um filho ao conviver com casais homossexuais provavelmente ira ser homossexual. Logo a adopção especial não devia ser aprovada.
O filho do casal homossexual vai ter preferências sexuais de acordo com o que vê na maioria e no ambiente mais na sua faixa etária, vai ser raro seguir o exemplo dos pais. Logo a adopção deveria ser aprovada.
-As crianças deverão ser educadas por um pai e uma mãe, não por dois pais ou duas mães. Como um casal homossexual é constituído por duas pessoas do mesmo sexo, a adopção especial deveria ser reprovada.
A educação é um bem que se fornece a uma criança por qualquer pessoa, independentemente do sexo ou parentesco. Uma criança poderá ser educada por pais do mesmo sexo ou por pais de sexos diferentes, logo ter pais homossexuais é indiferente para a educação das crianças. Logo a adopção especial deveria ser aprovada.
Concluindo penso que a adopção de crianças por parte de casais homossexuais deveria ser aprovada, pois admitindo a igualdade entre indivíduos presente na Carta Universal dos Direitos Humanos, tanto os casais normais como os casais homossexuais têm o direito a ter um filho. Como um casal homossexual tem como único meio para obter um filho a adopção, esta surge como único recurso a seguir.
Vitor Augusto, 10º A

sexta-feira, 7 de maio de 2010

AUTO-ORGANIZAÇÃO


A mente não cria a realidade mas cria o sentido que atribui à realidade. O pensamento, a acção, a imaginação e a auto-organização de todos estes processos são determinantes na atribuição de sentido à realidade por cada um.
A auto-organização, ao proporcionar a integração das experiências numa sequência com uma certa coerência, é importante para a compreensão do EU psicológico e da sua identidade.

Ser Humano, Psicologia B-12ºAno, 2ª parte - Porto Editora

terça-feira, 4 de maio de 2010

AS NASCENTES DO FOGO


Serras, rios, penhascos, pedras... Escrevo-os agora e sempre a sangue e fogo. Permanentes companheiros que tudo me ensinaram e tudo me disseram. Poderosa e fecunda, a quinta dos avós, rodeou-me sempre dentro desta beleza agreste, enchendo-me, pela primeira vez, de um canto de fogo indomável e eterno. Está ali o permanente regaço das nascentes do meu canto.
Havia na quinta um velho cavalo. O avó gostava de o montar e de me levar com ele, aconchegando-me com os seus braços fortes e ternos. Juntos cavalgámos a essência da própria Terra. Eu ouvia misteriosas harpas vindas dum céu quase vulcânico e que enchiam de sangue e fogo todas as flores do meu despertar.
Dentro de mim o pólen era uma fogueira que me ateava o olhar e que, anos mais tarde, desabrochou numa imensa corola de lava.
Foi como se as minhas palavras tivessem nascido ali, naquela vastidão agreste e castigada, fecundando-me o útero da Poesia, de nascentes de óvulos e esperma, originando um feto sempre incandescente.

Margarida Xavier de Sá, As Nascentes do Fogo, Tipografia Guerra - Viseu, Fevereiro de 2008

segunda-feira, 3 de maio de 2010

NÃO HÁ ÚLTIMAS PALAVRAS


Março, dia 5 do ano 2000! Um algoz terminou a sua infernal cavalgada e alojou, no mais fundo de mim, a Dor Absoluta. O corpo da alma, em carne viva, transformou-me na mais férrea cripta de mim mesma. Não era apenas a morte. Era a sua morte. Nenhum dos meus beijos foi correspondido e depois, todas as palavras que lhe disse em vida, pareciam não perturbar esse sono petrificado. No manto da terra que tanto amámos, jaziam as solidões inteiras de todas as outras palavras que não dissemos.
Amordaçada por gestos incoerentes, ceifada das lágrimas que os olhos boquiabertos não libertavam, a Dor não tinha porta de saída. Lembro-me de alguém dizer "Chore, menina! Chore! Mas todas as colinas negras estenderam seu manto sobre mim, as serras cansadas enevoaram-me qualquer possível despertar...
E enquanto houver árvores a secar, braços a pedir abrigo, náufragos de todos os afectos, rios de medos e mortos apenas soprando vida, não haverá últimas palavras. Continuará esse voo aceso de palavras ardentes, que misteriosas aves levarão até si, formando um reino onde o som será coroado.

Margarida Xavier de Sá, As Nascentes do Fogo, Tipografia Guerra, Viseu